Viagem ao Rio Grande do Sul, de Auguste Saint Hilaire - Parte V



Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire

Indumentária - Lida do gado – Estilos de vida - Definição do Gaúcho

O traje do homem aqui é o chiripá (saiote), calças largas de algodão onde a extremidade de cada perna termina em franjas, um pouco melhor vestidos que os camponeses franceses, mas as mulheres vestem-se como damas.

Entre os portugueses do Rio Grande são estes que fazem as honras das casas, mas tem visto aqui ser o contrário e certamente neste local detestam seus vizinhos portugueses.

Haviam muitas pessoas na casa de um agricultor, galopavam atrás das reses para serem marcadas. Um laçava os chifres e outro as pernas para cair e com ferro em brasa eram marcadas no couro.

O homens da lida, que não são proprietários de nada, se possuem chiripá e poncho já estão satisfeitos, gastam todo resto em bebida e jogos. Julgam ter feito muito pelos filhos quando lhes dá um par de calças e uma camisa. Crianças logo que aprendem a andar aprendem a jogar e beber, abandonando o hábito somente quando deixam de existir.

Os estrangeiros prosperavam muito, chegavam pedindo esmolas e logo estavam com escravos, casa e mercadorias. A guerra empobreceu a região, mas continuando a paz logo irá prosperar. Mas estes não passam os valores aos seus filhos, que aprendem o que há de ruim com os locais e dilapidam a fortuna do pai.

Garruchos ou gaúchos são nomes dados pelos portugueses a mestiços sem moral ou religião, sob a bandeira da revolta praticavam a pilhagem de gado, mas agiam por conta própria para vender o gado e gastar com jogos. Bradavam "Viva lá pátria!", sendo marcado como o " tempo da pátria", este período de guerra.

Era uma terra muito rica, muitos vieram de regiões como Chile e Paraguai para viver na ociosidade, de estância em estância, pouco trabalhavam, uma vaca custava 1 pataca, pois havia muita abundância, agora já custam 50. Com a insurreição muitos destes se juntaram a Artigas e começaram a roubar os agricultores, por vezes matavam apenas retirar a língua ou uma tira de couro, e assim exterminaram grande quantidade destes animais.

Muitos destes desapareceram, foram mortos, aprisionados ou seguiram Artigas. Deixando os estancieiros muito menos ricos, já não podendo mais também manter qualquer um em sua propriedade.

De Castilhos pra cá a comida é servida em uma travessa de carne e cada um come como pode, sem talheres.


Novembro de 1820 - Auguste de Saint-Hilaire


 Montevidéu - Costumes locais

Chega a Montevidéu, com grande dificuldade para arranjar um local para ficar é acolhido por um Padre, depois em uma padaria. Apresentado às autoridades e convidado a conhecer o teatro e assistir a uma peça. Logo após seguem para um baile, onde as mulheres eram muito bonitas e bem vestidas, boas maneiras e delicadas, os homens são apáticos. Refrigerantes eram servidos e ao contrário do Rio Grande onde havia muito exagero, aqui a mesa poderia se pensar que estava posta para meia dúzia de meninos.

A cidade possui cerca de 15 mil habitantes, poucos negros e menos ainda mulatos, sendo a cidade mais ativa que conheceu depois do Rio de Janeiro. A maioria são negociantes. A água potável vem da chuva e é armazenada em cisternas.

O leite é vendido por meninos, a cavalo, com garrafas de barro amarradas por couros.

A gente deste país não manifesta grande interesse político, diferente de sua herança europeia/espanhola.

Repara que as crianças são mais ativas e se divertem mais que as brasileiras, mas lhe é avisado sobre as alterações conforme o clima, pois passou pelo Rio Grande no inverno, e agora já se faz novembro.

As mulheres da cidade se vestem bem, não se trancam em suas casas e reúnem-se seguidamente em outras casas. São cordiais com os visitantes mas sem afetação, conversam bem e procuram ser agradáveis. Em qualquer nível social possuem graça e delicadeza. Há também pela cidade mulheres mundanas, mas não se oferecem aos homens, como as europeias.

Ha um hospital equipado para 50 leitos, feitos de cavaletes, estrado de couro e um colchão pouco grosso. Desde que os portugueses estão em Montevidéu há no hospital um parte para crianças abandonadas, como uma roda na parede, onde são entregues e passadas ao interior, sendo confiadas a amas que os amamentam. No primeiro ano 40 crianças foram trazidas.


Esta Webserie está sendo veiculada no facebook por Jeandro Garcia e Léo Ribeiro de Souza e sendo reproduzida pelos blogs do Léo Ribeiro e Rogério Bastos.
Fonte: blog do Rogério Bastos

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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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