Muitas vezes quando estamos procurando uma informação aqui ou outra ali, folhando um livro ou outro, independente de quem seja o autor, paramos para pensar: por que afinal escrever sobre Danças Gaúchas? Por que falar sobre cultura gaúcha? Por que retirar informações de livros já escritos, para criar novos pontos de vista?

E foi assim que percebemos que na verdade estamos fazendo o simples. Apenas escrevendo para um blog, e que na verdade outras pessoas estão fazendo o trabalho mais árduo, de nos trazer novas literaturas para consulta e consequentemente, aprendizagem.

Falo especificamente de dois nomes: Cristiano Silva Babosa (autor de "Tropeirismo Biriva: História, Canto e Dança" e "Bailar Gaúcho: Entre a Técnica e o Sentir") e Toni Sidi Pereira (autor de "Danças Folclórica & Tradicionais Gaúchas - Uma Proposta Pedagógica").
 
Essas duas figuras diretamente ligadas com o tradicionalismo aqui do nosso estado, e mais diretamente ligados a dança durante muitos anos estão pouco a pouco trazendo novas visões para o campo da Autenticidade do Gaúcho e do ensino de nossas Danças.

Conversamos um pouco com cada um, e deixamos abaixo alguns comentários importantes.
 
EV: Temos uma vasta literatura, desde Cezimbra Jacques, Paixão Côrtes, Barbosa Lessa, Maria Giffoni, Augusto Meyer... Por que escrever novos livros? O que te motivas a trazer para o público uma nova visão sobre Danças, porém com fundamentação histórica, sem querer reinventar ou então inventar novas "modas"?
 
TONI: O principal objetivo de escrever sobre Danças Gaúchas  pode ser resumido em “uma simples tentativa de auxiliar o trabalho dos interessados em ensinar danças gaúchas, assim como aos que já ensinam a refletirem sobre seus métodos de ensino”.
 
É parte  do sonho de estimular aos professores a usarem as danças gaúchas como componente lúdico, capaz de oferecer aos alunos um importante instrumento pedagógico para o desenvolvimento corporal, além de contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem.
 
Algumas indagações para refletir:
 
Por que será que as danças gaúchas raramente fazem parte de nosso sistema
escolar?
 
Até que ponto as danças gaúchas podem auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem?

Por que os professores, raramente, utilizam-se das danças gaúchas como um meio para exercício da corporeidade de seus alunos?
 
Acredito que parte desse desinteresse se dá por existirem poucas obras - que tragam um conjunto de informações sobre suas formas de ensino - e materiais didáticos, que realmente auxiliem o entendimento de nossa cultura como um todo, desde o simples executar de um passo de dança até o verdadeiro interpretar um tema campesino.
 
CRISTIANO: Além destes citados, eu acrescentaria ainda Dante de Laytano, Câmara Cascudo, Manoelito de Ornelas e Moises Velino, esses deixaram preciosos registros, e muitas vezes são esquecidos por nós.
 
Eu sempre fui uma pessoa que não aceitei certas “lacunas” que temos em nossas pesquisas, especificamente nas danças de projeção folclórica. Para poder responder minhas dúvidas, restou me o estudo e a leitura. Paralelo a isso, fui convidado a fazer parte da equipe técnica da CBTG e posterior MTG, e me apresentaram a uma literatura que até então não conhecia, e fui tirando conclusões, de dúvidas que a anos eu carregava. Em contrapartida a isso, surgiram outras tantas, mas isso faz parte do processo de pesquisa.
 
Nunca foi minha intenção dizer o que é certo ou errado, nem é esse o objetivo dos meus livros, escrevo para que todos nós possamos ter mais um material de pesquisa, e que façamos um paralelo com obras já escritas.​

EV: Estamos em uma fase de movimentação. Talvez seja uma das épocas que mais tem-se pensado onde estamos e onde queremos chegar, e essa força parte não só do MTG, mas de CTGs também, como o Brazão do Rio Grande fez no domingo passado, com a palestra sobre Indumentária. O que tu pensas sobre esse assunto?
 
TONI: Acredito que os tradicionalistas não devem ser “Massa de Manobra” e sim ”Massa Critica”.
 
As danças não devem apenas buscar a “Estética do Belo”, mas a autenticidade.
 
Não podemos parar de questionar e pesquisar sobre nossa Cultura, estamos em uma época onde a informação pode ser rapidamente multiplicada através dos meios de comunicação e redes sociais, mas informação não significa Conhecimento.
 
Muitas informações não são validas e verdadeiras, desta forma cada vez mais é muito importante beber na fonte. Quem mais pesquisou e foi a campo foram os mestres Paixão Cortês e Barbosa Lessa e são a principal fonte de informação confiável sobre nossas danças e nossa Cultura.

Hoje estamos mais esclarecidos verificando e revendo o que fizemos até aqui e realmente nos questionando sobre onde e o que queremos com nossos festivais. Novos estudiosos fundamentados em obras conhecidas estão publicando novos trabalhos com embasamento e uma literatura mais acessível e didática, mas sem pretensão de anular as grandes obras que sempre serão as principais fontes de estudo.
 
Não podemos esquecer que quando levamos para o palco, apresentações de dança ou qualquer tipo de manifestação artística que represente a autenticidade do gaúcho, a responsabilidade aumenta, pois estamos representando a cultura de um povo.
 
Qualquer estudioso que quiser entender as danças tradicionais gaúchas, com maior clareza, não deve se basear nos dias atuais, mas deve levar em consideração a época, a geografia do nosso Estado e a distribuição dos nossos colonizadores, seus objetivos, dificuldades e necessidades.
 
CRISTIANO: Isso é um processo que a tempos vêm acontecendo, temos entidades e pessoas que editaram livros e realizaram cursos por anos, o Nito com o CTG Galpão Serrano de Flores da Cunha, o Paulo e a Gabi com o CF Os Riograndenses de Campos Borges, o Rui Arruda com CTG Os Praianos de São José – SC o Elton Carlos do Anjos com o CTG Índio José de Santa Rita - Paraguai, o CTG Pampa do Rio Grande, o Giovane Pereira com o ACTG Portal da Serra de Dois Irmãos, etc.
 
Fico feliz em ver o Brasão, como carinhosamente é chamado por nós, fazendo esse trabalho, e a justa homenagem ao Paixão, pois sabemos da história que essa entidade tem com o movimento. O que diferencia os dias atuais dos tempos mais “antigos”, é que hoje há um reconhecimento do MTG em função do FEGADAN.

EV: O que podemos esperar daqui para frente, referente a possíveis novas obras? Existe algo em mente?
 
TONI: Eu pessoalmente admiro as pessoas que escrevem ou se arriscam a escrever sobre os temas gauchescos, em qualquer área, pois realmente hoje me parece um mercado apenas interno produzido e consumido apenas pelos tradicionalistas.
 
Pessoalmente gosto e estudo de forma intensa sobre a didática e metodologia de ensino de nossas danças, matéria que ainda pode render vários estudos, pois acredito que o método de ensino aprendizagem de nossas danças ainda esta sendo realizado de forma empírica na maioria dos casos.
 
Como as obras que estão disponíveis trazem muito material ainda a ser explorado acredito que teremos vários trabalhos de conteúdo importante que será publicado.
 
Em primeiro momento estamos Cristiano Barbosa e eu com um material sendo avaliado pelo MTG, que se aprovado não será uma obra minha ou do Cristiano, mas uma obra do MTG, ou seja, de todos nós.
 
O que posso adiantar é que não será uma obra que se preocupe com Festivais ou concursos, mas um material de resgate e se possível de distribuição gratuita pelo MTG.
 
CRISTIANO: Na verdade estamos trabalhando um novo livro em parceria com o Toni Pereira, já está sob apreciação do Departamento de Pesquisas do MTG-RS, mas esse é um projeto diferente, como diz Paixão Côrtes: “ o que é do povo deve voltar para o povo”.
 
Além desse, tenho mais dois projetos, mas não serão de temas voltados ao tradicionalismo.


Fonte: portal Estância Virtual
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