Milenar cultura gaúcha

Tadeu Vilani / Agencia RBS

Durante as comemorações do 20 de Setembro, quando a gente ainda estava sob o impacto do cancelamento da exposição Queermuseu, numa das redes sociais alguém se lembrou de levantar um brinde à “milenar cultura gaúcha”. 

Milenar cultura gaúcha, vírgula.

O Rio Grande do Sul foi um dos últimos lugares do globo a receber as benesses, digamos assim, da civilização – e como “civilização” definamos a influência vertical de determinados parâmetros europeus. Com efeito, o primeiro “civilizado” a pisar este território batido pelo minuano foi o brigadeiro português Silva Pais no ano de 1737, para fundar o forte de Jesus-Maria-José, hoje cidade de Rio Grande. Antes dele, nenhum outro europeu se havia aventurado.

Divididos entre a sofisticação e a grosseria, entre o letramento e o instinto, nós nos acostumamos a conviver com os opostos oferecidos por este verdadeiro final de mundo, sempre vendo o estudo como um ornamento, quase desnecessário, ao dinheiro que a criação de gado propiciava. Enquanto a Europa dava ao mundo Haydn e Kant, nós aqui cortávamos a garganta de nossos inimigos de orelha a orelha.

Ao me deparar com o tal brinde à “cultura milenar”, me dei conta de que tinha vivido iludida até aquele momento. Eu pensava que o Salgado Filho tinha cumprido a função mais nobre de um aeroporto, que é de servir de porta para o mundo. Era como se aquele monte de passageiros de excursão que a gente encontrava no embarque tivesse rumado em direção a museus e galerias e tivessem se acostumado com as práticas do Velho Mundo – coisa que só aconteceu na minha ingênua vontade.

Não houve excursões no mundo que domassem nossa gente tão xucra, que esclarecessem sobre a liberdade que não pode se subordinar ao moralismo. Com dor no coração, volto a perceber a falta de interesse pela informação, a falta de verniz, a falta de lustro, a falta de tato, a falta de tudo. Não bastasse a desinformação proposital (“Não vi e não gostei”), há ainda o adicional da grosseria, muita grosseria, uma estupidez tão grande, que dá vontade de dizer ao vivente que vá trocar as ferraduras.

Que triste, gauchada. E que vexame.


Fonte: portal GaúchaZH
Marcadores:

Postar um comentário

[blogger][facebook]

Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.