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Laçador das Letras

O patrono da 56ª Feira do Livro é uma figura tão emblemática que, ao anunciá-lo, o escritor Carlos Urbim não precisou sequer mencionar seu n...

O patrono da 56ª Feira do Livro é uma figura tão emblemática que, ao anunciá-lo, o escritor Carlos Urbim não precisou sequer mencionar seu nome. Ao chamar o conterrâneo de Santana do Livramento, o patrono de 2009 apenas disse:

- A Praça da Alfândega está passando por reformas, e agora terá de trazer a estátua do Laçador.

Foi o bastante para todos os olhares se concentrarem no folclorista Paixão Côrtes, 83 anos, símbolo da cultura popular gaúcha, assim como o monumento para o qual serviu de modelo.

Paixão havia chegado pontualmente, às 8h30min, ao restaurante Petiskeira, no Centro, onde seria feito o anúncio. Acompanhado da mulher, Marina, ele ficou à espera, de papo com outro patronável, Airton Ortiz. Os três outros indicados eram Juremir Machado da Silva, Jane Tutikian e Luís Augusto Fischer, que não pôde comparecer. Todos, como Airton, já haviam sido patronáveis outras vezes. Mas foi justo o estreante o escolhido para suceder Carlos Urbim, que antes de chamá-lo ainda brincou:

- Mas até 29 de outubro, eu sigo sendo o Patrono da Feira do Livro!

Então, o microfone e os flashes passaram a Paixão Côrtes:

- Não sou escritor, sou escrevinhador, narro as pesquisas in loco junto às vivências do povo. Se isso me colocar ao lado de escritores, cronistas e poetas, fico muito lisonjeado.

Diante dos conselhos de Urbim para enfrentar a agenda cheia, comentou:

- Vou ter de conversar muito bem com meu marcapasso para ter o passo cadenciado dessa responsabilidade.

Findo o discurso, Paixão Côrtes se dirigiu à mesa para tomar o café da manhã festivo. Antes mesmo de se sentar, já estava rodeado por jornalistas para a primeira entrevista coletiva -prevenido, havia levado consigo um texto sobre suas impressões da Feira e da responsabilidade assumida. Na meia hora seguinte, deu mais entrevistas, recebeu cumprimentos e posou para fotos. Em depoimento a ZH, comentou, empolgado, seu trabalho de pesquisador e confidenciou que sairia dali para Passo Fundo, onde se encontraria com 140 piquetes de laçadores e 90 CTGs e distribuiria gratuitamente 500 cópias de suas publicações.

- Estou fazendo minha parte, embora ainda não seja patrono oficial, porque o Urbim requereu o direito dele até o início da Feira (risos).

Em nova sessão de fotos, na calçada da Avenida Siqueira Campos, uma transeunte parou diante dele:

- O senhor é o Paixão Côrtes, né? Reconheci pelo bigode.

Paixão sorriu e fez o convite:

- Te espero na Feira em outubro.

Assim que ela se afastou, brincou:

- Viu? Já começou.

E só então o patrono foi tomar café.

3 PERGUNTAS PARA O PATRONO

Agrônomo de formação, Paixão Côrtes assinou, com Barbosa Lessa, títulos basilares da bibliografia do tradicionalismo, como o Manual de Danças Gaúchas (1956), e é também difusor da leitura: distribui gratuitamente seus livros em escolas, piquetes e CTGs.

ZH - Como é ser escolhido patrono em sua primeira indicação?
Paixão Côrtes - É uma profunda emoção estar ao lado dos demais escritores e expositores que vivem a literatura no Rio Grande do Sul.

ZH - O senhor recebe a homenagem 10 anos após Barbosa Lessa.
Paixão Côrtes - O Lessa foi um grande parceiro, irmão de causa e de coração. E essa recordação é significativa porque sempre o considerei uma figura brilhante da literatura regional.

ZH - Qual será seu estilo?
Paixão Cortes - Ainda não falei com o presidente, mas acho que o despertar da Feira poderia ser através da matraca, peça que se usa na campanha para despertar as pessoas para os grandes acontecimentos, em vez do sino. Quem sabe não será momento de matracar as ideias dos presentes?

do site do Jornal Zero Hora

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