Tema dos Festejos Farroupilhas de 2018 - TROPEIRISMO


Tropeiro Alexandre Scherer, de Cruzeiro do SulFoto: Valter Fraga Nunes | Local da foto: Bom Jesus/RS

Tropeiro Valter Fraga Nunes

Algumas considerações conceituais sobre Tropeirismo

“...Fenômeno quase universal, e de todos os tempos, desde a pré-história, porquanto o transporte terrestre e por quadrúpedes domesticados...

...Complexo de fatos geográficos, históricos, sociais, econômico e até psicológicos, relacionado com as tropas de transportes em todo o país.

...Tropeirismo é bem brasileiro, sem embargo de suas origens universais remotos e de suas raízes imediatas sul-americanas”.

Esta foi a primeira definição do termo Tropeirismo, publicado por Aluísio de Almeida em 1968 na obra “O Tropeirismo e a Feira de Sorocaba”, embora já em 1944, ele tinha esta concepção, infelizmente só conseguiu publicar 24 anos depois. Interessante que ele observa que esta atividade de condução e venda de animais, era exercida há milhares de anos por outros povos, mas não tinham esta denominação Como ele diz “...é bem brasileiro...”

Atualmente Tropeirismo brasileiro pode ser compreendido de duas formas: uma mais restrita (stricto sensu) e outra mais abrangente (lato sensu).

A primeira refere-se ao “Ciclo do Muar” (denominação pré-tropeirismo) descrita por Alfredo Ellis Junior em 1950, em que a mercadoria era os muares (mulas e burros) soltos, xucras ou arriadas, inicialmente para atender o Ciclo do Ouro e posterior para dar suporte aos demais Ciclos Econômicos (cana-de-açúcar, café, algodão, cacau, borracha, erva-mate, etc.).

Segundo Alfredo Ellis “... nasceu com o ouro, na madrugada do século XVII e depois de uma vigência de mais de século e meio, morreu em 1875 mais ou menos, com o advento da ferrovia ...”

Podemos entender que a “madrugada” refere-se ao final do século XVII. Acredito que o Ciclo começou a enfraquecer “...com o advento da ferrovia ...”, mas não se extinguiu. Nem todos ruralistas possuíam uma estação ferroviária em suas propriedades. A maioria da produção era escoada ainda no lombo dos muares. Além disso, a Feira de Sorocaba continuou até 1897, quando sofreu com a peste e outros obstáculos administrativos da Cidade, transferindo-se para Itapetininga, por onde perdurou por mais uns 10 anos e aí sim finalizando um dos maiores e mais rendoso Ciclos Econômicos do Brasil, mas a atividade tropeira continuou e persiste até hoje em vários lugares do país.

Para Aluísio de Almeida, “Historicamente, as primeiras tropas de cavalos e muares chucros dos quais, depois de amansados, surgiram tropas carregadas, entraram em São Paulo e Minas, vinda do atual Uruguai, em 1733.”. Ele acrescenta ainda “Até então havia cavalhadas e burradas como tropa solta e comboio de cavalos e asnos como tropa carregada,”

Com certeza a causa do início do Tropeirismo brasileiro foi a descoberta do ouro e diamantes em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas é certo também que a movimentação de tropas não foi imediata. Embora clandestinamente, milhares de animais foram levados, no início do século XVII, do Uruguai através do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná até São Paulo e de lá direcionado para seus destinos.

De um modo geral podemos deduzir que o Ciclo do Tropeirismo foi o Intervalo de tempo em que ocorreu a exploração econômica dos muares em movimento.

A segunda forma compreendida de Tropeirismo é mais ampla (lato sensu). Leva em consideração, além dos muares, a condução de outros animais, não somente quadrúpedes como relata Aluísio de Almeida, como por exemplo: bovinos, equinos, asininos, ovinos, caprinos, suínos, camelídeos, etc., mas também bípedes como perus e gansos. Além disso, considera-se tropa de carretas e/ou carroções, quando em grupo e tracionadas por animais.

Com esta movimentação intensa e longínquo de animais e pessoas de várias regiões brasileira e estrangeira, o Tropeirismo foi responsável pela integração social, cultural, linguística, e disseminação de saberes, usos, costumes, valores, arte, etc., no território nacional e Sul da América. No seu rastro, pousos viraram arraiais, vilas e cidades.

No Rio grande do Sul, o Tropeirismo teve papel fundamental na sua ocupação, desenvolvimento (em todos os sentidos) desde seus primórdios até pouco tempo atrás, contribuindo para a formação da figura humana atual do gaúcho brasileiro

Como pode se vê, o Tropeirismo é um assunto muito complexo e demanda muita pesquisa na busca de informações documentais, sejam impressas ou orais. Existe muita, mas muita coisa para se descobrir que ajudará a montar este enorme mosaico histórico-sócio-cultural.

Esperamos que, como tema dos Festejos Farroupilha 2018, todas as Regiões Tradicionalista busquem em suas querências suas raízes tropeiras e as revelem para a História. Existem locais repletos de vestígios, mas ocultos. Procure nos mais velhos, eles sempre tem algo para contar. Gravem, escrevam, registrem e divulguem!

Sei que o tempo disponível para trabalhar o tema é curto, mas já que é, vamos à luta. Vamos fazer parte desta incrível aventura.


Fonte: blog do Rogério Bastos

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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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