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Ensinar ou orientar? por Rosana Araujo

Eis que chega um dia em que a poesia transborda e ganha o mundo! Somos declamadores, poetas, amantes da poesia. Mas isto apenas não nos b...

Eis que chega um dia em que a poesia transborda e ganha o mundo!

Somos declamadores, poetas, amantes da poesia. Mas isto apenas não nos basta! Aquele que apenas retém o conhecimento não é de todo feliz...

Os alunos de uma escola da cidade de Viamão tiveram acesso à cultura através do universo da poesia. Crianças de apenas oito anos, que não tinham contato com o tradicionalismo, com os versos que falam da nossa terra,  foram oportunizadas em uma aula em dia de semana qualquer  à observar declamadores do Rio Grande .

Vinte e um alunos observaram vídeos e ouviram explicações básicas sobre o que viam. Desses, seis crianças encantaram-se com esta arte e passaram a se dedicar aos versos.

O resultado, após um mês, foi surpreendente.     

Declamaram em público pela primeira vez, sem técnica, sem vícios, sentimento campo a fora, sem bretes, poesia pura, alma e coração.

Na arte declamatória ouvimos muitos dizerem: Este é meu aluno!

Aluno de declamação? Declamação é uma disciplina? Poesia se aprende? Sentimento se ensina?

Entendo e acredito que, quem entende um pouco mais, tem o dever de auxiliar a quem ainda pouco compreende, quem tem curiosidade, dúvidas, anseios de aprender.

Mas, esta distinta arte deve ser orientada e não ensinada.

Gosto do termo Oficina de Poesia. São importantes momentos onde ocorre uma verdadeira troca de saberes e de viveres.

Nem um professor tradicional de uma escola é o possuidor do saber completo na relação com os seus alunos.  

Estes professores, orientam, dão base para que seus alunos aprendam por si, façam suas escolhas, construam seus entendimentos.

E o que faz pensar que alguém é o possuidor do saber absoluto da arte declamatória? O que faz pensar que os alunos precisam ser cópias dos tais professores?

Aponta-se o caminho, mostra se o mais provável, ajuda-se a procurar dentro de si o sentimento adormecido, aquilo que cada um acredita em termos de arte... e os deixamos livres para que tracem o seu caminho, o seu estilo, o seu gosto, para que sigam sua alma e transbordem poesia por si, para si.


Fonte: blog do Rogério Bastos

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