The Voice Kids e o pertencimento, por Ivo Benfatto*

Fato absolutamente fantástico foi protagonizado pelo pequeno grande Thomas Machado, gaúcho de Estância Velha, no alto de seus 9 anos,  ao vencer o programa televisivo The Voice Kids 2017, da rede Globo.  Thomas, em todas suas apresentações demonstrou, além de muito talento artístico, sua identidade cultural, vestindo, sempre, bombacha, lenço, guaiaca, que o identificaram,  em rede nacional,  como um guri gaúcho cantor, um brasileirinho que tem orgulho do seu lugar, da sua querência, do seu pago, do seu jeito de ser, que sabe cantar o Rio Grande mas também sabe cantar o Brasil. Assim como Thomas, nós outros, que nascemos  ou que temos o gauchismo como referência,  também temos muito orgulho em nos reconhecermos e sermos reconhecidos  como gaúchos,  uma forma peculiar de sermos, acima de tudo brasileiros, pilchados ou não. Diante de fato tão significativo, que comemoramos e aplaudimos, é momento para algumas reflexões.

A pessoa humana é essencialmente gregária. Portanto, precisa da companhia de outras pessoas para o seu  bem  viver,  o que não é tão fácil, diante da relação da busca de satisfação de vontades individuais na relação com as coletivas,  consideradas prioritárias como  objetivos comuns que unem e  favorecem a coesão interna dos  grupos sociais. Em razão da dualidade individual x coletivo, impõem-se ferramentas sociais que facilitem o convívio intra grupo dos indivíduos que precisam se reconhecer como iguais em direitos, mas também iguais em deveres.

Barbosa Lessa, em 1954, em sua  tese apresentada à plenária o 1º Congresso Tradicionalista “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo”, discorrendo sobre as razões do nascente  movimento em sua forma organizada, assim afirmou: “ para que o grupo social funcione como unidade, é necessário que os indivíduos que o compõem possuam modos de agir e de pensar coletivamente. Isto é conseguido através da "herança social" ou da "cultura".e acrescentou:“E graças à Tradição, essa cultura se transmite de uma geração a outra, capacitando sempre os novos indivíduos a uma pronta integração na vida em sociedade.” Portanto,  o pertencer a um grupo social, possibilita aos seus integrantes viverem amparados   por uma cultura social herdada ou assumida livremente. Seus componentes , ostentam orgulhosamente seus símbolos, conhecem e praticam suas ideias, crenças e valores comuns, e valorizam suas  raízes que se somaram e que possuem a mesma importância.

Cora Coralina, nos seu versos magistrais assim afirma “ Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas” . Thomas Machado, com seu cantar, com seu jeito menino de ser  tocou o coração de milhões de brasileiros e deu sentido ao seu jovem viver.

“Em qualquer chão, sempre gaúcho. .Pelo Rio Grande, pelo Brasil”
*Membro do Conselho Estadual de Cultura
Presidente da Comissão Gaúcha de Folclore


Fonte: Blog da Comissão Gaúcha de Folclore
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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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