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O Movimento Tradicionalista Gaúcho é para todos?

O Movimento Tradicionalista, que deu seus primeiros passos lá nos idos de 1947, iniciou-se sendo basicamente um levante masculino. De p...



O Movimento Tradicionalista, que deu seus primeiros passos lá nos idos de 1947, iniciou-se sendo basicamente um levante masculino. De primeira, apenas os homens participavam das reuniões e decisões. Somente dois anos depois, em 1949, ocorreria a primeira reunião da invernada das prendas.

Por essa época também, geralmente mais no interior, as entidades tradicionalistas não eram de todo receptivas. Existiam em algumas cidades o CTG dos “brancos” e o dos “negros”, onde um não poderia entrar no do outro.

Com o passar dos anos, a sociedade como um todo passou a ser mais tolerante, e essas divisões deixaram de ser tão evidentes. Dentro do Movimento, podemos encontrar patrões, patroas, de diversas descendências, pois o Rio Grande do Sul foi criado a partir da colonização de diversos povos que para aqui vieram (com os mais variados objetivos).
Na atualidade em que vivemos, tendo uma pluralidade tão grande de pessoas, com distintas raças, credos, orientações sexuais, e até mesmo aquelas com algum tipo de deficiência, o Fala Tchê quis saber: o MTG é para todos?

José Valdir Correa Junior – CTG Tríplice Aliança – 4ª RT – 3º Peão Farroupilha do RS 2018/2019
“Antes de responder essa pergunta precisamos organizar alguns pontos. Basicamente o tradicionalismo perpetua-se até hoje devido ao Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG, sendo este uma instituição associativa com o intuito de preservar, divulgar e cultuar as nossas tradições. E o MTG se mantém e se manterá por muitos anos em virtude dos seus filiados e de todos nós tradicionalistas que fizemos parte desse grande movimento. Dessa forma, quando falamos do MTG enquanto federação, atos de discriminação, intolerância e preconceito são práticas que não são aprovadas e apoiadas. Porém, assim como na sociedade, o MTG faz parte desta como uma parcela, então as coisas que acontecem lá fora com certeza se refletem dentro do movimento, pois afinal de contas ele é formado por pessoas e que infelizmente perante o século XXI ainda existem manifestações discriminatórias e que estão longe de se findar. Sendo assim, ao perguntar se o tradicionalismo é para todos, eu tenho certeza que sim, pois assim como eu, temos tradicionalistas que lutam por esta causa e que ao longo do tempo estamos caminhando para poder abraçar todo o tipo de inclusão e aceitação em toda sua pluralidade. Entendo que a caminhada é longa, mas o que não podemos é parar e deixarmos de evoluirmos. Precisamos ser otimistas e ser o exemplo para cada vez mais agregarmos pessoas para dentro do nosso movimento e assim fortalecê-lo. Pois quaisquer atitudes de discriminação são referentes a alguns tradicionalistas e não à instituição, e essas pessoas não representam nosso tradicionalismo, que é fundamentado com princípios e valores, dos quais o respeito é um dos de maior valor. Sabemos que o MTG possui regras, regulamentos, documentos que o acompanham por muito tempo, e esses são aprovados em Congressos e Convenções Tradicionalistas onde todos que fazem parte podem participar e contribuir debatendo e analisando as proposições, então devemos respeitá-las e cumpri-las. O que não podemos permitir é que em nosso meio seja um espaço onde pensamentos diferentes, a liberdade de expressão e as diferenças entre as pessoas seja algo a desvirtuar o nosso movimento; pelo contrário tem muito a engrandecer. Pois não é a sexualidade, cor da pele, gênero, religião ou a limitação de uma pessoa que vai defini-la enquanto sua personalidade ou caráter. Precisamos de um MTG mais plural, mais negro, mais feminino, mais para todos. Vivemos em uma sociedade culturalmente machista, heteronormativa e eurocêntrica, não podemos ser mais um ambiente que cultua essas características. Sejamos mais humanos e tolerantes para realmente trabalharmos e nos aproximarmos da sociedade como agentes transformadores, diminuindo os conflitos e oportunizando um ambiente agregador que abraça as diferenças, sem a necessidade de abrirmos mãos de nossos princípios e valores fundamentais. Ponhamos em prática nossos preceitos como nossa Carta de Princípios menciona em uns dos seus itens: “I – Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo”; “IX – Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade”, e não permanecemos apenas em palavras, discursos ou folhas de papel. Vamos caminhar para um bem coletivo, onde todos que acreditam e lutam por um verdadeiro MTG para todos possam contribuir e continuar fazendo a nossa história. Vamos olhar para o lado, nos darmos as mãos e continuar na luta, ninguém solta.”

Juliane Cardozo Rigão – CTG Sentinela da Querência – 13ª RT
“Em tese o tradicionalismo é para todos, porém incluir todas as pessoas é uma tarefa que demanda muito além de teoria. Na realidade o Movimento Tradicionalista caminha, a passos lentos, em busca de um ambiente inclusivo, pois quem inclui e quem é incluído ainda convive com quem exclui. É visível que ainda há exclusão de várias pessoas, como mulheres, negros, homossexuais, deficientes etc., principalmente por parte da comunidade mais experiente e que na maioria das entidades são os tomadores de decisão. Cabe aos jovens o maior engajamento não apenas em questões culturais, mas também nas questões que digam respeito ao convívio em sociedade em geral e no dia a dia das suas entidades, pois mentes inclusivas fazendo parte da tomada de decisão auxiliam na transformação de uma sociedade que ainda é exclusiva. A inclusão não pode ser um diferencial do tradicionalista, deve ser tratada como um traço da personalidade do mesmo, assim como tantos outros traços.”

Micheline Fetter da Silva – CTG Pedro Serrano – 30ªRT
“O tradicionalismo inclusivo se fundamenta no reconhecimento, valorização e de lutarmos pelos nossos direitos humanos de liberdade, igualdade e humanidade, como está no artigo 9º da nossa Carta de Princípios, sendo uma característica certa à constituição de qualquer sociedade. Partindo desse princípio, falar de inclusão social é remeter ao seu inverso, a exclusão social, o dever de garantir o acesso e a participação de todos, a todos as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada um. O paradigma é que ainda encontramos muitas dificuldades e desafios a enfrentar, como acesso aos CTG e eventos, temas a serem trabalhados, cargos preenchidos, diferenças históricas e sociais, formas de adaptação para portadores de deficiência em variadas atividades, entre outros. Precisamos unir esforços, romper as barreiras do preconceito e democratizar os diferentes espaços para aqueles que não possuem acesso direito a eles. Buscar a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, conforme artigo 4º da Carta de Princípios. Pois tradicionalismo serve-se do respeito, da educação, dos valores morais, da diversidade, do amor, do bem coletivo, da voz de movimentos feministas, raciais, grupos homossexuais, de religiões, portadores de necessidade especiais etc. Alguns trabalhos vêm sendo realizados nesses últimos anos, novas temáticas e questões vêm sendo levantadas dentro do tradicionalismo com o intuito de envolver e torná-lo para todos. Porém, é preciso avançar ainda mais.”

Por Tuanny Prado
Fonte: jornal Eco da Tradição

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