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Viagem ao Rio Grande do Sul, de Auguste Saint Hilaire - Parte VI

Com muito pesar deixa Montevidéu, onde uma multidão lhe deu provas de seu acolhimento. Está com uma carroça nova, muito rígida, mas muito pesada que quebra logo em seguida. Ajudado por um camponês a consertar, e ainda ganhou dest…



Com muito pesar deixa Montevidéu, onde uma multidão lhe deu provas de seu acolhimento. Está com uma carroça nova, muito rígida, mas muito pesada que quebra logo em seguida. Ajudado por um camponês a consertar, e ainda ganhou deste mais uma junta de bois, sem aceitar retribuição alguma.

A administração portuguesa proibiu a produção charque, para dar tempo dos animais se multiplicarem, em outros tempos eram exportados até 1,5 milhão de peles, fora o contrabando, agora não passa de 25mil para o consumo interno.

Seguindo a viagem caem em um atoleiro, lá é ajudado por um camponês que Saint Hilaire o menciona como "gaúcho", que também não aceitou retribuição. uando na verdade é costume da região, entre os mais humildes, aguardar algum pagamento, caso não seja dado com certeza irá pedir.

Mais a frente encontra diversos cavaleiros que aguardam para uma corrida de cavalos, algo muito apreciado no Rio Grande também, onde são feitas diversas apostas. Nas cidades do interior os habitantes fazem tudo a cavalo, vão fazer compras, a taberna, buscar água e carne, até mesmo vão a missa.

Constata que nada é igual ao ódio que eles conservam em relação ao povo do Rio Grande, e ao que em geral os espanhóis tem dos portugueses. Pretender que este território seja de domínio português é unir dois contrários.

As habitações por mais simples que sejam em Minas são muito limpas, já no Rio Grande começam a ser menos cuidadas em lugares mais humildes, mas no interior do Uruguai as casas são extremamente sujas e com mau cheiro. Nota-se que entre os portugueses havia pouca mistura com os locais, mantendo seus valores europeus, mas por aqui os espanhóis se misturaram com índios e outros locais, e seus filhos adquiriram os maus hábitos da maioria, mesmo os não mestiços.

Quando não está em uma casa, pede para que façam sua cama na carroça, mas há pouco espaço devido a bagagem, quando pede que lhe façam alguma comida é como se cometesse um roubo, por diversos momentos reclama do péssimo serviço prestado por seus contratados, especialmente aquele que trouxe do Rio de Janeiro, no momento ainda um soldado o acompanha, mas apenas lhe dá mais trabalho e despesas.

Em uma família lhe ofereceram o chimarrão ou matesito, estes se alimentam especialmente de porcos selvagens, que antes eram domesticados e agora são caçados a laço.

Ao entardecer uma onça pintada estava devorando um de seus potros, nem o cão quis chegar perto, estes animais antes eram mais comuns, mas com a redução do gado e o tumulto da guerra tornaram-se raros.


Mestiços - Bolicho - vaqueanos

Em 18 de dezembro Saint-Hilaire chega a Aldea de Las Víboras os habitantes vivem na indigência. Em sua maioria índios ou mestiços vindos de outro lugares em busca do fácil sustento, em uma época em que na região havia muito gado. Com o extermínio destes animais hoje se sustentam cortando matos e enviando a Montevidéu e Buenos Aires.

Na aldeia há muitas bodegas, onde deixam metade do que ganham, especialmente em bebidas, são quase como os bolichos do Rio Grande, vende-se de tudo e as mercadorias são distribuídas em prateleiras, paralelo a porta um grande balcão onde os clientes se escorram para beber, enquanto o cavalo pacientemente espera à porta.

Seguindo em Arenal-Chico não encontraram nem gravetos para o fogo, precisando contentarem-se com apenas pão e queijo, no mesmo lugar haviam imensas tropas de jumentos selvagens, mas raras vacas e cavalos. Seu pessoal caçou quatro porcos castanhos, ficando apenas com os filhotes e melhores partes dos adultos. Também haviam muitos cachorros castanhos, onde um de seus serviçais pegou um filhote para criar.

Ao chegar em uma casa a dona logo lhe convidou para montar uma mesa na rua, em que lhe serviu uma grande tigela de carne e como estava com muita fome se rendeu aos hábitos locais, comendo sem garfo, faca, farinha e pão. Em todas as casas o empregado ou escravo que serve a mesa recita a ação de graças em voz alta.

As pessoas do campo levam uma vida selvagem, alheia a moral ou religião. Os padres jesuítas são mais presentes que os brasileiro, mas não se ocupam da instrução dos fiéis, nem mesmo há um catequista nas aldeias.

Define o termo “Vaqueano” como o homem que conhece bem a região, sendo um bom guia, presumindo que vem de vaca este nome, já que este deveria conhecer bem os caminhos que as vacas andam, por tanto sabendo onde encontra-las quando se perde.

No Acampamento del Rincón de las Gallinas, já em 27 de dezembro, se apresenta ao Brigadeiro que é responsável de tropa de guarnição do Uruguai. Este lhe oferece alojamento para todos, carne e coloca seu capataz para cuidar de seus bois e cavalos.


Esta Webserie está sendo veiculada no facebook por Jeandro Garcia e Léo Ribeiro de Souza e sendo reproduzida pelos blogs do Léo Ribeiro e Rogério Bastos.
Fonte: blog do Rogério Bastos

Para ver a parte 1, clique aqui.

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Para ver a parte 4, clique aqui.

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