Monumento ao Tropeiro, em Rancho Queimado: personagem fundamental da integração do Sul do Brasil - Via Rancho Queimado/Divulgação/ND


Causou espanto, na semana passada, a assinatura, pelo governador Raimundo Colombo, da lei que institui a Semana Farroupilha em Santa Catarina, a ser comemorada anualmente entre os dias 13 e 20 de setembro. Espanto porque, em geral, o evento gaúcho tem pouco a ver com a história catarinense, embora existam no Estado mais de 3 mil piquetes de laçadores e mais de 600 CTGs (Centros de Tradições Gaúchas).

O autor do projeto, deputado Darci de Matos (PSD), explica que a lei tem o objetivo de atender a pedidos dos que cultuam as tradições gaúchas em Santa Catarina. A lei tem uma simbologia cultural, mas poupa o Estado da celebração do Dia do Gaúcho, 20 de setembro, que é feriado no Rio Grande do Sul.

A socióloga Lélia Nunes, pesquisadora da cultura catarinense, entende que a Semana Farroupilha é um evento tipicamente riograndense, ou seja, “não tem vínculo direto com Santa Catarina. Não nego a importância da Revolução Farroupilha e da própria cultura que se criou em torno desse tema histórico. Mas celebrá-lo no Estado me parece fora de propósito”.

Relevância social e cultural

O jornalista Celívio Holz, pesquisador do tradicionalismo e um dos dirigentes do MTG-SC (Movimento Tradicionalista Gaúcho do Estado de Santa Catarina), observa que na prática a Semana Farroupilha já era comemorada há muito tempo em Santa Catarina, de maneira informal, especialmente na região Oeste. “Há correntes do tradicionalismo que defendem a comemoração da Semana Juliana, em alusão à República Juliana, surgida em 1839, em Laguna, como reflexo da Revolução Farroupilha. Mas a Semana Farroupilha está dentro de um contexto sulista importante”.

Conforme Celívio Holz, o tradicionalismo tem relevância social, cultural e econômica. “Em muitos pequenos municípios os CTGs funcionam como pontos de encontro dos amigos, das famílias; as atividades representam um congraçamento importante”, diz. No geral, cerca de 500 mil moradores de Santa Catarina se envolvem em atividades relacionadas aos CTGs.

O pesquisador é coautor do livro “Memória Gaúcha – MTG-SC – 40 Anos Preservando os Valores Tradicionalistas”, com a historiadora Edinéia Pereira da Silva Betta.

Caminhos das Tropas

Lages e a Grande Florianópolis têm relação muito forte com a cultura campeira, por causa dos Caminhos das Tropas. No caso da Região Metropolitana da Capital, a estrada que, saindo de São José (onde hoje é São Pedro de Alcântara), ligava o litoral a Lages. Em Lages, havia também a rota de tropas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, seguindo mais ou menos o trajeto do que é hoje a BR-116.

Tropeiros eram os condutores do gado (das boiadas) e produtos em geral. Em Santa Catarina eles são homenageados com um monumento, em Rancho Queimado, inaugurado em 1993.

A Revolução Farroupilha

Revolução Farroupilha - ou Guerra dos Farrapos - foi um movimento que durou 10 anos, entre 1835 e 1845, expressando a revolta dos sulistas com o tratamento recebido do Império Brasileiro. A República Rio-Grandense, fundada pelos revoltosos, foi extinta depois de um longo período de batalhas e cerca de 48 mil mortos.

"Farroupilha" é derivada do termo "Farrapos", que era a designação dos opositores do governo imperial, em geral políticos liberais ligados ao meio rural (estancieiros). A data marcante da Revolução Farroupilha é 20 de setembro, quando os revoltosos tomaram o governo gaúcho.

A Revolução acabou em 1 de março de 1845, com a assinatura do Tratado de Poncho Verde.


por Carlos Damião
Fonte: portal Notícias do Dia
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