O tempo, o vento e nossas origens


Vencedores do festival de música regional, que ocorre em Cruz Alta
Thaís Quevedo / Divulgação



De 26 a 29 de julho, ocorreu em Cruz Alta, terra de Erico Verissimo, a 38ª Coxilha Nativista, festival de música regional gaúcha que nunca parou e que até hoje faz parte da nossa cultura.

O mesmo Erico que olhava seu passado de glórias com sobrados e romances que até hoje são atuais, sabia que, como um bom vinho, seus textos seriam, com o tempo, cada vez mais valorizados.

Como escreveu o poeta Luiz Menezes, “a tradição não tem medo do tempo”, o que for feito com qualidade as horas jamais apagarão.

Os organizadores da Coxilha se cercaram de novos e antigos parceiros, mantiveram importantes apoiadores e criaram nova legião de admiradores.

Aqueles que participavam ainda crianças na Coxilha Piá torcendo pelas novas músicas de cada edição, hoje são os artistas do palco principal, tocando e cantando muitas vezes junto com suas referências. É a vitória de quem tem paciência, de quem luta pela preservação e se emociona com quem chega para levar ainda mais longe o que foi construído.

Fiquei feliz quando abri Zero Hora da última segunda-feira e lá estava sendo comentado o festival, mostrando os premiados, que batiam no peito com orgulho e bradavam que era a gurizada que tinha ganho dessa vez.

Que os bons ventos continuem soprando e espalhando nossas canções por aí, que venham outros para contar e cantar nossas histórias, quem sabe um dia nossas escolas não ensinarão seus alunos sobre o movimento regional dos festivais, que é tão jovem, mas já temos muito assunto para falar com as novas gerações.

Os rumos do coração

Lembrei que a música de abertura do Galpão Crioulo todo o domingo, Origens, do Tio Nico e do meu pai Bagre Fagundes, teve um caminho parecido com a canção que ganhou a última edição da Coxilha.

Cantei essa música, ainda piá, no Festival da Barranca em São Borja, junto com meu pai e meu irmão Ernesto, depois ganhamos a Ronda da Canção, em Alegrete. Mais tarde, ela se transformou em tema do programa mais antigo e famoso de regionalismo na televisão, e que também nunca parou.

O Galpão e a Coxilha têm quase a mesma idade. Lembrei da emoção que senti quando ganhei a Coxilha. Eu, voz e violão, com o Bombo do Chicão Dorneles. Nunca saiu da minha memória a milonga João da Madrugada, do Paulo Silva.

Talvez ali eu tenha recebido a credencial para seguir adiante, acreditando no futuro incerto e difícil de viver da música, mas seguindo os rumos do meu coração. É o nosso tempo, são os nossos ventos e são as nossas Origens.


Por Neto Fagundes
Fonte: portal GaúchaZH

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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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