A análise ideológica da "Caverna do Tradicionalismo" - Parte 3 (final)


Referencias: Oscar Gress e Manoelito Savaris


Finalmente chegamos à terceira parte do editorial do Presidente do MTG, deste mês de junho.

Depois de traçar um cenário de fantasia, de dizer que o Movimento deve buscar novos horizontes olhando para trás, para os “jovens de 47”, de afirmar que os culpados são os falsos pensadores e intelectuais que tem espúrios interesses no tradicionalismo, o autor do editorial se aventura numa comparação do Movimento Tradicionalista com a Alegoria da Caverna de Platão. Diz ele: “às vezes me parece que alguns setores do tradicionalismo reproduzem a Caverna de Platão”.

Ao dizer “alguns setores”, sem identificá-los, está generalizando e deixando para o leitor escolher: artístico, campeiro, cultural, esportivo, das coordenadorias, do Conselho Diretor, da Junta Fiscal, dos narradores, dos instrutores, dos avaliadores, etc., etc.

Não me parece que os objetivos de Platão, no diálogo em torno da República, possam ser aplicados a uma entidade que escolheu o seu campo de autuação e definiu ao longo de inúmeros encontros e debates um regramento exaustivo e complexo.

No caso de Platão, o principal objetivo foi o de mostrar que os seres humanos somente conseguem evoluir e encontrar a verdade se romperem com a informação, com a cultura e com o que lhes foi ensinado ou mostrado. No caso do MTG, vamos romper com qual conceito? Vamos reformular a Carta de Princípios? Vamos desconstruir as teses do Barbosa Lessa e Jarbas Lima? Vamos cancelar o Conselho Diretor? Vamos abolir as Regiões Tradicionalistas? Vamos Proibir os rodeios e demais eventos competitivos? Vamos encerrar a Ciranda e o Entrevero? Vamos abandonar o Enart e a Fecars?

Ora, me parece claro que o uso do 'Mito da Caverna' para tentar explicar problemas existentes, conhecidos, antigos e atuais, inerentes às instituições humanas, tais como, equívocos organizacionais, descumprimento de regras combinadas, exploração econômica indevida, eventuais desvios que ocorrem na avaliação de eventos competitivos, alguns comportamentos inadequados por parte de instrutores, musicistas, coordenadores, conselheiros e assim por diante, é uma tentativa de fazer o discurso fácil e fugir do que compete, por obrigação, ao dirigente.

Há erros? Corrija-os. Há desvios? Elimine-os. Perdemos algumas referencias? Refaça-as obrando e não discursando. Ou seja, o uso da Alegoria da Caverna para explicar o Movimento, me parece, está longe de contribuir para a melhoria e harmonia da instituição.

Ah, lembrando que, no caso da Caverna de Platão, aquele que se aventurou a romper o status quo (locução latina que significa estado das coisas ou atual), foi morto pelos demais habitantes daquele lugar de fantasia. Não me parece ser o caso do MTG.

Para arrematar nosso debate sobre o editorial do Presidente do MTG, do mês de junho de 2018, respondo às perguntas que o texto nos apresenta nos últimos dois parágrafos.

Diz o editorial: “... deixo a pergunta a todos. Quem tem a coragem e o discernimento para ultrapassar esta linha que outrora foi imposta e descobrir um Movimento melhor?” E prossegue identificando os problemas existentes dizendo que o melhor é “mais humano, com menos interesses pessoais, de pequenos grupos que deixa o coletivo e a maioria como simples expectadores?”

O desafio é interessante. Ele nos convida para algo melhor. No entanto, ao fazer isso, o editorial volta a acusar a alguém que teria imposto uma barreira entre o Movimento atual,visto pelo Presidente como desumano, com predomínio de interesses pessoas, composto de uma maioria expectante, com pequenos grupos dominantes, e aquele movimento, no dizer do Presidente, do “verdadeiro tradicionalismo”.

Nesse momento vem, o convite: “Arrebente as correntes e venha!” dando a entender que ele já está indo ou já se encontra lá, no “verdadeiro”.

Pois bem, eu reconheço que nem tudo o que temos está bem. Há sempre melhoras e correções a serem feitas em todos os setores do Movimento. Mas não quero, não vou e não acompanho aqueles que querem destruir o que temos atualmente e que foi construído ao longo de 70 anos com a participação de milhares de tradicionalistas. Sou, como a maioria absoluta dos tradicionalistas, parceiro para corrigir e melhorar, nunca para arrebentar e abandonar. E não se trata de uma questão de “coragem”, mas de convicção.

O Presidente, que se encontra no 3º mandato (está pleiteando o quarto consecutivo e poderá querer também o quinto) é o 22º na história de 52 anos do MTG, portanto é herdeiro de uma trajetória vitoriosa e enraizada na sociedade. Não posso crer, portanto, que todos os outros presidentes estivessem equivocados quanto à ideologia do tradicionalismo? Teria o atual Presidente encontrado a “Porta da Verdade”?

Recuso-me abandonar o que foi construído. Serei parceiro se a proposta for para ajustar e melhorar e serei opositor quando a proposta for abandonar e destruir.

Nota do Blog do Rogério Bastos: Chegou ao final a analise ideológica do Editorial do Presidente do MTG, muito bem feita pelo ex-presidente e atual Conselheiro Vaqueano da entidade, Manoelito Savaris. Vejo que muitas pessoas liam o tal editorial sem realmente interpreta-lo, sem tentar entendê-lo. De forma que, em um determinado parágrafo, a pessoa se identificava com o problema que aconteceu no seu CTG. E na ânsia de uma resposta, viam ali o 'verdadeiro' como um conceito definitivo. Foi um tanto infeliz o uso da mitologia sem uma análise mais profunda.  Foi como, uma vez, que ouvi dizer que, 50 anos não configurava história e, sim, 'memória'. Fui atrás de alguns mestres da antropologia e da história para me certificar que não estava louco. Caso contrário, quando estudei a segunda guerra mundial, nos anos 80, não seria  história.


Fonte: blog do Rogério Bastos



Para ver a parte 1, clique aqui.

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Italo Dorneles

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