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Yangos: “A música gaúcha é nossa língua”

O Yangos, de Caxias do Sul, formado pelos músicos César Casara, Cristiano Klein, Rafael Scopel e Tomás Savaris, é um dos grupos referência da música instrumental feita no sul do Brasil. Em 12 anos de carreira, gravou cinco discos…



O Yangos, de Caxias do Sul, formado pelos músicos César Casara, Cristiano Klein, Rafael Scopel e Tomás Savaris, é um dos grupos referência da música instrumental feita no sul do Brasil. Em 12 anos de carreira, gravou cinco discos, um DVD, e tem levado o gosto musical e a cultura gaúcha para todo o mundo. Em julho, por exemplo, o Yangos esteve na Rússia, durante a Copa do Mundo, apresentando seu novo trabalho: Brasil Sim Senhor, que foi desenvolvido com apoio da Natura. Nesta entrevista, você conhece um pouco mais do trabalho do grupo.

Como foi a experiência na Rússia?
Foi diferente de todos os outros locais que já tocamos. Além do fato de estarmos representando a cultura brasileira em um dos maiores eventos esportivos do mundo, Moscou é um local muito emblemático para a história mundial.

Como surgiu a oportunidade?
Fomos selecionados pela BMA (Brazil Music Exchange), juntamente com o Ministério da Cultura. Nos últimos tempos, temos representado a cultura sulina em diversas regiões do país, bem como no exterior. Não tocamos somente em eventos ligados à cultura gaúcha, mas participamos dos mais distintos eventos. Creio que isso contribuiu para sermos vistos como representantes da música feita no sul do Brasil.

O que vocês apresentaram e por que este repertório?
Tocamos músicas autorais! As músicas da Yangos são baseadas em ritmos do Sul da América, como Chamamé, Chacarera, Vaneira, Milonga, Rasguido… Além disso, levantamos a bandeira da criação! Portanto, o repertório é de música regional autoral.

Como foi a agenda de trabalho?
Antes de irmos para a Rússia, fizemos alguns shows em Lisboa e Cascais (Portugal). Após, embarcamos para a Rússia, onde realizamos dois shows.

E a receptividade do público?
Ficamos muito felizes! Em média, 80% da plateia era russa e ver um povo que muitas vezes é levado como mais “sério” dançar e aplaudir fortemente nossa música nos mostrou mais uma vez que a música feita no Sul possui grande aceitação!

Como tem sido se apresentar no exterior, especialmente festivais?
Sobre nossas experiências internacionais, já passamos por Argentina, Uruguai, Colômbia, México, Estados Unidos, Portugal e Rússia, somente nos últimos dois anos. Não ficamos mais surpresos com a boa reação do público, pois nossa música sempre foi recebida com muito carinho e entusiasmo. Aonde vamos, temos a certeza de que a aceitação do público será grande. Sobre a participação de festivais, foi uma decisão estratégica. Porém, não tocamos somente em festivais de folclore e de música tradicional. Também tocamos em festivais de World Music, Festivais de Jazz, Festival de Rock, Festival de Blues, Festival de Música Underground, Festival de Música Nativista etc. A parte interessante é que sempre mantemos nosso repertório! Não o alteramos para nos “adaptar” aos eventos. E o motivo disso é simples: defender a música gaúcha como música mundial!

A música gaúcha como música mundial?
Qualquer estilo ou gênero musical que algum artista resolva tocar ou cantar possui uma origem: o jazz nasce nos EUA, o flamenco ganha sua força na Espanha, o samba é brasileiro, a música celta se origina em países como Irlanda e assim por diante. O interessante disso tudo é que qualquer um desses estilos musicais pode transitar livremente pelo mundo, basta estar ciente da finalidade que a música possui! As obras gaúchas também podem alcançar esse status (música do mundo), se o artista se posicionar com clareza sobre isso. Uma vez em que a função da arte é comunicar, quando essa função é realizada com clareza, há empatia e entendimento do ouvinte. A partir daí as barreiras se rompem e a obra artística considerada regional e “fechada” ganha outro patamar. Para Yangos, a utilização de ritmos gaúchos para compor se dá por esse motivo, pois nascemos e nos criamos ouvindo e tocando nossos gêneros musicais. Em outras palavras, a música gaúcha é a nossa língua ou nossa forma de comunicação. Com a utilização dos gêneros regionais gaúchos, levamos maior “verdade” naquilo que fazemos e, inevitavelmente, o público reage de forma positiva. E nós ainda possuímos uma vantagem: trabalhamos com música instrumental, ou seja, nossa forma de linguagem é 100% compreendida! Não há no mundo outra maneira de linguagem que podemos considerar ser tão universal quanto a música instrumental. Quando tocamos nossos ritmos, nossas músicas autorais, cada músico se expressa livremente da maneira em que a música o sensibiliza. Tocamos de forma alegre, pois fazemos o que amamos e a maior preocupação da banda é passar para o público o que sentimos no momento em que tocamos. A comunicação vai existir e, a partir daí a música passa a ser feita para o mundo!

O que significou pra vocês terem sido indicados para o Grammy latino?
A indicação possibilitou que nossa música fosse para os mais distintos palcos pelo mundo. É uma afirmação que nossa música pode ser ouvida e apreciada mundialmente.

O tradicionalismo gaúcho impacta, influencia, o grupo Yangos?
Yangos trabalha suas músicas sempre com o pé no regionalismo! Os ritmos são aqueles que aprendemos a tocar dentro do Movimento. Três dos quatro integrantes do grupo se conheceram dentro do Movimento Tradicionalista e nosso respeito pelo MTG é gigante. Temos a exata noção de que somos fruto de nossas experiências e, como convivemos muito dentro de CTGs, somos muito gratos a tudo que o Movimento nos proporciona até hoje!

Qual a diferença de se apresentar para o público gaúcho e para o público não gaúcho?
Os ritmos que utilizamos são bastante comuns para o “ouvido” gaúcho, está no sangue das pessoas. Quando tocamos para o público que não é gaúcho, ele percebe a verdade naquilo que fazemos e instantaneamente se torna curioso quanto ao estilo. Hoje, pelos números que temos nas plataformas de streaming, como Spotify, percebemos essa curiosidade pelo “povo de fora”. Em média, 70% dos nossos ouvintes não são gaúchos e, metade deles, sequer são brasileiros.

Entrevista para Sandra Veroneze
Fonte: portal do Jornal Eco da Tradição

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