A FUGA DE BENTO GONÇALVES - PARTE III SUA ESTADA NO FORTE DE MAR Como se viu, já na sua chegada na Bahia, ou mesmo antes, Bento Gonçalv...
A FUGA DE BENTO GONÇALVES - PARTE III
SUA ESTADA NO FORTE DE MAR
SUA ESTADA NO FORTE DE MAR
Como se viu, já na sua chegada na Bahia, ou mesmo antes, Bento Gonçalves buscou contato com a maçonaria local, enviando cartas as Lojas, solicitando apoio de seus Irmãos. Em 28 de agosto de 1837, em sessão na Loja Virtude, era apresentada uma de suas cartas. O historiador baiano Pedro Calmon foi quem as localizou e leu pela primeira vez, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.
Com a mesma finalidade, em 30 de agosto lia-se em uma sessão da Loja Fidelidade e Beneficência outra carta de Bento Gonçalves. Tal como se vê do extrato da Ata da 132ª Sessão:
Aos trinta dias do sexto mês Maçon do ano da ver:. L:. 5.837, reunidos os Ipor nãointeressar no momento) - Teve lugar igualmente a leitura de uma outra pranch.: dirigida ao Ir.: R.: C.: Bento Gonçalves da Silva, prezo no Forte do Mar por efeito de pollitica, fazendo ver o estado em que se achava, e pedia o único recurso de lhe serem ministrados meios de ser mudado, para uma outra prisão commoda, onde fosse licito fallar aos seus amigos: do que sendo a Loj.: inteirada foram nomeados pelo Ir.: Ven.: para visitarem ao dito Ir.: e lhe oferecerem os socorros de que precisasse e estivesse ao alcance da Loj.: os IIfr.: Orad.: e Mest.: de Cerim.:
No sentido de ajudá-lo em tudo que fosse possível, várias foram as visitas realizadas a ele, uma vez que os sobreiros da Loja Fidelidade e Beneficência estavam à frente dessa empreitada. Inclusive o Comandante do Forte do Mar, Capitão Manoel Vieira Machado, também era maçom e um dos fundadores desta Loja, tendo ele pertencido ao Supremo Conselho do Rito Escocês, da qual Francisco Gê Acayba de Montezuma foi seu Soberano e Grande Comendador.
Este fato mostra, conforme veremos mais adiante, o porque Montezuma foi duramente atacado na imprensa e na Câmara de Deputados, onde todos o acusavam de ter enviado Bento Gonçalves para a Bahia, pois sabia quem, na realidade, poderia contribuir para a sua fuga na cidade de Salvador.
A solidariedade não tardou. Na manhã do domingo, 10 de setembro, Bento Gonçalves fugia, auxiliado por seus Irmãos baianos. Ele ficou exatamente 15 dias presos no Forte do Mar e, praticamente, um mês escondido após sua fuga, aguardando oportunidade de retorno.
Óleo sobre tela de Guido Mondin
A FUGA DE BENTO GONÇALVES - PARTE IV
OS ENVOLVIDOS NA FUGA
OS ENVOLVIDOS NA FUGA
As três principais autoridades baianas envolvidas na fuga foram:
Francisco de Souza Paraíso (Presidente da Província): Nasceu em Salvador, formado em direito, chegando a desembargador, na Bahia. Em 1824, como Ouvidor da Comarca de Vila do Conde-PB, foi simpático à causa dos revolucionários da Confederação do Equador. Foi Presidente da Província da Bahia de 1835 a 1837.
Tenente Coronel Luiz da França Pinto Garcez (Comandante das Armas da Província): Nasceu em Lisboa em 1799 e sentou praça na Legião de Caçadores da Bahia. Como major, participou da Batalha do Passo do Rosário em 1827. Em 1835, como Tenente Coronel, foi nomeado Comandante das Armas da Província da Bahia e lá permaneceu até 1938. Em 1863 morreu no posto de Tenente General.
Francisco Gonçalves Martins (Juiz de Direito e Chefe de Polícia de Salvador): Nasceu em Santo Amaro-BA, em 1807. Estudou direito em Coimbra. Foi desembargador, deputado pela Bahia de 1834 a 1851, senador e presidiu a Bahia duas vezes, além de ser Ministro do Supremo Tribunal de Justiça.
Podemos citar seis pessoas envolvidas diretamente no planejamento e na execução do plano de fuga:
MANOEL GOMES PEREIRA (republicano, de profissão ourives): Tinha casa no Largo da Piedade, onde ocorriam as reuniões preparatórias para a revolta de 07 de novembro de 1837, também assinando a ata da sessão da Câmara Municipal, no dia da revolta. Estava em Montevidéu quando a Sabinada foi sufocada, dali vindo para o Rio Grande do Sul onde foi coronel, ajudante de ordens, de Bento Gonçalves. Participou da Revolução até 1840, quando foi para o Rio de Janeiro e lá estabeleceu-se como banqueiro.
FRANCISCO JOSÉ DA ROCHA (Ten Cel de 1ª linha): Pertencia ao Batalhão de Caçadores de Salvador. Esteve envolvido na Sabinada fugindo do julgamento dos revoltosos veio fazer parte das tropas farroupilhas. Pelo decreto de 25 de junho de 1839, Bento Gonçalves concedeu a ele, em Caçapava, o posto de tenente Coronel, no comando do 2° Batalhão de Caçadores de 1ª Linha. Neste Decreto está registrado que "apesar da espionagem inquisitorial do governo" ele havia se mostrado solidário aos rio-grandenses presos na Bahia e havia cooperado para sua liberdade. Entre 1841 a 1843 foi Chefe de Polícia na cidade de Canguçu. Maçom que, por possuir o Grau 30, através de diploma assinado em 1843, elevou ao Grau 18 o seu Irmão maçom David Canabarro.
MANOEL JOAQUIM TUPINAMBÁ (Capitão da Guarda Nacional): Maçom, exercia a função de Juiz de Paz na Ilha de Itaparica, onde tinha propriedade rural e onde Bento Gonçalves refugiou-se, por quase um mês, após a fuga do Forte do Mar.
ANTÔNIO GONÇALVES PEREIRA DUARTE (Comerciante): Rico homem de negócios, ligados ao transportes marítimos. Quando começou a Revolução Farroupilha ele morava em Porto Alegre e era vice-cônsul livre da cidade de Hamburgo. Simpático aos farroupilhas emitiu uma nota para que os hamburgueses moradores da Província não pegassem em armas contra os farrapos. O Governador Fernandes Braga pede ao Regente, no Rio de Janeiro a suspensão de seu título honorífico. Em virtude deste incidente Pereira Duarte vai para o Rio de Janeiro e depois se estabelece comercialmente em Salvador. Em 1° de julho de 1837, ele foi iniciado como maçom na Loja Fidelidade e Beneficência.
MANOEL VIEIRA MACHADO (Capitão de Artilharia de 1ª linha): Era natural da Bahia. estava no comando do Forte do Mar na ocasião da fuga de Bento Gonçalves. Era maçom e um dos fundadores da Loja Fidelidade e Beneficência.
DOMINGOS DE GUSMÃO VIANNA (Alferes de 1ª linha - Comandante do Destacamento do Forte): Era natural da Bahia. Este militar e Manoel Vieira Machado, responderam ao Conselho de Guerra e foram presos no Forte de São Pedro.
Manoel Vieira Machado, Comandante do Forte do Mar, ficou impedido de comandar pelo período de dois anos e Domingos de Gusmão Vianna foi condenado a 10 anos de prisão. Completou 8 destes anos quando foi anistiado.
Fonte: blog do Léo Ribeiro

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