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“Eu diria que somos heróis, que somos teimosos; mas alguém tem que fazer parte, ser a resistência”

Érlon Péricles é músico, cantor e compositor missioneiro, natural de São Luiz Gonzaga. Também trabalha na área da produção musical, dirig...

Érlon Péricles é músico, cantor e compositor missioneiro, natural de São Luiz Gonzaga. Também trabalha na área da produção musical, dirigindo e produzindo gravações de CDs, trilhas e jingles.

Em 2018 completou 30 anos de carreira dedicados à criação musical gaúcha, sendo presença constante em shows, rodeios, festivais, CTGs… É ganhador do Prêmio Açoriano de Música por quatro vezes e autor do tema dos Festejos Tradicionalistas por nove edições. É considerado um dos compositores mais versáteis de sua geração, fazendo desde a música campeira até trabalhos de projeção folclórica, dentro da universalidade da cultura gaúcha. Até o momento, são dez CDs e um DVD. Um dos destaques de sua carreira é o projeto Aventuras da Terra Gaúcha, voltado para o público infantil. Nesta entrevista, Érlon Péricles fala de sua trajetória, conquistas, sobre o desafio de fazer música gaúcha e mais. Confira.

Você é um dos principais compositores de temas para os Festejos Farroupilhas. O que esse trabalho significa para você?
Cantar a nossa terra, seus feitos e suas glórias, nosso orgulho e nossa história é sempre uma alegria e uma oportunidade de mostrar um pouco mais do meu trabalho! Sou um compositor versátil e sempre gostei de desafios e os temas específicos são um convite ao exercício da composição! Então lá se vão nove temas farroupilhas, algumas parcerias no começo e atualmente tenho feito letra e música!

Como é seu processo criativo? Tem alguma rotina ou é mais espontâneo?
No caso dos temas farroupilhas, os temas já nos levam à pesquisa do assunto, a interação dos tópicos propostos e a gente procura, digamos assim, “poetizar” a informação! No caso de outros temas, eles surgem no dia a dia, às vezes tomando um mate, às vezes caminhando na rua, não tem hora. A gente tem que estar atento ao “canal da criação”, que não tem hora para acontecer. Eu faço música há mais de trinta anos, então esta experiência me leva a estar sempre preparado para quando a inspiração vier. Mas o exercício da composição é sempre necessário, independente de inspiração. Ele tem que estar como prioridade na minha pauta diária. Eu recebo letras para musicar. Volta e meia estou com violão buscando uma melodia, pensando num refrão. Esse é meu processo criativo.

Quantas composições, até o momento, você já desenvolveu?
Eu tenho em torno de 700 gravações registradas. Minha discografia é composta de dez CDs e um DVD. Além disso, tem muitas músicas gravadas nos CDs de festivais ao longo de trinta anos de carreira, além de gravações com cantores, grupos regionais e grupos de baile.

Tem alguma composição que seja da sua preferência?
É difícil escolher canções preferidas. Cada uma é uma história, uma emoção diferente! Mas tem algumas que se destacaram mais, não sei por quê… E elas levam o meu trabalho mais adiante, isto é importante… É o caso do “Diário do Fronteiriço” e do “Rio Grande Tchê”, duas canções que o povo conhece bastante, além dos últimos três temas farroupilhas, que tiveram clips no YouTube e isso fez a diferença.

Há um bom tempo você desenvolve um projeto voltado para crianças. Qual o objetivo?
O projeto infantil “Aventuras da Terra Gaúcha” existe desde março de 2017. Hoje é um espetáculo requisitado em escolas, feiras de livro, espaços educacionais, CTGs. E é uma alegria levá-lo aos pequenos! O trabalho com crianças é sempre surpreendente, inovador e criativo. Como iniciativa, acho que não existe outro igual. Nosso repertório, além de trazer canções educativas sobre folclore e tradição, ainda mostra um pouco das nossas principais datas comemorativas e valoriza nossa cultura rio-grandense! Nosso objetivo é expandir cada vez mais esse projeto. O ideal seria que ele pudesse ser incorporado de alguma forma às escolas pela Secretaria de Educação do Estado, que entrasse como material para sala de aula, que os professores pudessem trabalhar todo o ano com ele, ensinando as canções, refletindo sobre os temas com os alunos, enfim, dando uma iniciativa cultural sobre a história e os costumes da nossa terra. Isto é um sonho, mas quem sabe algum dia se torne realidade…

Qual sua maior satisfação, enquanto músico tradicionalista?
Esta expressão “músico tradicionalista” me soa um pouco estranha, limitadora! Penso que o compositor e artista que eu acho que sou está um pouco mais além! Em trinta anos de carreira já fiz de tudo um pouco, músicas de muitos estilos, jingles, produções de trilha, enfim! Mas claro que, com certeza, o “músico tradicionalista” é uma parte da minha composição musical que deu muito certo! As canções temas ajudaram para isso. Eu também já fui músico de invernada artística e tenho desde pequeno uma ligação com o tradicionalismo. Então, embora o compositor não tenha limites para criação, a carreira como cantor destacou a minha origem campeira. Por isso prefiro dizer “músico regional”. E isto com certeza é uma satisfação enorme! Representar o meu estado como sendo um expoente da minha geração na cultura gaúcha é uma responsabilidade enorme e procuro fazer isso da melhor forma possível!

Você integra o projeto Vozes, que tem por objetivo conscientizar as rádios do Rio Grande do Sul a abrirem mais espaço para a música regional. Na sua opinião, como está este cenário hoje em relação a alguns anos atrás?
Valorizar, divulgar e fazer a música regional gaúcha é uma peleia constante e incansável. Não é mole, os colegas sempre estão se ajudando, fazendo ações e lutando muito para “viver” da música regional, para fazer dela uma causa cada vez maior! O cenário não muda muito, os espaços são escassos, os horários limitados, os investimentos precários. A gente mesmo é que vai fazendo acontecer, com radialistas amigos e também envolvidos com a causa, com amigos patrocinadores que incentivam. Enfim, é uma luta. Em tempos de globalização eu diria que somos “heróis”, que somos teimosos; mas que, enfim, alguém tem que fazer parte, tem que ser esta “resistência”. E e acredito que quem está nesta barca rema com muito amor pelo que faz! O projeto Vozes Gaúchas é mais uma ferramenta para essa cruzada, mais uma forte iniciativa para a divulgação da nossa canção gaúcha!

Entrevista para Sandra Veroneze
Fonte: Eco da Tradição

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