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A cultura de paz no Movimento Tradicionalista

O ano era 1845. Mais precisamente, dia 1º de março, quando, nos campos de Ponche Verde, farrapos e imperiais assinaram o Tratado de Pa...


O ano era 1845. Mais precisamente, dia 1º de março, quando, nos campos de Ponche Verde, farrapos e imperiais assinaram o Tratado de Paz, dando fim à guerra que perdurou por quase dez anos.

Tendo suas cláusulas um pouco controversas, fazendo com que pelo menos Antônio de Souza Netto se recusasse a assinar, trouxe um breve período de calmaria às terras do Rio Grande do Sul, que durante as batalhas viu inúmeros de seus moradores (estancieiros, campeiros e principalmente escravos) perderem a vida.

E para exaltar a assinatura desse documento, tão importante para a nossa história, no ano de 1998 foi sancionada a Lei nº 11.077, pelo então governador Olívio Dutra, instituindo a Semana da Paz no nosso Estado, comemorada do dia 23 de fevereiro a 1º de março de cada ano.

A partir disso, conversamos com alguns tradicionalistas para saber qual a importância de comemorarmos esse período histórico, em tempos de tamanha intolerância.

Monique Nogueira – CTG Saudades do Pago – 2ª RT – É importante lembrar todos esses pontos históricos, das batalhas vividas pelos nossos antepassados, pois foi um momento de luta, de sofrimento, e conquista que devem ser valorizados e lembrados, e isso deve ser passado as atuais gerações, pois é um pedaço de cada tradicionalista que fica para trás, é a história do nosso povo, é a nossa história, já que isso mostra o quanto nosso povo foi empenhado em mudar deste aquela época. A procura pela igualdade era muito forte, e continua sendo, é algo que o gaúcho por essência trás no peito e na alma. Ouvimos muito falar sobre a paz mundial, mas por que não pensamos na paz do nosso estado, procurando preservar a nossa história? Com a instituição dessa lei que auxilia as nossas raízes, é manter na lembrança viva a Guerra dos Farrapos, e o mais importante das guerras, as mudanças, a bravura e a paz que sempre devemos conservar, para que sempre tenhamos as gerações unidas a favor da nossa tradição.

Gabriela Callai – CTG Tapera Velha – 9ª RT – A Semana da Paz Tradicionalista – criada com o objetivo de rememorarmos o Tratado de Paz de Ponche Verde e a busca da coexistência apesar das diferenças – ganha relevância especial neste ano. Após um período intenso permeado pelas eleições do comando do Movimento Tradicionalista Gaúcho, a data é propícia para respirarmos fundo e questionarmos: O que é, de fato, Paz? Como a maioria das coisas boas, Paz se inicia no respeito. Não só respeito pelo próximo, mas por si próprio. Respeito com a opinião, o argumento, as atitudes e surpresas apresentadas ao longo da caminhada. Respeito pelas consequências e resultados, ainda que em discordância. Respeitamos o que a vida nos oferece e acreditamos no sistema construído para amparar um Movimento íntegro, enraizado na ética e honestidade, confiando em dias cada vez melhores. A Paz reside no amor fraterno e companheirismo. Ganha forças no altruísmo, no pensamento em equipe. Permanece quando combinada com a gratidão. Tem sentido na recusa das vaidades pessoais em prol de um benefício coletivo, do bem maior. E é inabalável quando se torna paz de espírito. Ainda que nossa terra seja lavada pelas almas dos guerreiros, e nossa história escrita pelo sangue dos conflitos, sabemos a importância da Paz. Aliás, ouso dizer que é por ter visto tantas batalhas ao longo dos anos que o povo gaúcho entende perfeitamente o poder da Paz para uma nação, ao ponto de eternizar em forma de lei a sua celebração. Agora cabe a nós, tradicionalistas, exercitarmos essa ideologia em nossas entidades – não somente durante a Semana da Paz.

Ana Martina Wolmer – Minuano CTG – 28ª RT – Há 21 anos a Semana da Paz é comemorada em alusão ao Tratado de Ponche Verde, assinado em 1845 entre imperiais e farroupilhas, dando fim à Revolução Farroupilha e início há uma era de paz no estado. Compreendermos e aceitarmos que além de um momento dado e contado como glorioso foram dez anos de massacres, lutas e sangue derramado. A Semana da Paz vem como esclarecimento para aqueles que ainda pensam que os gaúchos e até mesmo tradicionalistas vangloriam a Revolução e a tem como causa. É um momento para refletir se nós como tradicionalistas estamos promovendo a paz no movimento, não durante essa semana, mas sim em todos os momentos, se a resposta for não, aí está uma oportunidade para promover a paz na sua entidade, região ou núcleo que pertence. O significado da palavra paz é “Relação tranquila entre cidadãos”, e nós estamos tendo uma relação tranquila entre tradicionalistas?

Dienifer Canabarro – Sociedade Gaúcha de Lomba Grande – 30ª RT – Esse período nos faz pensar ainda mais sobre o que nossos antepassados viveram em solo gaúcho, os ideais que os levaram à revolução. Atualmente vivemos em uma sociedade onde a violência está em alta, então é importante nesse período refletir sobre nossas atitudes como tradicionalistas e como cidadãos, nossos ideais, nossa moral, ética e, a cima de tudo a humanidade e igualdade.

Maria Eduarda Chiari Nunes – CTG Dom Luiz Felipe de Nadal – 7ª RT – Vivendo hoje, no século digital, quando muitas pessoas usufruem da internet, é notória a gama de manifestações, sejam elas políticas, sociais, raciais, ou religiosas. Cada manifestação traz consigo a força de um indivíduo ou um grupo, que divide os mesmos ideais e que possuem opiniões semelhantes, e que convivem com outros grupos, com opiniões adversas, gerando muitas vezes um ambiente de intolerância. Cada pessoa que se externa alguma manifestação deve ser respeitada. É necessário aprendermos cada dia mais provocando um análise interna em cada um, é necessário vivermos em uma sociedade que luta contra qualquer tipo de intolerância, preconceito ou discriminação. A paz se fez realidade em 1845; com dez anos de guerra é impossível sonhar sem idealizar um futuro onde todos tenham tolerância e respeito ao próximo. Que a Semana da Paz de cada um de nós nos proporcione uma reflexão interior sobre o quanto fomos e seremos agentes da paz e combatentes da intolerância. “A paz é uma grande roda humana, enquanto todos estiverem de mãos dadas, as armas estarão no chão”, já disse Tiago Bicalho.

Por Tuanny Prado
Fonte: Eco da Tradição

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