Grid

GRID_STYLE
FALSE
TRUE

Custom Header

{fbt_classic_header}

Últimos chasques

latest

Caminho de Santiago: cinco trilhas no RS servem de ensaio para Compostela

Trajetos como o das Missões propiciam contato com a cultura e a gastronomia locais, além de revelarem paisagens únicas Cláudio Reinke / ...

Trajetos como o das Missões propiciam contato com a cultura e a gastronomia locais, além de revelarem paisagens únicas
Cláudio Reinke / Divulgação


Os aventureiros que sonham em percorrer o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, encontram boas opções para praticar os primeiros passos ainda em solo gaúcho. São diversas rotas criadas no Estado que ajudam na preparação para o percurso europeu.

Longe de ser apenas um exercício físico, os trajetos propiciam contato com a cultura e a gastronomia locais, além de revelarem paisagens únicas – daquelas que só se enxergam com o olhar demorado de quem está a pé. Assim como a rota de peregrinação cristã do outro lado do Atlântico, alguns caminhos por aqui também têm a fé como fio condutor e passam por até 20 igrejas. Há alternativas para todos os perfis. Para quem dispõe de apenas um dia e quer aproveitar para caminhar e comer bem, trechos de 15 quilômetros no interior do Rio Grande do Sul apresentam o melhor das comidas típicas. Os que querem desafios maiores encontrarão trajetos que ultrapassam os 300 quilômetros e exigem duas semanas de dedicação.

Independentemente da rota escolhida, uma coisa é certa: você pode até começar o caminho sozinho, mas nunca irá terminá-lo só, como dizem os peregrinos.

Santo Antônio da Patrulha

Chamado de Caminho Gaúcho de Santiago de Compostela, o percurso em Santo Antônio da Patrulha foi criado em 2014 e é reconhecido pelo Consulado da Espanha no Brasil.

    Trajeto: tem opções de 12 e 19 quilômetros. Passa pela zona urbana à área rural do município de Santo Antônio da Patrulha. O começo da trilha é na Estrada Bento Silveira Goularte, às margens da RS-030 e em frente à antiga Açúcar Gaúcho S.A (Agasa). No caminho, há uma visão privilegiada da Lagoa dos Barros e do Parque Eólico de Osório.
    Duração média: o trajeto mais curto leva em torno de três horas e meia. Já o de 19 pode chegar a cinco horas, dependendo do ritmo do peregrino.
    Dificuldade: moderada a difícil. O trajeto mais longo começa com uma subida bem íngreme de quase dois quilômetros e meio.
    O que levar: sacola de lixo – há somente duas lixeiras em todo o caminho. Se estiver fazendo o trajeto por conta, leve bastante água e alimentos, pois no caminho há só dois botecos familiares, para venda de produtos e uso de banheiro. Caso feche o pacote com agência, eles disponibilizam água e banana e fornecem cajado.
    Certificado: a agência de viagem fornece para o participante um certificado com todos os carimbos ao final do passeio.
    Diferencial: o terreno é considerado muito parecido com o caminho original de Santiago de Compostela, na Espanha, com subidas íngremes e pedras na trilha. Então, é um ótimo treino para os que planejam percorrer o trajeto europeu.
    Quanto custa: é possível fazer por conta própria, pois o trajeto é bem sinalizado. Mas para ter acompanhamento de guia, enfermeira, suporte durante o trajeto e certificado, há pacotes por R$ 59 (geralmente o passeio é feito no primeiro domingo de cada mês).
    Mais informações: prefeitura de Sto. Antônio: (51) 3662-8560 e 3662-8559. Elos Travel: atendimento@elostravel.com.br e (51) 99208-1812.

Caravaggio

Lançado oficialmente em maio deste ano, o Caminhos de Caravaggio é uma boa pedida para aqueles que querem unir contato com a natureza e fé. O percurso passa por 20 igrejas na Serra gaúcha. Por dia, os peregrinos percorrem de 18 a 25 quilômetros na serra gaúcha.

    Trajeto: percurso serrano de 200 quilômetros. O ponto de partida fica a critério do participante, que pode sair de Farroupilha (Santuário de Caravaggio) ou de Canela (Santuário de Caravaggio, no Parque do Saiqui) e passa pelas cidades de Gramado, Nova Petrópolis e Caxias do Sul. O trajeto é bem diversificado e inclui paisagens de morros e planícies, igrejas quase centenárias e estradas de chão e de asfalto.
    Duração média: 10 dias de caminhada, sendo que a distância diária a ser percorrida varia de 18 a 25 quilômetros.
    Dificuldade: moderada. Tem alguns trechos de subidas, mas boa parte do terreno é plano.
    O que levar: alguns trechos não têm muita infraestrutura disponível, por isso é fundamental estar sempre preparado com água e alimentos leves. O Guia do Viajante, disponibilizado gratuitamente nos pontos de partida, aponta locais importantes no trajeto, como hospitais, igrejas, postos de gasolina e lanchonetes.
    Certificado: para ter o certificado, é necessário que o passaporte do peregrino esteja com, no mínimo, dois carimbos de um total de seis que são disponibilizados em pontos estratégicos do caminho. O passaporte é dado no ponto de partida e o certificado, no final.
    Diferencial: os caminhantes fazem o trajeto tradicional de romaria e, se seguirem o roteiro estabelecido, passam por um total de 20 igrejas. Então, a caminhada permite conhecer diferentes construções religiosas em meio a paisagens serranas.
    Quanto custa: o trajeto é feito por conta própria, com setas indicando o caminho e mapas disponibilizados nos pontos de parada. Carimbos, passaporte, Guia do Viajante e certificado são gratuitos. Mas é precisa reservar hospedagens com antecedência – há sugestões no Guia do Viajante.
    Mais informações: Secretaria de Turismo de Farroupilha, pelo fone (54) 3261-6963. No site farroupilha.rs.gov.br/portaldoturismo, é disponibilizado o Guia do Viajante, com mapa, indicações de hospedagem e locais de interesse.

Missões

Lançado em 2005, o Caminho das Missões é um roteiro pelas antigas estradas missioneiras que ligavam as reduções jesuíticas guaranis.

    Trajeto: são 324 quilômetros que passam pelos municípios onde existiam os sete povos das Missões. O ponto de partida é São Borja, e o de chegada, em Santo Ângelo. São em média 25 quilômetros por dia, a maioria em estrada de chão.
    Duração média: 14 dias, mas há opções de trajetos mais curtos de oito, seis e três dias.
    Dificuldade: moderada. São terrenos mais planos, porém, há 32 quilômetros a serem percorridos em um único dia.
    O que levar: em caso de grupos guiados, a empresa fornece água, alimentação e inclusive transporta as mochilas em carro de apoio. Nas caminhadas individuais, fique atento às orientações da agência, pois há trechos sem comércio. Há diversas fontes d'água no caminho. A empresa fornece ainda um cajado feito por índios guaranis.
    Certificado: o peregrino receberá uma credencial para colocar os cerca de 25 selos entregues ao longo do trajeto. Ao final, a empresa dá um certificado escrito em guarani e um amuleto.
    Diferencial: o grande enfoque desse caminho é a valorização da cultura das Missões Jesuíticas Guaranis, então o trajeto passa pelas estradas usadas pelos índios. Além disso, tem a imersão na cultura missioneira gaúcha, inclusive com participação de trovadores, declamadores e benzedeiras na programação.
    Quanto custa: para fazer parte de um grupo, o caminhante precisa desembolsar R$ 3.618,  que inclui hospedagem – em casas de família, antigos bolichos, quartos coletivos e hotéis –, alimentação, transporte de mochila e guia. É possível fazer a caminhada sozinho, mas com a assistência da agência de turismo, responsável pela hospedagem, algumas refeições e mapa com passo a passo do trajeto. Neste caso, sai por R$ 2.098.
    Mais informações: Caminho das Missões Operadora de Turismo, pelo site caminhodasmissoes.com.br ou por mensagem de WhatsApp: (55) 98405-8528.

Porto Alegre

A caminhada ocorre anualmente no último domingo de abril. Passa pelos principais pontos turísticos e culturais do Centro

    Trajeto: são 22 quilômetros, sendo que o ponto de partida é a Catedral Metropolitana, na região central, e termina no Santuário Santa Rita de Cássia, no Guarujá. O traçado urbano perpassa os principais pontos turísticos e religiosos de Porto Alegre, como o Theatro São Pedro, Casa de Cultura Mário Quintana, Praia da Pedra Redonda, Vila Assunção e Praia de Ipanema.
    Duração média: cinco horas.
    Dificuldade: moderada. Com terreno plano e asfaltado, o grande desafio está na distância, que exige preparo dos participantes. 
    O que levar: uma pequena mochila com água e alimentos nutritivos, como barrinha de cereal. No caminho, passa-se por comércios e banheiros químicos.
    Certificado: o percurso é reconhecido oficialmente para a comprovação de 20 quilômetros dos cem que são exigidos para obter, na Espanha, a “Compostelana”, documento outorgado por autoridades eclesiásticas e que comprova a peregrinação. Para isso, o participante precisa apresentar a credencial do peregrino em quatro pontos de Porto Alegre: Catedral Metropolitana, Igreja das Dores, Santuário de Schoenstatt e Santuário de Santa Rita de Cássia. Os peregrinos que desejarem a credencial espanhola devem solicitá-la com antecedência pelo e-mail contato@acasargs.com.br.
    Diferencial: é considerada uma caminhada mais contemplativa, que permite apreciar e conhecer detalhes de Porto Alegre. Atualmente, é o único trajeto no Rio Grande do Sul que ajuda a “eliminar” quilometragem para conquistar a Compostelana, documento que comprova a peregrinação em Santiago de Compostela, na Espanha.
    Quanto custa: grátis.
    Mais informações: Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela do RS, pelo e-mail contato@acasargs.com.br ou pelo site acasargs.com.br

Vale do Taquari

Tem foco na sustentabilidade, no contato com a comunidade e na gastronomia local, em opções de um, três ou quatro dias.

    Trajeto: de 15 a 20 quilômetros nos domingos, mas também há opções de até 120 quilômetros em quatro dias. Há ainda 14 percursos autoguiados no Vale do Taquari, com média de 15 quilômetros cada. Nas opções guiadas de um dia, o grupo sai do Shopping Lajeado de ônibus, na BR-386, mas o destino para a caminhada sempre muda. 
    Duração média: quatro horas nos domingos ou até quatro dias nos trajetos de feriadões.
    Dificuldade: fácil a moderada, com trechos mais planos.
    O que levar: empresa fornece água e alimentação. Nos trajetos autoguiados, leve na mochila.
    Certificado: não tem.
    Diferencial: o ponto alto é a gastronomia. A agência de turismo fornece um café da manhã colonial, assim como almoço com pratos típicos da região. Também são plantadas árvores pelo caminho.
    Quanto custa: a caminhada de um dia custa em média R$ 100, com translado, carro de apoio, café da manhã e almoço. As de três ou quatro dias saem em torno de R$ 1 mil. Os caminhos autoguiados não têm custo. Há mapas nos pontos de partida e o trajeto é bem sinalizado.
    Mais informações: Passeios na Colônia organiza caminhadas. Contato pelo (51) 99583-2672 ou pelo site passeiosnacolonia.com.br. Consulte também caminhosautoguiados.com.br.

Antes da partida

    Calçado certo: não interessa se a caminhada é longa ou curta, o calçado faz diferença para evitar lesões. Se o terreno for muito acidentado e tiver pedras, prefira uma bota, porque protege o tornozelo. Aposte em modelos de tênis e botas com bom amortecimento e impermeáveis. E o mais importante: amacie o calçado. Antes de começar o trajeto, use o calçado em casa ou em pequenas caminhadas para se adaptar e evitar calos.
    Respeite seu limite: não tem jeito, cada um tem seu ritmo. Aumentar o passo para alcançar o companheiro pode causar lesões. Então, respeite seus limites. Além disso, vá aumentando a quilometragem gradativamente nos treinos.
    Hidratação sempre: mantenha na mochila uma garrafa d’água. Ficar hidratado ajuda a evitar cãibra e garante o bem-estar durante o percurso.
    Mochila na medida: teste a mochila antes. Ela não pode forçar os ombros e deve ficar bem presa ao corpo. Aproveite para praticar o desapego e deixe em casa todo o excesso. Afinal, o recomendado é que a mochila cheia tenha, no máximo, 10% do peso de quem a carrega.
    Itens indispensáveis: não importa a região, o tipo de terreno ou a quilometragem, alguns itens são essenciais. Sempre leve protetor solar, chapéu e repelente. Também é importante usar roupas confortáveis e que secam fácil.
    Use bastões: os bastões, ou cajados, podem ser um bom parceiro, principalmente em terrenos íngremes. Eles aliviam a pressão nos joelhos e evitam quedas. Há bastões para vender em lojas especializadas. Caso não queira investir, vale improvisar com uma taquara.

Fontes: agente de viagem da Elos Travel Laila Dias; prefeitura de Santo Antônio da Patrulha; Marta Antônia Benatti, da Caminho das Missões Operadora de Turismo;  Alício de Assunção, coordenador da Passeios na Colônia; prefeitura de Farroupilha; Adriana Reis, presidente da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela do RS


Fonte: GauchaZH

Nenhum comentário