Shana Müller na 37ª Coxilha Nativista, em Cruz Alta
Foto: Sandra Müller/Divulgação

Por Shana Müller, RBS TV



No fim de semana que passou tive a oportunidade de voltar a Cruz Alta e participar da 37ª Coxilha Nativista. Já virou até meio slogan do festival destacar que é o festival mais antigo ininterruptamente no Rio Grande do Sul. Para muitos isso pode ser só um detalhe, mas na verdade merece um destaque nos tempos de hoje manter vivo um evento de cunho cultural, numa cidade do interior, gerido pela administração municipal, que independente de partidos o mantém como prioridade.

A questão dos festivais de música nativa sempre gera certa polêmica. Tem aqueles que acreditam que não há renovação, outros que afirmam que virou mercado de trabalho dos músicos e a criação ficou em segundo plano. Há ainda os que duvidam da idoneidade dos jurados, porque, afinal, a maior parte dos que ocupam essa posição em um evento, noutro estão no palco e muitas vezes com os parceiros que ontem estavam julgando.

Também tem os que enchem a boca para destacar o número de inscrições de músicas inéditas em cada edição, como se isso fosse sinal de qualidade (falei isso semana passada, né?) e os que querem participar e criticam a repetição de nomes nos palcos, ou seja, "são sempre os mesmos" (onde terá ido parar a humildade?). De certa forma, acho que todos têm um pouco de razão.

Há muito a ser revisto nesse formato criado na primeira Califórnia da Canção, que no decorrer de mais de quatro décadas, passou por algumas transformações.

Os tempos são outros. Fato!

Muitos de nós vivemos num saudosismo sem fim da fórmula que funcionou no passado para fazer as músicas irem além do fim de semana de cada festival no estado, ou mesmo de voltar a levar o público para dentro dos ginásios onde acontecem geralmente.

Talvez esse seja o principal desafio: voltar a fazer os festivais de música serem importantes para as cidades onde acontecem.

Já houve o tempo em que as famílias hospedavam em suas casas os artistas participantes, por exemplo; ou que as vitrinas das lojas eram enfeitadas para dizer "aqui todos estamos respirando nativismo". Já não é mais assim – pelo menos na maior parte das cidades.

Mas quem disse que essa é a única maneira de fazer dar certo? Pois Cruz Alta provou que é tempo de rever, remodelar, reinventar. A Coxilha Nativista encontrou uma forma diferente de fazer dar certo em 2017 (e certamente esses olhares para o novo têm feito os cruz-altenses não desistirem do seu evento maior).

O festival restringiu a participação dos intérpretes no festival: apenas uma música por cada. Para não prejudicá-los (prejudicar-nos), separou uma ajuda de custo para cada cantor.

A Coxilha Piá segue sendo um exemplo do palco que se preocupa com a renovação, bem como a fase local que incentiva a participação e o surgimento de novos talentos na cidade.

O Acampamento da Panelinha, marca registrada para a juventude no evento, se reacendeu com rodeio, jogo de truco e interagiu com os músicos que foram convidados a montar equipes apadrinhadas por cada "barraca" num concurso culinário chamado de "Mas que chef".

A cena instrumental, que falamos aqui semana passada, também chegou com destaque na realização da 1ª Coxilha Instrumental. Além de viabilizar financeiramente, a Lei Rouanet abriu espaço para a diversidade musical de eximios instrumentistas que também ofereceram oficinas musicais abertas ao público.

Teve ainda baile, os bares da cidade com shows dos músicos depois do evento, entrada franca para as arquibancadas, show regional, show nacional, a comemoração dos 20 anos da música "Batendo Água". Ufa! Quanta coisa boa!

Que bom quando a gente volta de um evento que prioriza a arte gaúcha cheia de detalhes para elogiar! Parabéns, Cruz Alta!

Parabéns a essa gurizada que assumiu a bronca com o conhecimento de sempre ter acompanhado o festival na plateia e nos bastidores. Esse é o know-how que precisamos para as coisas darem certo.

Ah, e de quebra, voltei ao palco onde cantei criança, para dividir a alegria de cantar "Eu também sou flor do campo", do Adriano Alvez e do Cristian Camargo, ao lado dos talentosos guris do quarteto Coração de Potro, do Pedro Kaltbach e do Lucas Esvael.

Ter meu filho, marido, pais, padrinhos e amigos na plateia e voltar de lá com o Prêmio de Melhor Intérprete, que leva o nome do Marcos Costa, cantor da cidade que nos deixou precocemente e que tive a honra de dividir o palco em uma fase local da Coxilha.

Ah, e tenho certeza que um baita disco vai sair do festival!

Sigo acreditando que nada é por acaso nessa vida!

Até semana que vem meu povo!


Fonte: #Posteira - Galpão Crioulo no GShow
Axact

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