A insubstituível (Eva Sopher)

Foto: Divulgação

Ilustração: Rafael Sica

Por mais de quatro décadas, cinco poderes se concentraram na Praça da Matriz: o executivo, o legislativo, o judiciário, o religioso e o de dona Eva Sopher. Mais que os demais, dona Eva tinha o poder de realizar o possível e, como nenhum outro, o poder de alcançar o impossível.

Agora que ela não está mais na praça, sobram lá os poderes que tanto podem e que pouco fazem de relevante. Em contraste, a imensa lacuna de dona Eva na cultura gaúcha dá o que pensar, e eu penso o seguinte: estamos ralados.

Quero dizer: assim como o RS não estava preparado para a força motriz de dona Eva quando ela assumiu o Theatro São Pedro em 1975 (palmas pro Sinval Guazzelli, que a nomeou), o estado continua despreparado para a falta dela a partir de 2018.

Basta ler e reler os raros e fracos necrológios, mornos e repetitivos: todos insistem em citar o legado de dona Eva mas nenhum jornal quantificou nem qualificou esse legado, que é vasto.

Nos jornais, nenhum levantamento retrospectivo da saga que foi reconstruir o TSP. Nenhuma menção à concepção do estupendo projeto que é o Multipalco, nascido na mente empreendedora de dona Eva.

Usaram e usam a palavra legado apenas como resumo de todo o seu gigantesco empenho. Em vez de soar como homenagem, a mim sugere evidente preguiça editorial. Por conta da escassez de dados em torno das proezas administrativas de dona Eva e detalhamento do seu perfil dirigente, as novas gerações ficam sem saber das montanhas de obstáculos que ela teve de remover até reabrir o TSP e conseguir tirar do papel o Multipalco.

Também sintetizam a capacidade da dona Eva de captar recursos mas não enfatizam a surdez do empresariado aos seus apelos para a conclusão do Multipalco. De que adianta salientar sua habilidade em conduzir o projeto se não se dá destaque à inoperância do poder público? São incontáveis os inimigos e adversários do estilo de trabalho de dona Eva. Porque é evidente que todos os partidos vão disputar os cargos de confiança do TSP e do Multipalco para suas gulosas siglas.

Claro que o Theatro São Pedro e o Multipalco têm tudo para fazer vibrar as plateias futuras. Mas é bom que se lembre sempre: espetacular mesmo era a dona Eva Sopher.


Texto: Fraga
Fonte: portal ExtraClasse.org
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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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