Estou terminando de ler o livro Negros na Revolução Farroupilha (foto ao lado) de Moacyr Flores. O escritor é um contumaz contestador de tudo que se fala de bom do decênio épico que foi a Guerra dos Farrapos. Chegou a criar uma escola com alunos a preceitos como Tau Golin e Juremir Machado. O livro é composto de 79 páginas de ataques aos farroupilhas mais especificamente sobre a "traição em Porongos" e a "farsa em Ponche Verde".

Neste trabalho o escritor que tornou-se conhecido pelas polêmicas em relação a este episódio histórico (não conheço outra obra de destaque do autor sobre outro assunto) ele diz que os negros lutavam a pé (e a Primeira Brigada de Cavalaria dos Lanceiros Negros?), comiam e dormiam separados, que um negro nunca chegou a algum posto de comando dos farroupilhas (o negro José Mariano de Matos foi Ministro da Guerra e da Marinha e Vice-presidente da República Riograndense), que o estancieiro que mandasse um escravo para a guerra ficava isento de alistar seu filho branco e... assim vai.

Vamos dizer que TUDO isto que Moacyr Flores escreve seja verdade (eu corto pela metade), em nenhum momento ele, e seus asseclas, fazem referência ao momento histórico, que estes fatos aconteceram. No Brasil a "abolição" sucedeu-se quatro décadas após o término da Guerra dos Farrapos.

Não estou defendendo o comportamento de alguns líderes farroupilhas. Acho que, se algumas destas suposições aconteceram, elas devem ser estudadas, esclarecidas e condenadas.

Mas porque estou tocando neste assunto, hoje, uma segunda-feira primaveril de sol radiante?

Porque ontem a noite, antes de "garrar" no sono, estava vendo um documentário na TV fechada National Geographic sobre a Segunda Grande Guerras se referindo aos negros americanos que participaram deste embate.

Este documentário retrata que os soldados negros eram os mais valentes (iguais nossos Lanceiros) mas que eram discriminados pelos próprios compatriotas americanos brancos.

O 99° Esquadrão de Perseguição da aviação americana era composto somente de negros pois uma pessoa de cor não era bem-vindo num esquadrão de brancos. Tal esquadrão, por sua bravura, foi apelidado pelos alemães de Pássaros Negros.

Nos navios de guerra, somente os negros eram encarregados de carregar munição pois ficavam 4 andares abaixo do nível da água, sob uma escotilha fechada. Se o navio fosse atingido eles morriam afogados.

Um navio de guerra composto só de negros foi proibido de desembarcar num porto americano (se não me engano no Estado do Alabama) enquanto os soldados brancos de outros navios bebiam e dançavam na noite ao som de jaz e blues...

Em terra, os negros americanos compuseram o 92° Batalhão de Infantaria, chamados de Búfalos Negros, pois o comandante da tropas não queria negros lutando ao lado de brancos. Eram tratados, segundo o documentário, pior que leprosos.

Então, aqui, fazendo um comparativo, sem inocentar ninguém, eu reforço um detalhe: CONTEXTO HISTÓRICO

A Guerra dos Farrapos aconteceu em 1835 com a escravatura como lei vigente no Pais. Contudo, dentre os farrapos havia diversos abolicionistas como Antônio de Souza Neto que lutaram pela liberdade dos negros.

A Segunda Grande Guerra aconteceu em 1940 quando os negros americanos eram, legalmente, considerados "livres".

Um erro não justifica o outro só que fatos relevantes não podem ser esquecidos propositadamente ao se falar de história. 


Fonte: blog do Léo Ribeiro
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