Foto ilustrativa

Há um ano atrás conversei com a cantora Shana Muller em um café por cerca de uma hora. Nossos assuntos permearam basicamente o fazer artístico e o que tem de ação política nisto. (Falo aqui política enquanto indivíduo vivendo em coletividade, não política partidária). Discordamos muito, mas nos respeitamos.


Um ano depois Shana diz que compreendeu alguns pontos de vista que carrego e propago há algum tempo como musicista e pesquisadora sobre o machismo na música gaúcha. Cada um tem um tempo. É difícil sair da teia das construções sociais, e dos entendimentos culturais criados muitas vezes por manipulação e interesse de exploração, seja de gênero ou de classe. Mas ela compreendeu e escreveu. Graças a sua posição está sendo propagado em mídia de grande dimensão.
O texto de Shana é revolução!
Estudamos, buscamos fontes, dialogamos, buscamos formas de desconstruir pensamentos cristalizados, praticar o pensar, exercitar o refletir, o problematizar das coisas, não apenas aceitar, e ainda em como comunicar nossas descobertas, por isso a criação do blog GAUCHISMO LÍQUIDO. Mesmo assim podemos ser atacados por qualquer pessoa no facebook, como fui hoje pelo intitulado "repórter farroupilha" Giovanni Grizotti, causando comentários desrespeitosos e até mesmo intimidadores, afinal como diria Tom Zé: "Com quantos quilos de medo se faz uma tradição?" (Senhor Cidadão).
Sei que mexer com bases culturais é muitas vezes conflitante, mas vamos pensar juntos, e mudar, porque assim não tá legal, basta ver as formas que a mulher é (re)tratada na nossa sociedade, nas artes e na vida real.
No ambiente gauchesco ainda estamos "lejos" da igualdade. Toquei por uns dez anos no nativismo e no tradicionalismo, sei do que to falando. Sei que incomoda porque muitas vezes essas atitudes vem de amigos próximos, colegas de trabalho, até de artistas que admiramos!
Sobre o poema "Como fazer o gaúcho", que soou ofensivo a Grizotti, explico: levantei essas mesmas questões diversas vezes com uma escrita acadêmica em meu blog, sobre a construção do mito do gaúcho que diversos pesquisadores já cansaram de falar (Juremir Machado, Tau Golin) mas veja que somente quando experimentei outra forma de linguagem, neste caso a poética, é que consegui tocar em quem talvez devesse ler. Caso não tenha ficado claro, escrevi com tom de humor em alusão ao gaúcho deveras estereotipado que participou do programa Mastercheff, o que só mostra a pausterização da cultura gaúcha e a exploração dessa imagem em rede nacional.
Registro aqui que achei a citação de Grizotti a mim desrespeitosa, nem o conheço, e sugeri que o mesmo compartilhe meu posicionamento como direito de resposta neste tribunal que é o facebook, pela ética e continuidade do bom debate.
Para finalizar, Grizotti usa o argumento de que nas músicas gaúchas as mulheres são chamadas "prendas, morenas e bonitas"e isso não ter problema. Isso só nos mostra que ainda temos muito a conversar...
Não queremos essa objetificação (prenda = adereço, presente do peão), nem esse assédio, não precisamos de sua aceitação, nem de sua "credibilidade".
Começamos uma era onde a mulher pode falar por si.

Postaremos ainda hoje o texto completo da Shana Müller.


Fonte: blog Gauchismo Líquido

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