O convite emocionou o gaiteiro. Aos 74 anos, Nésio Alves Corrêa, o Gildinho, líder do grupo Os Monarcas, coleciona prêmios e honrarias recebidas ao longo de 45 anos de carreira. Mas, esta semana o convite para ocupar uma das 40 cadeiras da Academia Erechinense de Letras bateu forte no coração do mestre, que não imaginava receber presente tão especial.

A vice-presidente da Academia, Alba Albarello, disse que a escolha do nome aconteceu porque “Gildinho é uma pessoa especial, é um artista, é culto é um músico incrível”.

Gildinho ocupará a cadeira 31 da Academia Erechinense de Letras, como músico. A homenagem será no dia 30 de agosto, às 19h, na Câmara de Vereadores de Erechim.

O Imortal

Nésio Alves Corrêa (Gildinho) nasceu no interior de Soledade (RS), no dia 18 de janeiro de 1942. Foi criado numa família humilde e numerosa. Morava no campo, ajudando os pais nas lidas campeiras. Muito cedo ficou órfão de pai e aos 15 anos já arranhava uma gaita nos saudosos bailes de candeeiro para onde ia sempre a cavalo. A sua primeira acordeona foi comprada em troca de duas cabeças de gado e uma guaxa.

Em 1961, Nésio deixou a família, a vida no interior de Soledade e foi embora para Erechim (RS), em busca do sonho de se tornar músico profissional. Lá conheceu amigos e iniciou a sua carreira tocando nos programas de rádio de auditório, como o “Amanhecer no Rio Grande”, pela Rádio Difusão, e mais tarde, o programa “Assim Canta o Rio Grande”, pela Rádio Erechim. E foi no rádio, devido ao seu favoritismo pelas músicas de Gildo de Freitas, que recebeu o nome artístico de Gildinho.  Com a audiência dos programas, Gildinho começou a animar pequenos bailes na região.

Em 1967, convidou o irmão caçula, Chiquito, para deixar o campo e fazer carreira com ele. Nascia, então, a dupla “Chiquito e Gildinho”, o embrião do grupo Os Monarcas. Foram anos de muita dificuldade, tocando em pequenos bailes. Gildinho ingressou na Escola de Belas Artes, em Erechim, e começou a profissionalizar-se.

O primeiro disco da dupla “Chiquito e Gildinho” foi gravado em 1969 e foi uma decepção para os músicos, que pensaram muitas vezes em desistir da carreira. A persistência fez com que, em 1972, fosse decidido transformar a dupla em conjunto dando início ao grupo Os Monarcas.

Juntaram-se a eles João dos Santos, Luiz Carlos Lanfredi e Nelson Falkembach. A partir de então, Gildinho passou a liderar um dos grupos que se tornaria mais tarde uma referência na música tradicionalista gaúcha. De ritmo animado, marcante, a música fandangueira do grupo passou a conquistar admiradores e ficar conhecida como “O tranco d´Os Monarcas”.

Os Monarcas é um dos poucos conjuntos que preservam a autenticidade da música tradicionalista gaúcha e também de maior longevidade. O grupo, em 40 anos de carreira, conquistou importantes prêmios, como a Medalha do Mérito Farroupilha oferecida, em fevereiro de 2012, pela Assembleia Legislativa do RS, e que significa para o líder d´Os Monarcas, Gildinho, uma das maiores distinções que um gaúcho pode receber.

Além disso, o grupo foi agraciado com cinco discos de ouro e um DVD de ouro; e gravou 38 trabalhos. No entanto, a maior conquista tem sido manter a formação com um grupo sólido e talentoso, com artistas implacáveis. A cada etapa da carreira, a família Os Monarcas aumenta o número dos integrantes e mostra porque está entre os maiores grupos de música tradicionalista gaúcha.

Em maio de 2005 o grupo realizou uma turnê nos Estados Unidos para encontrar gaúchos saudosistas e também mostrar aos norte-americanos a música tradicionalista do Sul do Brasil. Os Monarcas apresentaram-se no Clube Lido, em Revere (Boston) e no CTG Distante da Minha Terra, em Newark (Nova Jersey).

Em 2011, Gildinho foi homenageado especial da Feira do Livro de Erechim, e em 2013, foi escolhido como Patrono dos Festejos Farroupilhas do Rio Grande do Sul.

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Mais informações: Alba Albarello / Vice-presidente da Academia Erechinense de Letras  / (54) 3321.1518


Grande abraço!

Daiana Silva
Jornalista
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