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Tchê Music é variação ?

Tchê music não é tradição nem aqui e nem na China - e tampouco variação do gauchismo. Se assim fosse, estaríamos mal das pernas uma barbarid...

Tchê music não é tradição nem aqui e nem na China - e tampouco variação do gauchismo. Se assim fosse, estaríamos mal das pernas uma barbaridade. Bombacha sequer conheceríamos, pois as calças largas, oriundas da época da Guerra do Paraguai, seriam peças de museu pelo fato de os tais "gaúchos do asfalto" vestirem uma peça justa e fora de qualquer semelhança da usada no passado. Lenço, então, nem se fala - seria como outras peças da indumentária a estarem com dias contados.

Variação? Puxa... As mulheres que o digam! A "velha" música gaúcha as tratava como prendas. Já a "nova" dá lugar à homenagem do momento, tornando-as prendas amassadas com pau de macarrão. Já os galanteios deram vez ao "você não vale nada, mas eu gosto de você" e demais elogios a encantar a quem se subestima a ser tratada como objetivo erotizado e de desejo.

Variar virou perda do sentido do campo e de seus aspectos, como o elogio à mulher gaúcha. Aliás, não podemos negar: a variação é algo impressionante na concepção de alguns "tchê músicos". Uns, na verdade, de tão mal-intencionados, justificam uma falsa evolução para extrapolar no palco. Não têm ética por agirem assim, mesmo sabendo da destruição ao patrimônio cultural da gente gaúcha. Igualmente perversos, se prevalecem em cima da falta de informação dos mais jovens para fazer da festa espaço só pra eles. Velho fica no asilo e bebê espera sua vez.

O CTG, local para todas as gerações, deu lugar somente à juventude nas danceterias a anunciar falsos shows gaúchos, pois variar significa também excluir. Já pensei ser a variação fruto da pura criatividade, mas nada a ver. Ao contrário, é cópia pela forma de os "criativos, espertos e variantes" não serem capazes de moldar seu próprio estilo, pois usaram o nosso pano de fundo de forma devastadora e covarde, aproveitando-se de uma fraqueza dos tradicionalistas: a péssima vocação para o marketing - convenhamos. Aí, dê-lhe hibridismo inclusive na dança, com seus reboleios de animais no cio, justamente para opor que postura e respeito aos parceiros é coisa do passado. Afinal, a moda é escandalizar via coreografia inconveniente e descabida.

Se por tudo isso ainda se diz que tchê music é variação do gauchismo, quero de volta o sistema antigo - pelo amor de Deus! Quero o tempo quando as pessoas se interessavam em estudar e ter conceitos claros de tradição - ela que é atemporal, intocável e sem modismos. Ora essa: Barbossa Lessa e Paixão Côrtes campearam o chão sulino para resgatar e transmitir o passado ou simplesmente deixar variar? E se é assim, na base da inovação, pra que tradição?

MÁRCIO CAVALLI
Jornal de Canela
Leia a "Crônica de Rodapé"
www.jornaldecanela.com.br

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