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Aldeia dos Anjos faz história e se torna o primeiro CTG a apresentar espetáculo solo no Theatro São Pedro

40 bailarinos do CTG Aldeia dos Anjos se apresentaram com o apoio de oito músicos Marco Favero / Agencia RBS "Acredite na beleza d...

40 bailarinos do CTG Aldeia dos Anjos se apresentaram com o apoio de oito músicos
Marco Favero / Agencia RBS


"Acredite na beleza de seus sonhos e na capacidade de realizá-los". Uma das músicas do espetáculo Aldeia Pelo Mundo, do Aldeia dos Anjos, representa bem a emoção sentida pelos espectadores que presenciaram a primeira performance solo de um CTG no palco do histórico Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Do lado de fora, chuva. Do lado de dentro, no tablado, gotas de alegria refletidas nos rostos das prendas e peões.

Ao final de cada um dos 18 números apresentados pelo CTG de Gravataí, o público correspondia com aplausos. Era visível que o grupo vivia um sonho em cena, ao levar o tradicionalismo para o palco inaugurado em 1858. Um dos pontos mais altos foi a Chula, que prontamente levou boa parte do público de todas as idades - e balcões do teatro - a tirar seus smartphones do bolso para registrar um trecho.

Na performance de Sonhos de Liberdade, em que o Aldeia dos Anjos reflete sobre a abolição da escravatura e o seu impacto na sociedade, os presentes fizeram questão de aplaudir de pé. "Quero cantar a liberdade, esse meu povo tão sofrido...", diz um trecho da canção, que foi interpretada por Glau Barros.

O público sentiu o impacto:

— Assisti a várias apresentações pelo YouTube e esta foi a primeira presencialmente. Superou todas as expectativas. No número da escravatura, é incrível, você sente a força da Glau no palco. Essa apresentação é um passo importante para a nossa cultura, é uma conquista — acredita Lisete Silveira, que foi ao teatro acompanhada da amiga Suzana Dias.

Outros números surpreenderam pela riqueza de detalhes. Em Espantalhos, os bailarinos se alternaram com os bonecos de palha, assim como em Mulheres de Todas as Nações, acompanhadas de cortinas de seda e vasos clássicos. Tudo para tornar a experiência ainda mais marcante.

As letras das canções também conversam sobre diferentes aspectos da vida. Bastava os trechos "Liberdade não se compra, não se explora, nem se negocia..." começarem para o público bater palmas a cada final de frase. Por fim, para fechar o espetáculo, nada melhor que Amigo e o verso "a saudade é um castigo para quem fica e para quem vai".

Era noite de festa da cultura gaúcha, e a Aldeia dos Anjos tinha noção disso.

— Aldeia pelo Mundo é o que nos une para sempre. Somos todos nós. Gratidão — agradeceu o mestre de cerimônias, antes do número final.

Artista de verdade

Os 40 bailarinos do CTG foram acompanhados por uma equipe de oito músicos. No repertório, os números relembraram experiências e inúmeras viagens do CTG, como o Festival de Mallorca (na Espanha) e vitórias em festivais de folclore na Turquia, em 2015; na Itália, em 2016; e na Coreia do Sul, em 2017.

Uma das prendas em cena foi Patricia Souza Fraga, 29 anos, que está no grupo tradicionalista desde 2009. Ela já viajou com a companhia para festivais em países como Argentina, China, Turquia, Suíça e Bélgica. Mas nenhuma dessas experiências se aproxima da vivenciada nesta terça-feira:

— Estar no palco foi uma outra visão de arte. Me senti uma artista de verdade. O público veio mesmo para nos assistir, as luzes... não tenho palavras para expressar o que senti — confidencia.

Foram entre três e quatro meses de preparação para o espetáculo. Para o companheiro de palco Alex Fernandes, também de 29 anos, estar no palco do São Pedro é "o sonho de qualquer bailarino", mas a emoção é forte por estar em sua terra:

— O maior diferencial é ver pai, mãe na plateia, e até os veteranos do CTG. É a nossa casa, a gente se sentiu muito especial — acredita Alex.

Incentivo

Adriana e Alessandra Favero trouxeram a sobrinha Manoela, 12 anos, para prestigiar a apresentação. Segundo elas, a ideia é incentivar a pequena a criar gosto pela cultura gaúcha, já que as duas dançaram música regionalista na infância. Fazem questão de participar da Semana Farroupilha e sempre prestigiam os CTGs.

— Com passar dos anos, vemos a evolução das danças, das roupas - principalmente através das edições do Enart. Mas temos muita admiração, então sentimos um compromisso de vir na apresentação — detalha Adriana.

Para Donaria Machado Martins, a música regionalista faz muito sucesso "onde quer que seja". Por gostar de visitar festivais de música em outros Estados, ela conta que percebe uma atenção especial da música oriunda dos CTGs:

— Quando os gaúchos entram no palco, seguido de uma marchinha alemã então... é uma energia muito boa. Não tem para ninguém. Temos muito orgulho e precisamos preservar isso.

Para todos os entrevistados, é consenso: as escolas deveriam incentivar a propagação e o ensino da cultura tradicionalista, com oficinas e laboratórios, para que as novas gerações não percam a essência de ser gaúcho.

— A educação e as escolas deveriam fortalecer mais isso. É o grande caminho para tudo de bom que deve florescer — pontua Magda Martins.


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Fonte: GauchaZH

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