Tropeirismo - Tema dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul 2018


Tropeiro - Jean Baptiste Debret,(1768-1848)


O papel do tropeirismo na formação do Rio Grande do Sul

O Tropeirismo foi fenômeno histórico que atravessou o Brasil Colônia, depois de passar pelo Império e chegar até a República. Ele sinalizou contornos fundantes e basilares da sua formação social, mais evidentes e determinantes no século XVII, tempo da arrancada da colonização portuguesa no espaço sulino (1737 – chegada do Brigadeiro José da Silva Paes).

Segundo a professora Véra Lucia Maciel Barroso, o Tropeirismo tem momentos diversos que podemos classificar como:

A) TROPEIRISMO NO SÉCULO XVII - O PRIMEIRO: Em duas vertentes no âmbito regional.



É desta primeira corrente do tropeirismo, deste ciclo (do século XVII), voltado para a vacaria do mar, a atuação do padre Cristóvão de Mendonça que, a contar de 1634, trouxe, de Corrientes, tropas de cabeças de gado vacum e equino para as reduções jesuíticas (As da 1ª Fundação – dos 18 povos, entre 1626 e 1641). Essa ação animou a constituição de rebanhos nas comunidades missionadas, situadas nos vales baixos dos rios Ijuí e Piratini e nas áreas médias do Ibicuí e do Jacuí. Para tanto, foram abertos caminhos para o transporte de gado vacum, cavalar, asinino, muar, etc., processo interrompido pela ação bandeirante.

Paralelamente, acontecia outro tropeirismo de ‘gado-em-pé’, promovido pelos índios jarós e charruas – “os índios cavaleiros”, especialmente de cavalos e mulas, trazidos de Entre Rios, na Argentina, para o sul do rio Ibicuí (indo para as pradarias sulinas e a área da banda oriental).

B) O Tropeirismo do seculo XVIII - Em quatro fases, sendo a última a do comércio de mulas com o centro do Brasil;

1ª - Tropeirismo guarani da Vacaria dos Pinhais: Entre os matos português e castelhano – áreas da grande Vacaria e grande Lagoa Vermelha. Em picada aberta, conduziam tropas em direção aos 7 povos das missões. Fase sustada com a vinda dos paulistas.

2ª - Tropeirismo Castelhano da Vacaria do Mar: voltado às campanhas do RS e Uruguai. Conduziam tropas para as estâncias e postos dos guaranis, como fizeram no séc. XVII. Contra essa prática dos índios manifestaram-se os tropeiros de Buenos Aires e de Santa Fé, e, também, lagunistas que ali se abasteciam.

3ª - Tropeirismo Litorâneo dos Lagunistas: É o da busca do gado na Vacaria do Mar pelo litoral. Também incursionavam campo adentro, na altura de Jaguarão e Camaquã, de onde iam para laguna. É dessa fase a frota de João de Magalhães que fomentou invernadas e estâncias.

4ª – Tropeirismo Paulista Pelo Planalto Oriental (Serra Geral do RS) com largos resultados e repercussões: Caminho dos conventos (Souza Faria em 1727/8);

E de seu melhoramento, em1732: é o caminho de Viamão ou de Cristóvão de Abreu, via Guarda Velha, em direção à serra e ao centro do Brasil – SÃO PAULO

O alvo da 4ª fase foi a mula: Ouro Ambulante.

É a mercadoria que tinha condição de trânsito de longa distância.

Vinha do norte da argentina, passando pelo litoral uruguaio, depois pelas capitanias do sul do brasil até São Paulo, onde os mineiros a compravam para transporte nas minas gerais.

É com esta fase do tropeirismo do século XVIII que se inicia um capítulo novo da história do Brasil, através da incorporação do extremo-sul, como uma das decorrências do ciclo do ouro, em pauta no centro da economia colonial lusa. O tropeirismo passou a subsidiar as relações inter-regionais nesse processo.



C) TROPEIRISMO: Do final do século XIX e do século XX

Não foi um episódio político que inaugurou o RS, mas sim, o comércio da mula, através do tropeirismo praticado a contar do século XVIII, atravessando para o XIX: animando a fixação (os arranchamentos).

No século XIX, a ocidentalização do tropeirismo de mulas promove o avanço para o oeste. outro destaque: gradativamente ocorreu a passagem da mula mercadoria “em pé”,  para a mula cargueira – transportadora de mercadorias.


Fonte: blog do Rogério Bastos

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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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