Blog destinado a divulgação da cultura gaúcha como um todo: shows, festivais, cultura, história, curiosidades. Enfim, tudo da cultura gaúcha.
General Bento Gonçalves da Silva, assim como Souza Netto, vendo que as proposições farrapas não seriam totalmente atendidas, como a libertação dos negros escravos, retirou-se das tratativas de paz, deixando em seu lugar o general David Canabarro.


Em novembro de 1844 estavam todos em pleno armistício. Suspensão de armas, condição fundamental para que os governos pudessem negociar a paz. Por isso o relaxamento da guarda no acampamento da curva do Arroio Porongos.
 
Este é o ponto mais controverso de toda a Guerra pois duas versões vem defrontando-se há anos sem documentos comprobatórios algum. Apenas teorias.
 
A primeira fala-se em traição do General Canabarro que estaria comunado com Caxias para o extermínio dos Lanceiros Negros e não dar-lhes a liberdade prometida. Haveria, inclusive, uma carta do comandante imperial a Moringue, para que atacasse o acampamento e poupasse os brancos e que os negros estariam, a mando de Canabarro, sem seus cartuchames. Na verdade os originais de tal carta nunca apareceram até hoje e fala-se que foi escrita posteriormente ao ataque com o intuito de denegrir a imagem de Davi Canabarro e enfraquece-lo nas tratativas de paz.
 
Outra versão ressalta que, realmente, foi surpresa e que se houve traição foi por parte dos imperiais que não cumpriram um pré-acordo de desarmamento. Canabarro e seus oficiais imediatos foram a uma estância próxima visitar a mulher viúva de um ex-guerreiro farrapo e que, por este motivo, não estaria no acampamento. Historiadores dizem que esta mulher seria a Papagaia, amante de Canabarro.
 
O coronel Teixeira Nunes e seu corpo de Lanceiros negros descansavam. Foi então que apareceu Moringue. Mesmo assim o corpo de Lanceiros Negros, cerca de 100 homens de mãos livres, pelearam, resistiram e bravamente lutaram até a aniquilação. Além disso foram presos mais de 300 republicanos entre brancos e negros, inclusive 35 oficiais.

O general Canabarro, recuperado, reuniria ainda todo o restante de seu exército, cerca de 1.000 homens, e atacaria Encruzilhada a 7 de dezembro de 1844, tomando-a e mostrando assim que a sua intenção não era entregar-se.

A PAZ DO PONCHE VERDE

Por fim, a 1 de março de 1845, assinou-se a paz: o Tratado de Poncho Verde ou Paz do Poncho Verde, após quase dez anos de guerra que teria causado grande número de mortes. Na verdade, por parte dos imperiais, nunca tal tratado chegou a ser assinado, o que permite a muitos dizer que estamos em guerra até hoje..
 
Entre as principais condições deste acordo estavam a anistia plena aos revoltosos, a libertação dos escravos que combateram no Exército piratinense e a escolha de um novo presidente provincial pelos farroupilhas. O cumprimento parcial ou integral do tratado até hoje suscita discussões. A impossibilidade de uma abolição da escravatura regionalmente restrita, a persistência de animosidade entre lideranças locais e outros fatores administrativos e operacionais podem ter ao menos dificultado, senão impedido o cumprimento integral do mesmo.

Dos escravos sobreviventes, alguns acompanharam o exército do general Antônio Neto em seu exílio no Uruguai, outros foram incorporados ao Exército Imperial e muitos foram vendidos novamente como escravos no Rio de Janeiro.

Mais tarde, (1850), com a iminência da Guerra contra Rosas, Caxias, já como Duque, seria indicado presidente da província de São Pedro do Rio Grande.


Fonte: blog do Léo Ribeiro

Confira as outras partes dessa história:

PARTE I

PARTE II

PARTE III

PARTE IV

PARTE V

PARTE VI

PARTE VII

PARTE VIII

PARTE IX
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Por: Mário Maestri

A revolta dos grandes fazendeiros

No extremo sul do Brasil, apenas os festejos da Semana da Pátria, com o apogeu no 7 de Setembro, data da ruptura da ex-colônia com Portugal, voltam para a garagem das efemérides anuais, aquecem-se os motores para a largada da Semana Farroupilha, com linha de chegada em 20 de Setembro, data do ingresso dos rebeldes farroupilhas em Porto Alegre, em 1835, inicio da ruptura da então província sulina com o resto do país.

Através do Rio Grande do Sul, como pequenos robôs esquizofrênicos, os estudantes nas escolas públicas e particulares agitam primeiro as cores verde e amarela das bandeirolas do unitarismo nacional, inaugurado em 1822, para saudarem dias mais tarde, com igual ânimo patriótico, o verde-amarelo-vermelho do separatismo sul-rio-grandense de 35!

Nenhum estado brasileiro celebra data cívica regional com tamanha magnificência. Do Mampituba ao Chuí, do rio Uruguai ao oceano Atlântico, nos pampas, na Serra, no Planalto, na Depressão Central e no Litoral, organizam-se desfiles, celebrações, festas. A mídia comenta fartamente os fatos do passado e as comemorações em desenvolvimento. De certo modo, a Semana Farroupilha está para o gaúcho como o Carnaval está para o carioca.

A Semana Farroupilha é sobretudo festa pública. Desde que foi oficializada, em setembro de 1964, no início do Regime Militar [1964-1984], o governo estadual sul-rio-grandense abraçou fortemente as comemorações, verdadeira tradição nas escolas públicas estaduais e municipais. Nesse sentido, as passadas administrações petistas apenas vergaram-se à tradição nascida há mais de 30 anos, ao manter retoques a festa patriótica regional.

Os com e os sem

A celebração privada da independência farroupilha é também magnífica e portentosa. Almoços, jantares, bailes, shows, conferências, acampamentos, palestras, exposições, etc. são realizados na capital e no interior, sobretudo por iniciativa do Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG –, através dos milhares de Centros de Tradição Gaúcha – CTG – esparramados através do Estado.

A Semana Farroupilha é unanimidade regional, congregando cidadãos de todas as regiões, origens, classes sociais e situações. Na roda de chimarrão, reúnem-se o ítalo, o teuto, o nipo, o luso, o afro-descendentes. Achegam-se à chama crioulao bem empregado, o mal-empregado e o desempregado; o esquerdista, o centrista e o direitistas; os com muito, os com pouco, os sem nada.

Diante da pira cívica regional e da celebração das raízes e dos princípios que seriam as mais lídimas expressões da Revolta Farroupilha, realiza-se congregação suprapolítica, supra-racial e supra-social que, no Brasil, repete-se apenas quando a Seleção Nacional entra em campo vestindo a bandeira canarinho!

Travada sobretudo no meridião do Rio Grande, a Guerra Farroupilha constituiu apenas um entre os múltiplos movimentos armados liberais, federalistas e separatistas terçados pelas elites proprietárias das diversas regiões do Brasil, inicialmente, contra o regime colonial lusitano e, após 1822, contra o Estado imperial brasileiro.

Num desses paradoxos da história, a guerra farroupilha contra o regime imperial foi movimento elitista, sem nenhum conteúdo social, promovido sobretudo pelos grandes criadores sulinos, que sequer contou com a unanimidade dos proprietários regionais. Não foi movimento de todo os habitantes sulinos, nem de todo o Rio Grande da época.

1822: a Independência dos Escravistas

A América lusitana foi mosaico de regiões semi-autônomas, de frente para a Europa e para a África, de costas voltadas umas às outras. As diversas colônias luso-brasileiras produziam regionalmente os produtos que exportavam pelos portos da costa, por onde chegavam os manufaturados e os africanos duramente escravizados. Os mercados internos quase inexistiam.

Os senhores luso-brasileiros controlavam o essencial do poder regional e viviam em situação de associação subordinada às elites portuguesas metropolitanas. Eles sentiam-se membros do império lusitano, possuíam fortes laços de identidade regional e desconheciam sentimentos ‘nacionais’ brasileiros efetivos.

Quando da crise colonial, as elites luso-brasileiras mobilizaram-se por independência restrita aos limites objetivos das regiões sócio-econômicas em que viviam e que controlavam. Então, o Brasil era uma entidade essencialmente administrativa. O Estado-nação brasileiro foi sobretudo produto do ciclo nacional-industrialista dos anos 1930. É, portanto, realidade muito recente.

Tendências centrífugas

Nas colônias luso-americanas atuavam as mesmas forças centrífugas que explodiram a América espanhola em uma constelação de repúblicas independentes. Porém, as diversas províncias luso-brasileiras emergiram da Independência coeridas em um Estado monárquico, centralizado, autoritário.

Quando da crise colonial, as classes proprietárias regionais desejavam pôr fim ao governo autocrático lusitano, nacionalizar o comércio monopolizado pelos portugueses, resistir às pressões inglesas pelo fim do tráfico transatlântico de cativos. Elas defendiam soluções federalistas, separatistas, monárquicas e republicanas.

No Norte, no Nordeste, no Centro-Sul e no Sul eram muito fortes as tendências republicanas e independistas. Tudo sugeria que o Reino do Brasil explodiria em diversas repúblicas, ao igual ao ocorrido com os vice-reinados espanhóis, através das possessões hispano-americanas.

Porém, um grande problema angustiava os grandes senhores de todo o Brasil. Como realizar a independência sem comprometer a ordem escravista, base da produção e da sociedade em todas províncias? Fortes choques militares colocariam em perigo a submissão dos cativos e a manutenção do tráfico de trabalhadores escravizados.

Independência negreira

Os senhores sabiam que a guerra levaria ao alistamento e à fuga de cativos, como ocorrera quando da luta contra os holandeses. Havia também o exemplo recente do Haiti, onde os cativos, sublevados, haviam fundado um Estado negro livre da escravidão. Os Estados luso-brasileiros que abolissem a escravidão acolheriam cativos fugidos. As pequenas nações negreiras vergariam-se ao abolicionismo britânico do tráfico.

O Estado monárquico, autoritário e centralizador foi partejado e embalado pelos interesses negreiros. A Independência deu-se sob a batuta conservadora dos grandes proprietários e comerciantes de trabalhadores escravizados. Os ideários republicano, separatista e federalista – fortes sobretudo entre as fracas classes médias regionais – foram reprimidos.

A independência do Brasil foi a mais conservadora das Américas. Os senhores brasileiros romperam com a coroa portuguesa e com o absolutismo e entronizavam o autoritário herdeiro do reino lusitano. Cortavam as amarras com Portugal e asseguravam os interesses portugueses. Mantiveram-se unidos sobretudo para garantir o abastecimento farto e a exploração dura dos trabalhadores escravizados.

As forças liberais e federalistas regionais curvaram-se à proposta monárquica e unitarista sob a condição que a autonomia provincial fosse discutida quando de Assembléia Constituinte, convocada antes mesmo da Independência. Em novembro de 1823, dom Pedro, digno filho dos Braganças, pôs fim ao regime constitucional e às esperanças federalistas regionais, ao inaugural o primeiro golpe de Estado militar do Brasil.

A ferro e fogo

O golpe anti-constitucional de 1823, e a constituição autoritária imposta em 1824, no contexto de profunda crise da economia escravista exportadora da época, determinaram período de forte instabilidade político-social, durante o qual as facções liberais das elites regionais mobilizaram-se pela independência ou por maior autonomia regional.

Em 1824, a primeira revolta provincial contra o golpismo bragantino, promovida sobretudo pelos liberais e republicanos pernambucanos – Confederação do Equador –, foi sufocado em um verdadeiro banho de sangue. Os líderes liberais foram executados sem o julgamento garantido pela própria Constituição autoritária outorgada por dom Pedro.

A concentração despótica dos poderes e recursos provinciais pelo governo central, em contexto de decadência da economia escravista, levou à deposição de dom Pedro, em 7 de abril de 1831, pelos farroupilhas, como eram chamados os liberais radicais de todas as províncias. Porém, o poder terminou deslizando para as mãos dos liberais conservadores, reais detentores do poder econômico, ou seja, de legiões de trabalhadores escravizados e de imensas parcelas de terras.

Em 7 de abril de 1831, com a partida de dom Pedro e com o fim do controle da administração e do exército por dignitários e oficiais próximos do príncipe português, concluía-se finalmente a independência política do Brasil. Então, o poder central passou ao controle dos representantes dos grandes escravistas, sobretudo do Rio de Janeiro.

3. Revoltas farroupilhas no Brasil e no RS

Apesar de ter debilitado as oposições provinciais, as limitadas concessões regenciais às reivindicações federalistas e liberais lançaram o Império em profunda crise. A negativa da Regência de conceder a monarquia ou a república federativa quase pôs fim à frágil unidade nacional brasileira, pactuada havia dez anos.

Através de todo o Brasil, um rosário de movimentos liberais federalistas e liberais separatistas convulsionou a Regência e o início do II Império: Ceará (1831-2); Pernambuco (1831-5); Minas Gerais (1833-5); Bahia (1837-8); Grão-Pará (1835-40), Maranhão (1838-41); Rio Grande do Sul (1835-45).

O centralismo imperial teria sido possivelmente vergado se cabanos, balaios, sabinos, praieiros, sul-rio-grandense etc. tivessem coordenado suas lutas. Isolados, os movimentos farroupilhas regionais foram esmagados, sucessivamente, um após o outro, pelo poder central.

Liberais radicais

É um acaso histórico que apenas os farroupilhas sulinos sejam conhecidos pela denominação comum a todos os liberais radicais de então. É erro deduzir romanticamente o termo farroupilha/farrapo dos uniformes em frangalhos dos últimos combatentes sulinos.

Os movimentos liberais regenciais foram impulsionados pelas elites dissidentes regionais. No Maranhão (Balaiada) e no Grão-Pará (Cabanagem), as revoltas liberais assumiram claro caráter social com o ingresso na pugna de pobres, caboclos, cativos, quilombolas, etc. O que levou as elites regionais liberais a abandonarem a luta, submetendo-se ao tacão imperial.

Os liberais sulinos reivindicavam a autonomia federativa, e, a seguir, a república separatista. Sobretudo, o movimento interpretou as reivindicações dos criadores do meridião, então hegemônicos. A longevidade da revolta deveu-se também ao fato de as elites sulinas manterem as classes subalternas regionais à margem do movimento.

Em geral, os comerciantes, a população urbana, os colonos alemães, etc. optaram pelo Império, levando a que os farrapos perdessem rapidamente o controle das grandes cidades e, sobretudo, do litoral. Porto Alegre resistiu por três vezes ao cerco farroupilha. O programa liberal-latifundiário farroupilha pouco propunha para esses setores sociais.

A questão oculta

Em 1835, no início da revolta, os farroupilhas controlaram quase toda a província. Em 1845, ao concluir-se o movimento, encontravam-se arrinconados nos pampas da fronteira sul. Tal fato também se deveu à defecção dos grandes comerciantes e charqueadores escravistas, temerosos que a vitória do movimento separatista comprometesse o tráfico internacional de trabalhadores escravizados.

Os farroupilhas jamais foram revolucionários ou reformistas sociais e políticos. Entretanto, continua-se a insistir sobre o pretenso caráter revolucionário do movimento sobretudo porque boa parte das tropas farrapas foram formadas por peões pobres e ex-cativos.

Os senhores farroupilhas e imperialistas preferiam que outros lutassem e morressem por seus ideais. Muito logo, os exércitos republicanos e monarquistas formaram-se com contingentes de peões, nativos e cativos africanos e afro-descendentes libertos.

Quando da guerra, boa parte dos gaúchos livres eram descendentes de nativos guaranis e pampianos, que haviam perdido, para os grandes latifundiários, no século anterior, suas terras ancestrais. Eles acompanhavam seus caudilhos nos combates, como faziam-no tradicionalmente nas lides dos campos.

Churrasco e saque

Não foi o ideal liberal-republicano que levou o gaúcho pobre à guerra. Quando os caudilhos trocavam de lado, sem pudor, os peões faziam o mesmo. Bento Manuel mudou de bandeira diversas vezes, sempre seguido por sua gauchada. Para o peão, o ideário farroupilha significava sobretudo soldo, churrasco e saque.

Quando chamado às armas, o homem livre tinha o direito de substituir-se. Em geral, alforriava um cativo para ocupar seu posto no combate. Arrolavam-se nas tropas republicanas cativos dos inimigos da República e compravam-se trabalhadores escravizados de cidadãos da república para preencher os vazios das tropas.

Os soldados negros que combateram faziam-no obrigados, por preferirem a vida militar à escravidão, por sonharem com liberdade após a luta, jamais obtida. Não houve democracia racial nas tropas farrapas. Soldados negros e brancos marchavam, comiam, dormiam e morriam separados. Os oficiais dos combatentes negros eram brancos.

A Constituição farroupilha dizia: “A República do Rio Grande é a associação política de todos os cidadãos rio-grandenses”. Ou seja, dos “homens livres nascidos no território da República”. A República erguia-se sobre a mesma pedra angular do Império: o latifúndio e a escravatura. O índio e o cativo não eram e não seriam cidadãos.

República dos senhores

Os principais chefes farrapos eram ferrenhos escravizadores. Ao ser enviado preso para a Corte, Bento Gonçalves da Silva levou consigo um negro doméstico, para servi-lo. Ao morrer, legou terras, gado e meia centena de trabalhadores escravizados, numa época em que um cativo valia um bom patrimônio.

Os farroupilhas jamais acenaram com a distribuição de terras, aos gaúchos, e com o fim do cativeiro, aos cativos, como fizera Artigas, na Banda Oriental. Os farroupilhas sequer propuseram o fim do tráfico transatlântico de homens. Nas filas farroupilhas, as veleidades emancipacionistas foram facilmente silenciadas e abafadas. Sustentada sobretudo com o sangue do peão sem terra e do negro liberto, a revolta era das elites, para as elites.

Recorda-se sempre que, para abater as armas, os farrapos exigiram, insistentemente, que o Império respeitasse a liberdade dos soldados negros. Nos fatos, temiam que se formasse uma guerrilha negra na província, ou que os combatentes negros homiziassem-se no Uruguai, caso temessem a reescravização. E, nos últimos anos da guerra farrapa, já se pensava na intervenção na Banda Oriental…

A infâmia de Porongos

Na madrugada de 14 de novembro de 1844, em conluio com Caxias, chefe das forças imperial, David Canabarro, principal general farrapo, entregou os soldados farroupilhas negros ao inimigo, desarmados. No serro de Porongos, foi dizimada a infantaria negra, acelerando a paz entre os amos farroupilhas e imperialistas.

A rendição de Poncho Verde foi acordo de cavalheiros entre senhores. Não havia contradições essenciais entre os chefes imperialistas e republicanos. Os fazendeiros farroupilhas não haviam conseguido impor a separação da província, o Império não manteria o controle sobre ela sem a colaboração dos grandes criadores. Muito logo, os ex-farrapos marchariam, sem pejo, sob a bandeira imperial contra o Uruguai e a Argentina, em defesa da extra-territoriedade de suas imensas fazendas nos departamentos setentrionais da Banda Oriental.

Trecho de artigo originalmente publicado na Revista Espaço Acadêmico Ano II, número 21.


Artigo do historiador Mário Maestri e veiculado no portal Esquerda Online.
Para ver o artigo original, clique aqui.
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Os envolvimentos de setembro em alusão à Semana Farroupilha inquietam quem já teve a oportunidade de pegar um livro que seja sobre a cultura gaúcha e lê-lo com uma dose ao menos de olhar questionador. Até mesmo os escritos pelos folcloristas Paixão Cortes e Barbosa Lessa deixam claro como a identidade do Rio Grande do Sul foi uma construção, o que fica explícito em seus pontos de vista, seus locais de fala e suas intenções explicitamente declaradas, como por exemplo, a citação sobre as danças tradicionais gaúchas, hoje tão cultuadas nos CTG’s, encontrada na página 12 do livro “Danças e Andanças da Tradição Gaúcha” (1985): “[...] há mais de um quarto de século, ressurgiram como danças tradicionais – ou “projeções folclóricas” – entre jovens pré-universitários de Porto Alegre e que talvez voltem a ser folclóricas, algum dia, quando a massa popular interpretá-las com a mesma espontaneidade e atualidade com que fala ou trabalha, sem a autoconsciência de estar cultuando artisticamente vestígios do passado”.

Sobre essa autoconsciência é o que quero escrever. Décadas se passaram desde a institucionalização do gauchismo, a partir da criação do Movimento Tradicionalista Gaúcho, e inúmeras outras ações políticas do estado para que hoje a questão da identidade rio-grandense seja entendida dessa forma. Posso citar alguns exemplos, como a criação do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore em 1974, pleno auge da ditadura militar, sendo o responsável por financiar, incentivar e promover projetos de incentivo à preservação cultural do Rio Grande do Sul (vale ressaltar aqui a extinção deste órgão pelo atual governo do estado e o desmonte, por esse ato, do grandioso arquivo de mais de 7 mil fonogramas e elevada bibliografia da produção cultural do Rio Grande do Sul, que hoje está distribuído em lugares diversos de forma no mínimo imprudente). Também outra ação para mantimento da cultura gaúcha foi a oficialização da Semana Farroupilha, que deu-se um pouco antes da criação do IGTF, mais especificamente no ano do Golpe Militar (1964).

É interessante pensar como no contexto político da ditadura os regionalismos foram impulsionados, pois eles, simbólica e literalmente, criam exércitos de defensores de fronteiras, fenômeno comum à formação dos estados-nação. Assim, é bem compreensível a exaltação de culturas regionalizadas nestas conjunturas políticas. Tal fato converge com os entendimentos sobre tradição e macheza, presente no gauchismo. Segundo o historiador Hobsbawn (no livro "Tempos Fraturados" de 2013) a constituição de uma cultura alicerçada na masculinidade refere-se a uma fundamentação histórica secular do mito do centauro, que teria influenciado enormemente a cultura ocidental através de “características masculinas, pastoris e que possuem ligação com o cavalo”. Para Hobsbawm “o que eles têm em comum é óbvio: tenacidade, bravura, o uso de armas, a prontidão para infligir ou suportar sofrimento, indisciplina e uma forte dose de barbarismo ou ao menos de falta de verniz, o que gradualmente adquire o status de nobre selvagem. Provavelmente também esse desprezo do homem a cavalo pelo que anda a pé e esse jeito fanfarrão de andar e se vestir que cultiva como sinais de superioridade. Acrescente-se a isso um distinto não intelectualismo, ou mesmo anti-intelectualismo. Tudo isso tem excitado mais de um sofisticado filho da classe média citadina.”

Nem na barbaridade (no sentido de barbárie mesmo) a cultura gaúcha é exclusiva, sendo um traço cultural comum gerado “por um grupo social e economicamente marginalizado de proletários desarraigados” (HOBSBAWN, 2013). Ou seja, para o historiador britânico, os grupos que geram com mais facilidade o mito heroico são as populações especializadas em andar a cavalo, mas que, em certo sentido, ainda se mantêm vinculadas ao resto da sociedade, “ao menos no sentido de que um camponês ou um rapaz da cidade possa imaginar a si mesmo como um caubói, um gaucho ou um cossaco.”

Com esses argumentos fica visível, detrás de toda essa tradição, ares de uma cultura violenta, machista, alicerçada no homem/ branco/ heterossexual/ descendentes de imigrantes europeus, e excludente de tudo que for contra isso, inclusive da mulher, como já falamos por aqui diversas vezes. Com esses alicerces culturais construíram-se elementos de uma cultura que não representa a multiplicidade étnica do estado. Isso inclusive é justificado por Côrtes e Lessa quando afirmam (no livro já citado) que se basearam em suas pesquisas na cultura “da elite”, o que chamam de “grupos sociais superiores” que seriam os que “dispõem de meios mais modernos e mais eficazes de adaptação do ambiente”.  A exploração e/ ou apagamento de culturas “subalternas” é chamada como “influência” das classes mais “evoluídas” sobre as “menos evoluídas”. Também vemos nessas narrativas muita romantização na relação do índio e do negro com o branco, escondendo-se o conflito demarcado em um passado de pesada escravidão no estado, muitas vezes acobertando a própria presença de negros no sul do Brasil.

A lista de segregações é tão grande que até o Movimento Missioneiro surgiu na contra-mão desse discurso hegemônico dos CTG’s, alegando uma identidade diversa desta representação assumida pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, buscando incluir a cultura indígena nas representações do novo movimento que criou. Porém, o Movimento Missioneiro também recebe críticas por deixar de lado a cultura afro-brasileira em suas simbolizações como pesquisou Rodrigo Miguel de Souza em “Missioneiros, Morenos e Negros: Identidades, Representações e InvisibilidadeNa Região Das Missões, RS” (2013). Ou seja, esse é um campo de disputas simbólicas acirradas, então acho que vale a pena ao menos pensar sobre isso tudo e criarmos uma “autoconsciência” sobre os fatos culturais.

Os ideais relacionados à cultura gaúcha muitas vezes evocam a violência, através do passado de guerras, e ideais separatistas como os movimentos que ressurgiram nos últimos anos. Como entendimento de bravura ou coragem brotam características sociais conservadoras e intolerantes às diferenças. Um campo simbólico onde isso é fortemente notável é a música, onde percebe-se a presença de algumas letras machistas (questão que já tratamos aqui), proibições quanto a ritmos, instrumentos e inúmeras regras de vestimenta em determinados eventos, além de gestuais agressivos e impostações vocais impositivas perceptíveis na performance musical, ou seja, questões estéticas ordenadas para pensarmos em outra oportunidade.

A partir desses entendimentos cristalizados de forma negativa sobre tradição gaúcha brotam argumentos para atitudes homofóbicas, machistas, violentas, que veem razão e alicerce nesse entendimento que normatiza formas de socializar impositivas e restritivas. Vale lembrar o incêndio no Centro de Tradições Gaúchas em Livramento quanto nele ia acontecer um casamento gay em setembro de 2014. Hipocrisia ou simples não aceitação da realidade, visto que os próprios CTG’s estão repletos de homossexuais que literalmente bancam o movimento com suas mensalidades à esta associação civil, o que reflete como os costumes, hábitos e entendimentos são mutáveis.

Como dinâmica que é a cultura, ela se renova e se reinventa. Os elementos identitários passaram por um filtro nas últimas décadas por artistas e intelectuais. Indivíduos condensaram os entendimentos cristalizados desse imaginário construído e representativo, repleto de apelo emocional, exposto em códigos sonoros, imagéticas, espaços, climas e temperaturas. Vitor Ramil, Renato Borghetti e Yamandu Costa são alguns destes personagens, que transpuseram os significados culturais do Rio Grande do Sul a um fino filtro, abrindo mão das características ideológicas excludentes. Atualmente somos uma geração que viveu as décadas de um gauchismo entranhado nas mídias, que aprendeu a história contada pela ótica dos vencedores e dominadores. Mas também somos contemporâneos de quem (re)produziu o gauchismo sob um outro paradigma, tanto intelectual quanto artístico.

Impossível ver o gauchismo da mesma forma quando se conhece o movimento litorâneo e sua atuação nos festivais nativistas. Uma explícita cobrança por legitimidade quanto a identidade do Rio Grande do Sul, que foi claramente demonstrada em pesquisas como a da etnomusicóloga Luciana Prass com o maçambique de Osório (Maçambiques,Quicumbis e Ensaios de Promessa (2009)). Também impossível ficar inerte às composições que surgem dessas reflexões nos próprios festivais nativistas como, por exemplo, os versos de “Parentes da África” de Cao Guimarães interpretada pela Loma no festival Moenda da Canção.

Como não ver o gauchismo de outra forma depois de ter conhecido a obra de Bebeto Alves e suas ressignificações sobre a milonga, que diga-se de passagem é um gênero de disputas simbólicas intensas. Uma breve contextualização: o ritmo ressurge na região platina nas décadas de 1960/ 70 como símbolo do movimento “nova canção” diretamente ligada à canção de protesto e de uma união entre América Latina, mas poucas décadas depois é usada como discurso de pureza e legitimidade aqui no Rio Grande do Sul, questão que Bebeto sempre problematizou e rebateu em sua obra.

A academia também está repleta de trabalhos que desconstroem o discurso hegemônico do gauchismo. De Luís Augusto Fischer a Juremir Machado, passando por Tau Golin e chegando as novas gerações como Lucaz Panitz, (pesquisador que inspirou o documentário Alinha fria do horizonte (2012), que fala das conexões entre artistas do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai), ao João Vicente e suas pesquisas em comunicação sobre a música popular gaúcha e suas atualizações e acompanhamentos do blog Pampurbana.

Impossível sair com a mesma imagem estereotipada do Rio Grande do Sul após assistir os documentários feitos pelo Projeto Gema. Com uma qualidade admirável reconstroem as narrativas sobre as identidades marginalizadas no estado como a indígena e suas cosmovisões de mundo e música, a identidade sonoro-musical das bandinhas alemãs, sambistas e o movimento samba rock tão resistente no Rio Grande do Sul e reconhecido nacionalmente, os maçambiques de Osório já citados, a hibridização na musicalidade do guitarrista Bonitinho, os gaúchos negros no interior de Livramento, no Quilombo do Ibicuí, entre outras identidades.

Como não descontruir o que é o “gauchismo tradicional” vendo a obra de Vitor Ramil e a forma que dialoga com a singeleza dos versos de João da Cunha Vargas? Como não compreender a significância de nossa localização geográfica e cultural após ler a “Estética do Frio” (1997) defendida por Ramil? Como não perceber a ressignificação do gauchismo vendo a obra de artistas como Pirisca Grecco (e sua Comparsa Elétrica), os versos do Cabo Deco e do Pedro Ribas, entre outros, que com legitimidade e sabedoria sobre o campo, advindo do convívio direto com a cultura gauchesca, atualizam de forma criativa, subjetiva e até existencialista estas identidades?

Como não ver mudança em tudo que foi construído sobre o gauchismo vendo o protagonismo de uma mulher neste segmento como cantora, apresentadora e empresária que é a Shana Muller, uma das poucas artistas a levar a música regional gaúcha ao espaço do espetáculo e da “alta cultura” que é o Theatro São Pedro? Também como não perceber a mudança através da presença de musicistas cantoras e instrumentistas nos ambientes de música regional gaúcha e do surgimento de bandas gauchescas formadas só por mulheres, que apesar de algumas ainda reiterarem os estereótipos construídos em seus repertórios, hoje dividem espaços e funções profissionais neste nicho de mercado que é o gauchismo?

Como não problematizar visões conservadoras sobre a cultura gaúcha vendo artistas como Paulinho Goulart (e seus colegas de grupo Instrumental Picumã), Gabriel Romano, Zelito Ramos e tantos outros que tiveram um forte contato desde cedo com a tradição gaúcha dos CTG’s, seja pelo contato familiar ou por ligações profissionais, e que através dessa vivência construíram a linguagem, sotaques musicais e fraseados, mas que hoje expõem suas múltiplas influências em suas composições, através da realização de trabalhos independentes sem a necessidade de aprovação ou avaliação estética das gravadoras?

A lista felizmente é bem grande e precisa ser apontada. Então deixo o convite para mostrarmos o que de renovado a cultura gaúcha tem (os convido a elencar novos nomes ao compartilhar o texto ou nos comentários). Fica também a dica de dar um google nos nomes e trabalhos aqui citados.

Por um processo de destilação (termo surgido em conversa com o pesquisador Lucaz Panitz) passou a cultura gauchesca. Filtro da pós modernidade e de todas as epistemologias desconstruidoras e relativizadoras da tradição como algo incontestável e sem “autoconsciência”. Nas palavras de Hobsbawn “as tradições são inventadas”, então que possamos tecer uma cultura menos excludente e mais plural, nem que para isso seja necessário reinventá-la.


Fonte: blog Gauchismo Líquido, de Clarissa Figueiró
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Se você ainda não conseguiu aproveitar a Semana Farroupilha para comer aquele prato típico do Rio Grande do Sul, o feriado de 20 de setembro é o momento ideal. Reúna a família e os amigos para cozinhar o essencial da culinária gaúcha.

Deixar o tão amado churrasco de lado nesta quarta-feira talvez seja uma boa dica. Afinal, a gastronomia do nosso Estado é muito vasta e há receitas para todos os gostos. O Portal Gaz selecionou cinco pratos que podem ser uma boa opção para ressaltar o orgulho do Rio Grande do Sul. Confira:

Arroz de carreteiro

O carreteiro é, provavelmente, um dos pratos típicos mais aclamados no Rio Grande do Sul depois do churrasco. O prato é uma mistura de charque picado com arroz. Fica ainda melhor se preparado com a sobra do churrasco de domingo.
 

 


Ingredientes

1,5 quilo de charque
Duas cebolas grandes
Um pimentão verde grande
Seis dentes de alho
Dois tomates médios
Um maço de tempero verde
Cinco xícaras grandes de arroz
Dez xícaras e meia de água fervente
Azeite a gosto

Modo de Preparo

Pique o charque em cubos pequenos e cozinhe em água até que fique bem salgado, porém suportável ao paladar. Se com a primeira fervura do charque ele ainda estiver muito salgado, troque a água e o ferva novamente. Após a fervura, escorra toda a água e frite o charque em azeite.

Dica: utilize o mínimo possível de azeite durante a fritura, a gordura presente no charque irá derreter. Pique as cebolas, tomates, pimentão, alho e o tempero verde e os acrescente quando a carne estiver dourada. Deixe tudo fritar bem até começar a secar, adicione o arroz e frite mais um pouco.

Adicione a água fervente, mexa bem, misturando de forma uniforme os ingredientes, pois não poderá mexer mais assim que o cozimento avançar. Espere retomar a fervura, reduza o fogo e espere secar. Sirva com salada de couve crua e ovos cozidos picados.


Matambre recheado

Típico no Rio Grande do Sul, o matambre recheado é um prato que também pode ser encontrado no Uruguai, na Argentina e Paraguai. Ele é feito da carne matambre, com recheio de salsa picada, fatias de cenoura, pimenta e pimentão moído, ovos cozidos duros e condimentado com um pouco de azeite e sal.


Ingredientes

Uma peça de matambre (800g a 1,2kg)
Sal e pimenta a gosto
Dois tomates médios
Uma cebola
Meio pimentão
Um dente de alho
Uma colher de sopa de páprica
120 mililitro de vinho
Um galho de alecrim
150 gramas de presunto fatiado
300 gramas de carne moída
80 gramas de farinha de rosca

Modo de Preparo

Limpe o matambre deixando em formato retangular e retire parte da gordura. Deixe marinar por cerca de seis horas em uma mistura de vinho, meia cebola cortada em pedaços grandes e alecrim. Pique a outra metade da cebola, o alho e o pimentão. Misture a carne moída com a farinha de rosca, o sal e a pimenta. Abra o matambre e acrescente em camadas a carne moída, o tomate, a cebola e o pimentão e finalize com as fatias de presunto cobrindo toda a peça. Enrole como um rocambole, apertando o recheio. Amarre com um cordão. Coloque em uma forma com o caldo em que a carne foi marinada. Leve ao forno a 180°C por duas horas. Vire ao completar metade do tempo.


Espinhaço de ovelha com aipim

O prato é feito com carne de ovelha. Espinhaço é uma parte do animal que vai do pescoço ao lombo. Para consumir, o espinhaço é dividido em pedaços. O corte deixa a carne muito macia.
 
 
 
Ingredientes

Um espinhaço de ovelha de dois quilos fatiado
Um quilo de aipim
Três tomates
Quatro cebolas
Três dentes de alho
Uma taça de vinho tinto
Óleo
Sal ou tempero pronto com pimenta

Modo de preparo

Coloque o aipim para ferver numa panela com água e sal. Tempere a carne de ovelha com sal ou tempero pronto com pimenta e comece a fritar. É importante selar bem. Depois que terminar de fritar a carne, reserve-a em um recipiente e prepare o molho na mesma panela. Ponha o alho e a cebola e deixe dourar bem.

Quando a cebola estiver macia, acrescente a carne já selada, misturando. Adicione os tomates e a medida de uma taça de vinho tinto. Cozinhe até desmanchar os temperos. Se necessário adicione um pouco de água ao cozimento. Em seguida, junte o aipim à carne e ao molho e mexa com cuidado para não desmanchar o aipim. O toque final é o temperinho verde e a cebolinha. Acompanhe com quibebe e arroz branco.


Ambrosia

Uma sobremesa tradicional de Portugual. É muito popular no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Pode ser conhecida como Manjar dos Deuses e é feita com leite, ovos e açúcar.



Ingredientes

Uma lata de leite condensado
Meio litro de leite
Quatro unidades de ovo
Quanto baste de canela-da-china em pó para polvilhar

Modo de preparo

Em uma panela de fundo largo, dilua o leite condensado no leite e leve para ferver. Enquanto isso, bata as claras em neve e acrescente as gemas uma a uma. Acrescente ao leite e deixe cozinhar. Quando você perceber que a parte de baixo está firme, corte em pedaços com a ajuda de uma escumadeira e vire para que cozinhe dos dois lados. Desligue o fogo e coloque numa compoteira com tampa, decorando com canela em pó.


Sagu com creme

A sobremesa mais típica no Rio Grande do Sul, com certeza. Ainda mais após o churrasco de domingo. O sagu com creme faz parte da mesa dos gaúchos. Doce típico de casa de vó. A sobremesa também pode ser comida quente nos dias frios.
 
 
 
Ingredientes

Duas xícaras de sagu
Três copos grandes de vinho tinto
Uma xícara e meia de açúcar
Um litro de água
Meio litro de leite
Meia xícara de açúcar
Duas colheres de amido de milho bem cheias
Uma gema passada na peneira
Uma colher de café de essência de baunilha

Modo de preparo

Coloque o sagu em uma panela de pressão com água e deixe cozinhar por dez minutos. Espere a panela esfriar, retire o sagu e lave em água corrente até sair toda a liga. Coloque o açúcar na panela junto com o vinho e o sagu já lavado, deixe ferver uns minutos para encorpar. Para preparar o creme acrescente o leite, meia xícara de açúcar, o amido, a gema e baunilha na panela. Misture bem e ligue o fogo, mexa até engrossar. Pode variar de acordo com o gosto, acrescentando mais ou menos açúcar. Pode servir o sagu colocando o creme de baunilha como acompanhamento.


Fonte: portal GAZ
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Enart, que acontece todos os anos em Santa Cruz, é exemplo de amor ao Rio Grande do Sul - Foto: Rodrigo Assmann


Uma roda de chimarrão e algumas bergamotas no olho do sol são costumes que dificilmente serão encontrados em outro local. O Rio Grande do Sul tem dessas mesmo – é um Estado diferente. A cultura daqui pode ser percebida de longe, ainda mais durante a Semana Farroupilha, celebrada de 13 a 20 de setembro. Comportamentos que muitas vezes são guardados no campo ou em Centros de Tradições Gaúchas retornam ao urbano e trazem algo que pode até ser esquecido por alguns, mas não morre nunca: o orgulho de ser gaúcho.

É difícil pensar sobre quando começamos a ser tão bairristas. Para o doutor em História e professor universitário, Cleber Eduardo Karls, para falarmos no amor pelo Rio Grande do Sul, precisamos debater fatores do nosso passado. “Este gaúcho orgulhoso da sua história e das suas tradições é a consequência de uma complexa construção histórica que inclui distintos elementos que vão das guerras à literatura, da proximidade cultural com os castelhanos ao Movimento Tradicionalista Gaúcho”, explica Karls.

Desses pilares, é interessante ressaltar que o Rio Grande do Sul foi a guarda da fronteira nacional até o século 19. As terras gaúchas foram motivo de guerra entre as coroas portuguesa e espanhola. “As lutas pela posse fizeram com que os sulistas se aproximassem e criassem uma identificação.” Se compararmos os costumes gaúchos com os dos habitantes do Centro do País, veremos que o Rio Grande do Sul tem mais semelhanças com a Argentina e o Uruguai. “Essa união em torno da guerra, das armas, do gado e da posse de terra, além da proximidade cultural, é fator de união entre os sulinos brasileiros.”

Diferente de todos os outros estados

São poucos os lugares onde será possível ver um sentimento tão forte de identificação como no Rio Grande do Sul. Santa-cruzense, Karls mora no Rio de Janeiro e percebe uma diferença grande na identidade entre os habitantes dos dois estados. “O Rio Grande do Sul é diferente de qualquer outra região do País, principalmente, em relação a esse sentimento de pertencimento.”

De acordo com Karls, os cariocas não têm os mesmos apegos dos gaúchos, tão ligados às questões regionais. “O Rio de Janeiro se coloca e se pensa como uma cidade de nível global. Os mais apaixonados diriam que o Rio é, na verdade, o centro do mundo. Nesse ponto, os cariocas e os gaúchos estão muito próximos.”

Para ressaltar a literatura

Se a ideia é entender o amor pelo Rio Grande do Sul, uma recomendação é buscar livros que colaboraram para que os habitantes do Estado fossem tão apaixonados. Conforme Karls, o romance “O Gaúcho”, escrito por José de Alencar em 1870, pode ajudar nesse quesito. O livro é um marco na construção da identidade do homem do campo. “Alencar retrata um gaúcho heroico, forte, corajoso, ético, ou seja, praticamente um ser mitológico”, comentou.

Nove costumes que só o gaúcho entende

1 – Na roda de mate, a hospitalidade

O chimarrão pode ser apontado como um dos principais costumes do Rio Grande do Sul. Amargo e pelando de quente, mesmo no verão, é nas rodas de mate que a união prevalece. Difícil é não fazer amizades ao servir um chima – a bebida serve para quebrar qualquer gelo que possa existir, no trabalho ou até mesmo na família. Para a coordenadora cultural do Grupo de Pesquisas Folclóricas Alma Gaúcha, Zoraia Pereira, o chimarrão representa a hospitalidade do povo gaudério. “O chimarrão aproxima, iguala. E é referência da nossa cultura.” Com o mate, dá para reconhecer um gaúcho de longe. “Onde quer que um gaúcho encontre uma pessoa com uma cuia, já identifica.”

2 – Autencidade na maneira de se expressar

Moradores do Rio Grande do Sul possuem um linguajar atípico, muito diferente do que se fala em outras regiões do Brasil. O “gauchês” tem as suas expressões que podem não dizer nada para alguns. Para gaúchos, às vezes um “bah” vale mais que mil palavras. E é verdade – a expressão pode falar sobre qualquer sentimento, dependendo da entonação. "Bah" é praticamente o suspiro do gaúcho e pode expressar tristeza, felicidade, decepção, medo, admiração, raiva. O bah é universal. Já o “tchê” serve para chamar a atenção de alguém. O “tri” é a versão curta do antigo “trilegal” e o “capaz” é usado para dizer “não precisa”, ou “não se preocupe” ou ainda “é mesmo?”.

3 – Nós esquecemos dos plurais

Outra peculiaridade do “gauchês”: nós esquecemos dos plurais. Ou "dos plural", já que estamos falando sobre a linguagem única do Rio Grande do Sul. É algo natural, acontece sem ninguém perceber. Nós vamos ao súper, comprar umas cerveja e umas carne. A moeda também é única: tudo isso pode sair uns trinta pila. (Já percebeu? O pila também não é plural)

4 – Nada melhor que um carreteiro depois do churrasco

Reunir a família em um domingo ao meio-dia para comer churrasco é típico do gaúcho e não há nenhuma novidade. O prato tradicional é feito de uma forma única aqui. Assar uma carne pode ser a primeira opção para comemorar um aniversário, encontrar os amigos ou simplesmente passar o tempo. E para complementar, nada melhor que um carreteiro feito com a carne assada. A refeição também é costumeira.

5 – No inverno, tempo de lagartear no sol

Aproveitar o frio de renguear cusco que só existe no Rio Grande do Sul é pegar bergamotas (umas berga, para os íntimos) e lagartear no sol sem se atucanar. Se essa frase fosse lida em outra parte do País, seria: quando o frio é tão intenso que deixa até os cachorros encolhidos, o ideal é colher algumas tangerinas e comer sentado no sol sem se preocupar. E não podemos esquecer: as baixas temperaturas também são ótimas para comer pinhão junto da família.

6 – Um dicionário único

O “gauchês” também tem as suas palavras incomuns no resto do Brasil. Um cacetinho, por exemplo, significa um pão francês. Assim como um rabo quente significa um aquecedor de água. Cusco é um cão vira-lata. Entrevero é uma palavra usada para falar de uma confusão. Xucra é uma pessoa grosseira e por aí vai. Outras expressões também merecem destaque. Em cima do laço é estar em cima da hora, atrasado; juntar os trapos é usado para falar sobre casar; largar de mão é desistir e me caiu os butiá do bolso é para expor surpresa, choque ou decepção.

7 – Só aqui existe xis

O xis é um lanche típico do Rio Grande do Sul – servido em absolutamente todas as lancherias (gauchês para lanchonete). Não é um sanduíche e é bem diferente de um hamburguer. Para ficar melhor, só se for de coração de galinha – o sabor mais tradicional. O xis é prensado e são vários sabores para escolher. Ainda por cima, o pão é diferente de todos os outros lanches.

8 – As culturas alemã e italiana também fazem parte de tudo isso

Uma das boas coisas que o Rio Grande do Sul herdou das imigrações alemã e italiana é a culinária. São massas, pães, polentas e cucas. Há alguns sabores que podem torcer o nariz de quem não conhece. Cuca de doce de leite com linguiça, por exemplo, é uma ótima combinação para ser consumida durante a refeição. Massa recheada, como capelleti in brodo, também foi uma das heranças deliciosas deixadas no Estado.

9 – Só o gaúcho pode se arriar nos costumes

Todas essas tradições podem ser motivo de arriação (piada, brincadeira) para os gaúchos. Mas somente os habitantes do Rio Grande do Sul têm o direito de fazer esse tipo de brincadeira. Por exemplo, nas redes sociais há diversas páginas que citam os costumes do Estado em tom de piada. São raras as pessoas de outros lugares que vão entender essas tradições e, por isso, há um senso comum de que somente quem é daqui pode fazer piada com o bairrismo gaúcho. Nada mais justo, certo?


Fonte: portal GAZ
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Neste dia tão especial a todos nós, a Minuano Discos, orgulhosamente apresenta duas obras literárias com especial significado:

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Andarilhos - de Rodrigo Ungaretti Tavares onde no vasto e inesgotável, rico e melancólico mundo pampiano transitam os personagens Pedro Guarany, changador marcado por uma antiga tragédia; João Fôia, lacônico homem cuja real personalidade é um mistério; e o francês Alphonse Saint Dominguet, cujo olhar forasteiro revela a estranheza, os arcaísmos e a alma profunda destes rincões à margem do mundo.

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Os vencedores do festival - Foto: Prefeitura de Osório


Com letra de Kuka Pereira, a composição  também levou o prêmio de Melhor Tema Campeiro e de Melhor Intérprete, conferido a Tuny Brum


"Meu Mate de Doze Braças", letra de Kuka Pereira e música de Tuny Brum,  foi a grande vencedora da 27ª Tafona da Canção de Osório, cuja final ocorreu neste domingo (17). A composição de também levou o prêmio de Melhor Tema Campeiro e de Melhor Intérprete, conferido a Tuny Brum.  O segundo lugar foi para a canção "Batuque Derradeiro", composto e interpretado por Bilora, de Contagem (MG),que  também obteve o prêmio  de Música Mais Popular. O melhor instrumentista foi o gaiteiro Lucas Ferreira e prêmio de Melhor Tema Litorânea foi para "Dois Cantadô", de Érlon Péricles/Diego Müller e Guilherme Castilhos, interpretada por Érlon Péricles. Ao todo, foram 14 composições que se classificaram nas fases regional e nacional  e que estarão no CD e no DVD do festival.

A chuva, que foi presença constante nas três noites de festival, só cedeu neste domingo, proporcionando a que o público comparecesse em peso ao Parque Jorge Dariva. A noite ainda teve shows de Daniel Torres e Mano Lima, além de homenagens às personalidades que contribuíram ao longo destas 27 edições do festival, como  Carlos Catuípe, Mestre Gica, Juarez Fonseca, Airton Camargo, Sebastião Teixeira, Ivo Ladislau, Luiz Odacir Ramos e também os Cantadores do Litoral e o CTG Estância da Serra.

A comissão julgadora do festival foi formada pelo saxofonista e flautista Luizinho Santos; pela cantora e compositora Loma Pereira; pelo cantor, compositor, poeta e produtor musical, Marco Araújo; pela cantora Maria Luiza Benitez e o poeta e letrista, Jaime Vaz Brasil.

Confira o resultado da 27ª Tafona da Canção Nativa:

Melhor instrumentista: Lucas Ferreira.

Melhor intérprete: Tuny Brum.

Melhor Tema Litorâneo:
Música: Dois Contadô;
Letra: Diego Müller;
Melodia: Érlon Péricles/Guilherme Castilhos.
Intérprete: Érlon Péricles
Cidade: Canoas/Porto Alegre.

Melhor Tema Campeiro:
Música: Meu Mate de Doze Braças;
Letra: Kuka Pereira;
Melodia: Tuny Brum;
Intérprete: Tuny Brum.
Cidade: Brasília/Santa Maria.

Troféu Música Mais Popular:
Batuque Derradeiro;
Letra: Bilora;
Melodia: Bilora.

2º Lugar:
Batuque Derradeiro;
Letra, melodia e interpretação: Bilora;
Cidade: Contagem/MG.
Letra: Bilora;
Melodia: Bilora.

1º Lugar:
Música: Meu Mate de Doze Braças;
Letra: Kuka Pereira;
Melodia: Tuny Brum;
Intérprete: Tuny Brum.
Cidade: Brasília/Santa Maria.

 
Colaboração:
Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu (MTB 8679-4)
Fones: 51 994046106 (Claro) |982385577 (Tim) | 19/09/2017