Maracatu
Paula Simon Ribeiro

Manifestação folclórica surgida no Pernambuco na Zona da Mata e disseminada em vários estados do nordeste brasileiro e também no carnaval. Reconhecido como patrimônio cultural imaterial da região. Surgiu entre fins do século XIX e início do século XX.

Representa um dos mais antigos ritmos de origem africana. É formado pelo cortejo e por um conjunto instrumental com instrumentos de percussão que o acompanha. 

Existe registro de existência de Maracatu em Pernambuco desde 1711, e o mais antigo em vigência é o Maracatu Elefante, fundado em 15 de novembro de 1800 no Recife pelo escravo Manuel Santiago.  De modo geral os Maracatus são regidos por homens, o Elefante foi o primeiro a ter uma Rainha mulher, Dona Santa. Outra peculiaridade neste Grupo é que leva três calungas (e não duas como outros Maracatus) , em homenagem a Dona Leopoldina, Dom Luis e Dona Emília, que representam os orixás Iansã, Xangô e Oxum .

O nome Elefante como símbolo é em homenagem a Oxalá que segundo a crença protege este animal.

Os Maracatus mais antigos foram criados por negros trabalhadores rurais dos engenhos de Nazaré da Mata, trabalhadores dos canaviais.

Existem dois tipos de Maracatu:

Maracatu Rural ou de Baque Solto e Maracatu Nação de Baque Virado que diferem um do outro por seus personagens, organização e pelo ritmo. Este cortejo recria em terras brasileiras as antigas cortes africanas que ao serem escravizados conservaram suas raízes, mantendo seus títulos de nobreza.

Não tem um enredo nem dança é um cortejo ritmado pelos tambores com acompanhamento de percussão. Inúmeras figuras formam o cortejo, que trazem também figuras de outros autos, como o Mateus e a Catirina personagens do bumba meu Boi.

O cortejo é aberto pelo bandeireiro ou porta o estandarte que conduz o estandarte com o nome da entidade ou agremiação (Nação Pici, Leão Coroado, Rei de Paus e outros).

No cortejo estão o Rei a Rainha, a Dama do paço que leva nas mãos a Calunga, uma boneca de madeira ricamente vestida (a calunga representa uma antiga rainha ou uma divindade), o vassalo que leva o pálio, guarda sol ou sombrinha que protege os reis. Compõem ainda o cortejo, as iabás ou baianas e outros. Os batuqueiros acompanham o cortejo tocando diversos instrumentos como alfaias (tambores), caixas de guerra, xequerês, maracás, cuíca (também chamada de porca), zabumba e outros. Os caboclos de lança, figura que surgiu mais recentemente tem ganho bastante força, são caboclos que realizam movimentos com a lança em muitas direções e levam presos à roupa guizos ou chocalhos, dando uma marcação mais rápida ao Maracatu de Baque Solto.

No Maracatu Rural a parte musical é composta por mais instrumentos, além da percussão aparecem os metais (clarinete, saxofone, trombone, pistom).
É de notar que na maioria dos cortejos de Maracatu a Rainha é representado por um homem. É praxe pintar o rosto de preto.

Por que Homem? o traje da rainha é belíssimo, luxuosamente bordado com pedrarias e, portanto, muito pesado, chegando a 25 quilos, peso demasiado para uma personagem feminina. Outra explicação é de ordem social, quando os maracatus surgiram em final do século XIX não era permitido a mulheres saírem em cortejo. Num tempo de submissão da mulher, estas ficavam restritas às casas não sendo possível sua participação em cortejos de rua.

O Maracatu espalhou-se, veio da zona da mata para o litoral e espalhou-se para outros estados inclusive.

O Maracatu Cearense surgiu na década de 50 do século passado (não se tem registros de existir antes desta época), entretanto alguns autores acreditam já existir em final do século XIX com ligação com as Irmandades do Rosário.

É uma brincadeira bastante semelhante ao pernambucano, tem na sua estrutura o desfile da corte acompanhada pela percussão. Os integrantes da corte tem o rosto pintado de preto, e seu movimento é mais cadenciado e se destacam o balaieiro (levando na cabeça o balaio de frutas representando a fartura) e o casal de Pretos Velhos.


Fonte: blog do Rogério Bastos
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