Centro regional preserva a cultura gaúcha em Rio Pardo

Tatiana Bonatto ressalta que todos os espaços do prédio são aproveitados com diferentes atividades durante toda a semana - Foto: Lula Helfer

O prédio que abriga o Centro Regional de Cultura Rio Pardo tem 136 anos de história, sendo considerada uma importante obra para a cultura gaúcha. Tombado pelo Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul no início da década de 80, foi restaurado entre os anos 2002 e 2005, com investimentos superiores a R$ 3,7 milhões – valor viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC). São mais de 1,8 mil metros quadrados e um total de 73 janelas, que hoje se mantêm abertas à comunidade, iluminando o desenvolvimento cultural, social e econômico regional.

Desde a entrega do imóvel revitalizado à população, convênios com esferas governamentais, empresas e instituições possibilitam a realização de projetos e a ocupação das salas para diferentes finalidades. Segundo a secretária do Centro, Tatiana Bonatto, os visitantes encontram a Biblioteca Pública Municipal, o Memorial do Exército, o Conservatório de Música, uma sala de exposições e parte do acervo do Museu Barão de Santo Ângelo. Além disso, são realizadas oficinas de balé clássico, dança solta, violão, artesanato, pintura em tela e informática, para crianças e pessoas da terceira idade.

Paralelamente, Tatiana ressalta que os espaços disponíveis são locados para realização de cursos, treinamentos e palestras, configurando-se como uma das fontes de renda para manutenção da estrutura. “Somente o auditório tem capacidade para cem pessoas”, ressalta. Quem deseja viajar no tempo e viver um pouco do passado nos dias atuais pode visitar o Centro Regional de Cultura Rio Pardo de segunda-feira a sábado, das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17 horas. Aos domingos e feriados, as portas ficam abertas das 14h30 às 17h30.

Prédio não é da Prefeitura

A secretária do Centro Regional de Cultura Rio Pardo, Tatiana Bonatto, ressalta que muitas pessoas ainda se confundem sobre a propriedade do prédio. Ao contrário do que muitos pensam, ressalta que a construção não pertence à Prefeitura. “O Executivo apenas cede funcionários e loca algumas salas para abrigar a biblioteca, o conservatório e o museu”, esclarece. Desde a década de 70, a estrutura pertence ao governo do Estado, que mantém um contrato de cedência com uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), formada por pessoas da comunidade, sem vínculos governamentais, que administram o Centro.

É esse grupo que busca os caminhos para manter as portas abertas e os espaços ocupados com atividades em favor da comunidade. Hoje, basicamente, as despesas são custeadas com a mensalidade de associados, as parcerias com a iniciativa privada e o aluguel das salas, como os espaços locados para a Prefeitura – existe, inclusive, uma lei municipal que prevê o repasse mensal dessa verba da Administração. Além disso, são buscados recursos em editais e projetos, a exemplo do que ocorreu em 2011, quando foram contemplados como Ponto de Cultura do Rio Grande do Sul. Hoje, ainda há uma parcela de R$ 75 mil a ser recebida desse programa.


Desde a década de 70, edifício tombado em 1983 pertence ao governo do Estado - Foto: Lula Helfer


A história em tópicos

  •     A Irmandade dos Passos resolveu, em 1846, construir em Rio Pardo uma Casa de Caridade, ao lado da Igreja dos Passos. O projeto em estilo neoclássico foi elaborado por Johann Martin Buff, o mesmo engenheiro que desenhou a primeira planta da cidade, em 1829;
  •     Em 1848, é lançada a pedra fundamental. As obras se arrastaram por 34 anos, movidas por doações da comunidade. O prédio foi concluído em 1882, mas, sem condições de equipar e manter a estrutura como um hospital, a Irmandade cedeu o espaço para as Tropas do Império;
  •     Passaram pelo edifício o 13o Regimento de Cavalaria, o Batalhão de Infantaria e o 3o Corpo de Trem. No ano de 1890, instala-se oficialmente a Escola Prática do Rio Grande do Sul, que até 1911 mudou duas vezes de nomenclatura. O período militar se encerra com a utilização do prédio pelo Sétimo Batalhão de Caçadores, em 1928;
  •     Em 1930, o prédio, então desocupado, é vendido para a Sociedade Educação e Caridade, que instalou ali o Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, escola de formação de jovens com orientação cristã. Em 1965, o colégio inicia a transferência de suas atividades para novas instalações;
  •     Em 1974, o edifício é doado para o governo gaúcho, que o interditou parcialmente em 1976. Em 1983, foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado. Na tentativa de salvar a história, em 1991 ex-alunos do Auxiliadora criaram a União dos Ex-alunos Amigos do Auxiliadora (Uneama);
  •     Foram dez anos de mobilização até que, em 2001, começam as obras de restauro do prédio, que passa a ser denominado Centro Regional de Cultura. Através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) repassou mais de R$ 3,7 milhões para execução da obra minuciosa, que se estendeu até dezembro de 2005.


Fonte: portal GAZ - A sua gazeta online
Para saber mais e ver a publicação original, clique aqui.
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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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