Foto: Divulgação

Não passa um ano que não se escute reclamação de avaliadores nos rodeios ou festivais.


Algumas vezes os grupos até podem ter razão, mas na grande maioria são pontos de vista diferentes, de pessoas diferentes.

Sobre o assunto, Paixão Côrtes escreveu ainda em 2001, no livro "Danças e Dançares ausentes no atual Tradicionalismo".

É importante deixar claro que não estamos querendo dizer isso ou aquilo sobre comissão de um Festival ou de outro, e sim, darmos também espaço para tratar de um assunto que normalmente é visto com maus olhos pela maioria da gauchada que dança.

Quem nunca ouviu por aí:
 
- "É tudo política!"
- "Avaliador são tudo comprado..."
- "Só ganha os amiguinho do fulano..."
 
Não buscamos de forma alguma denegrir a imagem de qualquer avaliador que seja, muito pelo contrário, sabemos o quanto é complicado a posição que exercem, e que na verdade sem eles, não haveriam os rodeios e festivais. Apenas estamos trazendo alguns pontos importantes a serem observados tanto por quem está começando a avaliar quanto por quem já é "macaco velho" na lida.
 
E nesse contexto, que buscamos algumas observações de Paixão Côrtes:
 
"Jurado que não for cônscio da importância do enroupar típico, na dança regional, será mais um dos tantos, no contexto de julgamentos infundados... Não lê; não documenta, e muito menos, escreve e preenche uma ficha de avaliação de um Concurso, com critério. Vive do ócio, do NADA!"
 
Ou seja, tem que estudar muito! Já não é fácil "chegar lá" e ser avaliador, mas deve se manter em constante aprendizado.

"É jurado de um livro só, que num julgamento, puxando tal publicação às mãos, discute de forma intranquila junto aos demais avaliadores, e na própria mesa de jurados, suas incertezas, numa triste postura pública de incompetência."
 
Muitas vezes se percebe a dúvida durante a avaliação, e aí se faz valer o estudo de cada um. Dúvida se viu ou não, aí é coisa de cada um...
 
"É só lastimar, lastimar... Também os "palpiteiros" que andam soltos por aí e não passam de "eu acho isto", "eu acho aquilo"... São os conhecidos "achistas" da querência que se louvam só de evasivas! Não enxergam os destacados valores subjetivos que a dança oferece à interpretação e que devem ser avaliados e ajustados aos qualitativos das demais facetas artísticas do tema.
 
Vêem, mas não enxergam..."

E falando sobre ÉTICA e CARÁTER, seguimos:

"É imprescindível que o caráter de cada jurado, esteja livre de "corporativismo comadresco" ou de eventuais "paixões tendenciosas" que ferem a idoneidade dos que trabalham com seriedade às danças e que agridem a inteligência dos que têm elevados princípios de honestidade.
 
O ajuizamento deve estar alicerçado em fundamentação, discernimento, equilíbrio e consciência do que é o Puro; da autenticidade da nossa Arte Nativa Campestre, e que, ao final, tenha o avaliador, a postura de um jurista, de um magistrado, evitando sair bancando o "bonzinho" para este ou aquele grupo, ou com informações veladas de companheiro de julgamento, que discordou do seu ponto de vista."
 
Não sei se alguém já tinha lido algo parecido, mas vindo de Paixão Côrtes com certeza é de se pensar muito sobre o assunto.
 
Por que teria ele, em determinado momento, parado para escrever tudo isso? Por nada com certeza não foi, e olha que ele nunca foi dançarino de Invernada que concorreu em rodeios, e sim, Avaliador.

E para finalizar:
 
"Num rodeio, julgador que se presa, não conceitua o que julga pela ótica do que inconscientes e desabonados culturais chamam impropriamente de "estilo" ou de "linha" (linha do fulano, estilo desta ou daquela organização). Em nossa publicação "A Moda" (Paixão/Marina), já definimos o que é Estilo."
 
"A um avaliador, se requer, competência à área musi-coreográfica; bom senso; estética; eficácia de critério e desenvolvimento intelectual, e não se pode pensar, simplesmente em cargo celebrativo, para alimento de uma vaidade chula..."


Fonte: portal Estância Virtual
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