Livro sobre o projeto NósOutros Gaúchos lançado no Salão de Festas da Ufrgs

Em grafite sobre papel, Francis Pelichek retratou a figura do pastor com ovelhas diante de um rio ACERVO DA PINACOTECA BARÃO DE SANTO ÂNGELO/ACERVO DA PINACOTECA BARÃO DE SANTO ÂNGELO/DIVULGAÇÃO/JC - Jornal do Comércio


Caroline da Silva

O Salão de Festas da Ufrgs (Paulo Gama, 110 - 2º andar) foi palco, na última quarta-feira (12), para o lançamento do livro derivado do projeto ocorrido no local em 2015, apresentando cinco encontros com intelectuais discutindo elementos formadores da cultura regional. O evento foi realizado através de uma roda de conversa aberta com alguns dos integrantes de NósOutros Gaúchos: as identidades dos gaúchos em debate interdisciplinar (Ed. Ufrgs, 352 págs.).

NósOutros Gaúchos - uma parceria entre o Departamento de Difusão Cultural da universidade e o Instituto Appoa (Associação Psicanalítica de Porto Alegre), com apoio cultural da Celulose Riograndense - também promoveu um ciclo de cinema, performances de dança e espetáculos de música (Vitor Ramil e Renato Borghetti e a Fábrica de Gaiteiros), além de disponibilizar um site com textos e vídeos dos encontros.

A publicação tem como organizadores Sinara Robin (doutora em História e socióloga da Ufrgs) e Jaime Betts - psicanalista e ex-diretor do Instituto Appoa. O livro é fruto de um ciclo de palestras em que a questão das identidades gaúchas foi debatida em uma perspectiva interdisciplinar. "Foram levantados múltiplos aspectos das nossas identidades, tocando em muitos mitos, que tendem a somar a parte pelo todo, como se os gaúchos fossem só a imagem tradicional da figura divulgada do gaúcho. Os aspectos apresentados desmistificam isso e ajudam a diminuir o grenalismo, a oposição intrínseca que existe na cultura gaúcha", avalia Betts.

Do campo da História, participaram Tau Golin e os professores Cesar Augusto B. Guazzelli e José Rivair Macedo. Da Música, foram convidados José Miguel Wisnik, Pedro Figueiredo e Pirisca Grecco. Paulo Gomes analisou as artes visuais; e Luís Augusto Fischer, a literatura. Maria Ivone dos Santos e Mario Corso foram nomes presentes, entre tantos outros, como Rualdo Menegat, da área da Geografia.

"O livro foi uma tradução dos encontros, respeitando a questão da oralidade, do ambiente de debate, porque ele é cheio de imagens. Tentamos reproduzir aquela ambiência e fazer a transcrição da fala dos convidados", explica Sinara, acrescentando que, desde o início da ideia, foi projetada a intenção de publicar as atividades. "Foi a nossa proposta, que toda aquela ambiência continuasse dialogando em torno desta temática. Mas o resultado dela, agora, foi fruto da caminhada, a questão de ter gravado todas as imagens e áudios de todos os debates, todo o percurso."

Segundo Betts, os leitores terão a oportunidade de contextualizar as discussões todas com peças - reproduzidas no livro - da produção artística do Rio Grande do Sul, cujas obras fazem parte do acervo do Instituto de Artes da Ufrgs: "Além disso, vão poder refletir sobre seus próprios posicionamentos, pré-conceitos e vícios em torno de sua identidade e a daqueles que estão à sua volta, ampliando as possibilidades de diálogo nesse sentido, de reconhecimento e aceitação das diferenças".

Sinara afirma que as identidades estão sempre em movimento. Ela reconhece que muitos discutem e já publicaram sobre essa temática, que ela está em muitos lugares. "A ideia era construir essa densidade de questões e que a arte também fosse uma voz, uma presença", completa a socióloga, destacando que a arte não foi apenas uma ilustração, ela também foi um elemento de análise, conversando sempre junto. "A performance dos alunos do grupo da professora Inês Marocco foi pensada na corporeidade e nas técnicas corporais do gaúcho; e a (atriz) Deborah Finocchiaro trouxe texto pensando todas essas questões; o cinema também fez esse diálogo."

O mito, o gentílico, as raízes, os conflitos pautaram as abordagens, "não para procurar respostas, mas para debater sobre esse volume que a ciência, a literatura e os suportes artísticos todos fazem, cada um com as suas metodologias", conforme Sinara.

A obra ficará acessível aos interessados em um e-book gratuito, que será divulgado no endereço do projeto (www.ufrgs.br/difusaocultural/nosoutrosgauchos) e no e-mail appoa@appoa.com.br.


Fonte: Jornal do Comércio
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Italo Dorneles

{picture#https://scontent.fcwb2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20031980_1559156280771539_4826566830380784332_n.jpg?_nc_cat=0&oh=31056e35fc0ba042b61a3b826bd6d603&oe=5BD0DC01} O editor Ítalo Oliveira Dorneles é gaúcho, natural de Canguçu e hoje residente e domiciliado em Arroio Grande. Advogado, atua nas mais diversas áreas do Direito. Apaixonado pela cultura gaúcha, já participou (como integrante e ensaiador) de diversos grupos de danças e também participou de festivais de declamação. Desde 2008 edita, administra e mantém o PROSA GALPONEIRA. {facebook#https://www.facebook.com/italo.dorneles} {twitter#http://twitter.com/italodornelesrs} {google#https://plus.google.com/+ÍtaloDorneles} {youtube#http://www.youtube.com/c/%C3%8DtaloDorneles} {instagram#https://www.instagram.com/italodornelesrs}

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