Foi um Deus nos acuda! Em 2015, quando os primeiros casos de mormo em equinos vieram à tona no Estado, houve a suspensão de competições e o cancelamento de eventos inteiros. Juca Alves lembra bem. O presidente da Associação das Entidades Tradicionalistas de Canoas recorda que por causa da doença só foram levados ao rodeio 300 cavalos. “É que na época tudo isso era novidade e as análises de laboratório eram feitas somente em São Paulo, então muita gente não queria pagar e acabou retirando a participação do animais”, conta. Hoje, no entanto, a situação é bem outra.

De acordo com Alves, não há o que temer para a Semana Farroupilha que começa neste fim de semana. Todos os 600 animais que devem participar das festividades estarão devidamente vacinados e tratados contra o mormo e outras doenças. É que ficou mais fácil para os donos, segundo o presidente. Até os exames laboratoriais, antes feitos fora do Estado, hoje são todos realizados na Hípica de Porto Alegre. “Era complicado, mas não é mais”, tranquiliza. “Hoje se tira o sangue do animal e se leva ali em Porto Alegre, coisa que há dois anos era impossível.” É uma ótima notícia.

Milhares – Afinal, a Prefeitura de Canoas estima que aproximadamente 100 mil pessoas vão passar pelo Parque Eduardo Gomes na “semana” que vai de 9 a 20 de setembro. A invernada gratuita vai ter bailes, rodeios, competições, oficinas, música e comidas típicas. Tudo do jeitinho que o “vivente” gosta. “Vai ser uma festa bonita e quem gosta do nosso tradicionalismo não pode deixar de participar”, convida Alves, que reforça que o mormo já não preocupa como antes. “As pessoas só têm que se preocupar é em se divertir.”

Anemia infecciosa merece atenção, diz médico veterinário

Se o mormo que já apavorou a gauchada hoje já não causa tanto espanto, a anemia infecciosa, contudo, ainda faz o gaúcho tremer a bombacha. Isso quem diz é o médico veterinário Henrique Noronha, ligado Conselho Regional de Medicina Veterinária. Para ele, é importantíssimo que qualquer participante das comemorações garanta sua Guia de Trânsito Animal (GTA), que dá o direito para que qualquer um ande com o cavalo com segurança. “As vacinas e exames hoje têm a validade de pelo menos seis meses”, aponta. “E são a garantia para o cavaleiro não ver o animal sofrendo com mormo ou anemia.”

A preocupação com a anemia é maior, de acordo com Noronha, porque a doença não é de fácil identificação. Ao contrário do mormo, cujas sequelas podem ser identificadas até pela respiração do animal, o cavalo pode estar com anemia infecciosa sem que o dono perceba. “É aí que entra a camaradagem tão comum ao meio. Os peões têm todos que fiscalizar uns aos outros e não deixar um ginete colega sair de casa sem estar com o animal devidamente vacinado”, avisa. “A Semana Farroupilha é para ser comemorada e bebemorada sim, mas com responsabilidade. É preciso que quem não vacinou seu cavalo, nem tire ele da porteira, por segurança.”

Entenda o que é o mormo

O mormo é uma doença infecciosa que atinge, principalmente, os equinos. Ela é causada por uma bactéria que é rapidamente inativada pelo calor, raios solares diretos e por desinfetantes comuns. Sua sobrevivência pode ser prolongada em ambientes molhados e úmidos. A doença é transmitida pelo contato com material infectante, tanto diretamente com secreções do doente, quanto indiretamente por meio de bebedouros e comedouros. Ou seja, todo cuidado é pouco.



por Leandro Domingos
Fonte: Diário de Canoas

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