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Ítala Nandi apresenta longa Domingo no Festival da Fronteira

Atriz gaúcha é uma das protagonistas do filme rodado em Pelotas e exibido em Bagé, pela primeira vez no Sul do País ANA PAULA RIBEIRO/D...


Atriz gaúcha é uma das protagonistas do filme rodado em Pelotas e exibido em Bagé, pela primeira vez no Sul do País
ANA PAULA RIBEIRO/DIVULGAÇÃO/JC

Caroline da Silva, de Bagé

No mesmo dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sua primeira entrevista desde que foi preso, sua voz também teve eco no longa Domingo, exibido no 11º Festival Internacional de Cinema da Fronteira, em Bagé, na noite de sexta-feira (26). A trama dirigida por Clara Linhart e Fellipe Barbosa (este do premiado longa Gabriel e a montanha, de 2017) se passa no primeiro dia do ano de 2003, quando Lula toma posse na presidência do Brasil, e a produção reprisa trechos do evento televisionado, dando destaque a trechos do discurso do então presidente.

Domingo foi filmado em novembro de 2017, inteiramente em Pelotas, na Região Sul do Estado, tendo no elenco grandes nomes: Camila Morgado, Clemente Vascaíno, Augusto Madeira, Ítala Nandi, Martha Nowill, Chay Suede e Ismael Caneppele. Quem veio à Fronteira defender o forte título em competição na mostra de longas internacionais (com produções brasileiras, uruguaia, mexicana, portuguesas e moçambicana) foi a gaúcha de Caxias do Sul Ítala Nandi.

Com 32 filmes no currículo e atuação com os cineastas mais emblemáticos do Brasil, a diva da televisão e do teatro nacionais dá um show na tela e fora dela. Calçando um All Star botinha e as mãos cheias de anéis (um deles parecendo ter esmeraldas), ela fala da trajetória e da idade sem receios. Diz ter 77 anos, quando só vai completá-los em 4 de junho. Viveu na Serra até os 16 anos, conviveu com a geração do Clube de Cinema de Porto Alegre e depois, no início dos anos 1960, foi para o Centro do País.

Em Bagé, está acompanhando toda a programação do evento. Ela até se emocionou com a beleza e força da narrativa de uma produção concorrente à sua, Our Madness (Moçambique/Portugal), de João Viana. Também teve uma conversa com o público na Casa de Cultura do município e autografou seus livros. Hoje, além de continuar atuando, ela é escritora, diretora e educadora em uma escola teatral.

Pela sua atuação em Domingo, a artista levou o troféu de melhor atriz no último Festival do Rio. A instigante e cômica obra, uma crônica de costumes familiares, em que interpreta uma decadente matriarca burguesa, é uma coprodução com a França, teve sua estreia no Festival de Veneza em 2018 e, desde então, está circulando pelos festivais. Trata-se de um retrato irônico de uma elite em ruínas, que se mantém de falsas aparências em uma casa – que também é personagem do filme – literalmente em ruínas, na beira de um arroio, criando ovelhas.

Essas características todas conversam com a ideia de “Fronteira” à que o festival tanto alude. Outro ponto interessante neste sentido é que a narrativa é costurada pela canção Solamente una vez, de Agustín Lara. Essa ideia desde o início esteve presente no roteiro, e o próprio diretor deu à Ítala a oportunidade de escolher a música, pois ela teria que interpretá-la. Dizem os versos: “Una vez, nada mas/ en mi huerto brillo la esperanza/ la esperanza que alumbra el caminho/ de mi soledad”. O que é o ser humano se não um indivíduo lutando para romper a fronteira da solidão, em busca de esperança que sanem suas angústias existenciais?

Sobre Domingo, a atriz afirmou: “É um filme que tem representatividade brasileira e se transformou em um filme histórico”. Ela ainda disse estar muito feliz de vir a Bagé mostrar o título e que gostaria de parabenizar o festival, a escolha dos filmes, “porque é muito importante que a gente traga o cinema para a cultura nacional. Não podemos esquecer que os Estados Unidos conquistaram o mundo com o cinema, quem sabe possamos fazer o mesmo daqui a pouco? Que este atual governo compreenda a importância que existe no cinema brasileiro”.

Ítala ainda fez um paralelo valendo-se de sua experiência na filmografia do País: “Eu fiz muitos filmes com diretores do Cinema Novo, conheci e entendi aquele período nacional e internacionalmente. Gostei muito de trabalhar com esta dupla atual, jovem, e diria que eles são o Novo Cinema Novo. Eles são muito bons”.


Fonte: Jornal do Comércio

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