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Tropeirismo No Ciclo Do Couro

Por (Omair Ribeiro Trindade) Escuto ao longe o canto do galo índio, a estrela dalva, fogoneia mais uma madrugada. Olho a linha do horiz...

Por (Omair Ribeiro Trindade)

Escuto ao longe o canto do galo índio, a estrela dalva, fogoneia mais uma madrugada.
Olho a linha do horizonte e um raio de sol vem como um punhal sangrando a prata do dia.

Prossigo no ritual de mate, fogo, e cambona.
Trago no peito, a batida do compasso do cincerro das tropas,
Que demarcaram o mapa da américa latina.

Medito.
Sorvo o amargo, amo a campanha,
A verde, a dourada e rubra aurora do rio grande em sua história...
E é música especial em tempo e vento...
E é indio cavaleiro com o manto todo em couro,  ao vento frio e seco, o minuano.

O tropeirismo foi atividade de suma importância para a história da economia do brasil.
A palavra deriva de tropa, numa referência ao conjunto de homens que transportavam mercadorias, em lombo de animais arreados, e conduziam animais soltos para serem comercializados entre as regiões.

Os tropeiros percorriam caminhos e trilhas que ligavam distantes localidades da região sul, sudeste e centro-oeste.
Por isso foi responsável pelo desenvolvimento do comércio de mercadorias e de animais de carga, em uma época em que o sistema de transporte dependia exclusivamente destes cargueiros.

Tropeirismo é muito mais do que uma viagem de comércio. É quase filosofia de vida de uma época, principalmente em se tratando da era do couro e do primitivo gaúcho.

Os tropeiros procuravam seguir o curso dos rios ou atravessar áreas mais abertas,
Os “campos gerais” E mesmo conhecendo os caminhos mais seguros, o trajeto envolvia várias semanas.

A alimentação era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e carne de sol, ou charque. Não poderiam faltar, o café e o chimarrão.

Chamavam-se “encosto” o pouso em pasto aberto e “rancho” quando já havia um abrigo construído.

Ao final de cada dia o fogo era aceso, e a tenda era construída com os couros que serviam para cobrir a carga dos animais. Reservavam-se alguns para colocar no chão, onde os homens dormiam envoltos em seu manto.

O tropeirismo desenvolveu-se por mais de dois séculos no sul do Brasil e deixou marcantes manifestações nos costumes rio-grandenses. O folclore gauchesco do ciclo fandanguista, com danças só masculinas deriva dessa contribuição.

Em seu livro: “Tropeirismo Biriva”, Paixão Côrtes, maior responsável pelo resgate da história do tropeirismo, faz um profundo estudo a respeito das danças e das canções dos tropeiros. O homem tropeiro, em suas idas e vindas, acabou desenvolvendo danças e cantigas em seus momentos de lazer, expressando muitas vezes, seus sentimentos de saudade e solidão.

O trabalho era árduo e estafante.
Mesmo assim, os tropeiros se permitiam momentos espirituais, de cantoria e danças com parceiros de tropeada. Tu sabias que todas essas danças foram criadas pelos tropeiros?
Chula,
Chico do Porrete,
Dança dos Facões
Fandango Sapateado.

O tropeirismo não morreu. Ainda se realizam tropeadas como manifestação cultural, Num resgate desta fantástica atividade. Quem avistar um tropeiro na culatra de uma tropa,
Verá a história mais viva deste garrão brasileiro.

Enquanto alguém lembrar destes heróis,
E se continuar escrevendo a respeito deles,
O tropeirismo jamais morrerá. Enquanto tivermos escritores,
E pessoas de valor como Paixão Côrtes,
Jamais morrerá a tradição gaúcha.


Fonte: Rádio Fronteira Gaúcha

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