O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, determinava que as terras até 370 léguas das ilhas de Cabo Verde pertenciam a Portugal, enquanto o resto da América seria dada a Espanha.
    Os grupos que pertenciam aos Guaranis eram Tapes, Arachanes, Patos e Carijós. A ocupação era o centro do Estado, noroeste e litoral, nos vales dos rios e margem das lagoas. Se alimentavam de moluscos, frutas, raízes e mel, e cultivavam milho e aipim. Viviam em aldeias, ocas coletivas e dormiam em redes, guardando objetos nos jiraus. O homem preparava a coivara (queima da vegetação e preparação do solo para plantio), a mulher plantava e semeava. Cultivavam o milho, a mandioca, o feijão, a abóbora, a batata-doce, o amendoim, o fumo e o algodão. Coletavam erva-mate e frutos. Armavam-se de arco, flecha, tacape, lança, boleadeira e caçavam em grupo.
    Os Gês ou Jês são talvez a tribo mais antiga que habitava nosso território, começando a se instalar no RS por volta de II a.C.. Habitavam os Campos de Cima da Serra e a região do Alto Uruguai, tendo preferência pelas zonas de araucárias, pois o pinhão constituía a base de sua alimentação. Eram chamados de bugres pelos europeus, e eram formados principalmente pelos guaianás, coroados, pinarés, ibyaras, gualachos, botocudos e caraguás. Eram dirigidos por um chefe feiticeiro e dividiam-se em dois grupos de trabalho (clãs): Clã do Sol (caçadores) e Clã da Lua (guerreiros). Praticavam a poligamia, moravam em casas de palha, mas no inverno faziam casas subterrâneas, buracos de 2 metros de profundidade por 5 metros de largura protegidos por galhos de árvores e folhas de palmeiras. Foram destruídos por epidemias de origem europeia e africana, bem como pela ação dos bandeirantes, guaranis missioneiros, colonizadores portugueses e ítalo-germânicos nos séculos XVII e XVIII.
     Os Pampeanos era um grupo formado principalmente por charruas, minuanos, chanás, iarós, mbohanes e guenoas, eram em menor número no estado, vivendo no sul e sudoeste do atual RS, na totalidade da atual República Oriental do Uruguai, nos cursos inferiores (foz) dos Rios Uruguai, Paraná e da Prata. Eram nômades, construíam suas tendas de esteira de junco, geralmente perto dos rios ou banhados, pois praticavam somente a caça, a pesca e a coleta, e não a agricultura. Alimentavam-se de aves, peixes, animais e crustáceos, coletando frutos e sementes. Praticavam a poligamia. Quando entraram em contato com o gado e o cavalo, tornaram-se exímios cavaleiros, usando como armas a boleadeira, a lança e a flecha.
    As primeiras reduções brasileiras ocorreram onde hoje é o Paraná, as missões do Guairá, perto de Assunción, no Paraguai. Tais aldeamentos logo foram atacados por bandeirantes (liderados por Manuel Pretto e Raposo Tavares) em busca de indígenas para trabalhar nas lavouras em São Paulo e outros locais do Brasil, principalmente os Guaranis, por serem bons agricultores.
     A primeira delas foi São Nicolau de Piratini, em 1626, fundada pelo padre uruguaio Roque Gonzáles de Santa Cruz.
    Logo os bandeirantes as descobriram e começaram a sequestrar indígenas novamente. Em 1641, os jesuítas fogem para a margem oeste do Uruguai, atual Argentina. Na fuga, os jesuítas foram obrigados a deixar a maior parte do gado que criavam (trazido para o RS em 1634 pelos padres Cristóvão de Mendonça Orelhano e Pedro Romero) para trás. Este se reproduziu livremente, originando uma grande reserva de gado chimarrão (selvagem) na faixa sudoeste/sul do estado, a Vacaria do Mar.
    Em 1682 os jesuítas voltaram ao RS e fundaram os Sete Povos das Missões (também chamadas de Missões Orientais), um conjunto de missões próspero que concentrou cerca de 40 mil indígenas. Ali os jesuítas introduzem o gado, formando uma nova reserva chamada de Vacaria dos Pinhais. 
    Em 1680, D. Manuel Lobo, a mando de Portugal, funda a Colônia de Sacramento, na margem oposta do Rio da Prata, em frente a Buenos Aires. Segundo o Tratado de Tordesilhas, as terras pertenceriam à Espanha, e esta tentou diversas vezes expulsar os portugueses, sem sucesso.
     A fim de prestar ajuda a Colônia de Sacramento e explorar o gado rio-grandense, o paulista bandeirante Domingos de Brito Peixoto e seu filho Francisco fundaram em 1684 a vila de "Santo Antônio dos Anjos de Laguna", no litoral de SC.
    Para proteger o território do RS dos castelhanos, o brigadeiro José da Silva Paes, militar português, funda em 19 de fevereiro de 1737 o Forte Jesus-Maria-José, que deu origem à cidade de Rio Grande, pois possibilitou o povoamento da região e facilitava o comércio do gado e a vinda de contrabando do Prata, além de servir de elo entre Laguna e a Colônia de Sacramento. Até 1763, não entravam no porto navios comerciais. Mais tarde, em 1760, Rio Grande se torna a sede da Capitania.
    O Tratado de Madrid, redigido em 1750 pelo brasileiro Alexandre de Gusmão, foi assinado em 1750 por Portugal e Espanha, modifica o Tratado de Tordesilhas e determina a troca da Colônia de Sacramento, em posse de Portugal, pelos Sete Povos das Missões, em posse da Espanha. Foi anulado elo Tratado de El Pardo em 1761, pela dificuldade em expulsar os missioneiros e atritos entre portugueses e espanhóis, assim Portugal recuperou a Colônia de Sacramento.
    Jesuítas e indígenas reivindicam suas terras perante o Tratado de Madrid e passam a lutar contra as tropas espanholas e portuguesas, originando a primeira guerra no território sul rio-grandense, a Guerra Guaranítica, de 1754 a 1756.
    Entre os indígenas, destacou-se o herói Sepé Tiaraju, autor da frase “Esta terra tem dono. A recebemos de Deus e de São Miguel. Nenhum estranho lhe porá a mão”. Sepé Tiarajú morreu em 7 de fevereiro de 1756, em uma escaramuça junto a Sanga da Bica, no atual município de São Gabriel. Foi substituído por Nicolau Nhenguiru. Três dias depois a Guerra acaba, na batalha de Caiboaté (os indígenas foram massacrados), em 10 de fevereiro de 1756. Os indígenas queimaram seus lares e igrejas, refugiando-se nas matas.
    O Tratado de El Pardo, em 1761, anulava o Tratado de Madrid, e os indígenas retornaram as missões, mas completamente diferentes.
    Em 1777 os portugueses foram obrigados a assinar o Tratado de Santo Ildefonso, que dava a Colônia de Sacramento e as Missões a Espanha. Em 1801, foi assinado o Tratado de Badajoz, onde os portugueses conquistam o território das Missões e a Colônia de Sacramento fica em definitivo para a Espanha.
    O "Tropeiro Símbolo do Rio Grande do Sul" é Cristóvão Pereira de Abreu, o principal tropeiro da época.
    Em 1730, as primeiras estâncias (fazendas para criação de animais) surgiram, localizadas principalmente nos campos de Viamão, onde Portugal distribuiu as sesmarias.
    A primeira sesmaria foi erguida em Tramandaí, em 1732, por Manoel Gonçalves Ribeiro, nos chamados “Campos de Viamão”. Após a criação do Forte Jesus Maria José, foram doadas sesmarias ao longo do rio Jacuí, Laguna dos Patos e Litoral. Em 1777, estendiam-se por toda a extensão da Laguna dos Patos.
    A maior parte do charque gaúcho era produzido ao longo da região da Laguna dos Patos e da Lagoa Mirim, destacando-se Pelotas, onde foi fundada a primeira charqueada, em 1780, pelo português José Pinto Martins. A produção escoava pelo porto de Rio Grande.
    O 1º Presidente da Província foi o Mal. João de Deus Mena Barreto. Por decreto de 27 de abril de 1809 o território foi dividido em quatro vilas: Porto Alegre, Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha e Rio Pardo.
    O primeiro povoado açoriano foi Taquari. Outros açorianos se instalaram as margens do Guaíba em 1752, dando origem a um povoado que foi chamado primeiramente de Porto de Viamão, mais tarde Porto dos Casais, Porto do Dornelles e finalmente Porto Alegre.
    Cidades colonizadas por açorianos: Porto Alegre, Rio Grande, Caseiros, Triunfo, Taquari, Rio Pardo, Estreito, São José do Norte.
    A primeira leva de alemães chegou em 25 de julho de 1824, instalando-se primeiramente no Rincão do Canguaçu (Pelotas). Dado o insucesso da lavoura, foi transferida para as margens do Rio dos Sinos, onde também fracassou, por culpa das administrações infelizes. Então, José Feliciano Fernandes, presidente da província na época, transferiu as famílias para a Real Feitoria do Linho e Cânhamo (posto comercial que foi uma tentativa do governo português de obter fibras para uso têxtil), criando a Colônia Alemã de São Leopoldo, em homenagem a imperatriz D. Leopoldina.
    Os alemães fundaram cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Santa Cruz do Sul, São Sebastião do Caí, Lajeado.
    Atraídos por comentários positivos e terras prometidas, italianos chegaram ao Brasil em 1875. A maior parte é mandada as fazendas de café em São Paulo, e o resto foi enviado a Porto Alegre. Os imigrantes italianos povoaram a Serra Geral e a encosta do Planalto Rio-Grandense, locais de difícil acesso, onde fundaram suas primeiras colônias, Conde D’Eu (atual Garibaldi) e D. Isabel (hoje distrito de Bento Gonçalves).
    As cidades de origem italiana são Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi, Encantado, Carlos Barbosa.
    Em 20 de setembro de 1835 os grandes pecuaristas gaúchos, liderados por Onofre Pires e Gomes Jardim, revoltam-se contra o governo central, acampam na Azenha e invadem Porto Alegre, derrubando o presidente da província Fernandes Braga (que foge para Rio Grande levando tudo o que havia nos cofres públicos) e dando início a Revolução Farroupilha.
    Após a Batalha do Seival (10 de setembro de 1836), em 11 de setembro de 1836 Antonio de Souza Neto proclama a República Rio-Grandense na Câmara Municipal de Jaguarão e entrega a presidência a Bento Gonçalves da Silva, que não a aceita pois, em 4 de outubro, é preso na Batalha da Ilha do Fanfa, derrotado pelas tropas de Bento Manoel. Assume em seu lugar Gomes Jardim.
    Durante a guerra, o porto marítimo de Rio Grande foi bloqueado pelo império, então o charque gaúcho passou a ser vendido pelo porto de Montevidéu, no Uruguai. A necessidade de apoio e de um porto próprio leva Davi Canabarro e Giuseppe Garibaldi a invadirem Laguna em 29 de julho de 1839 e proclamar a República Juliana. Para isso se utilizaram dos barcos Farroupilha (barco austríaco tomado por Garibaldi que o rebatizou) e Seival (barco usado para invasão), que foram transportados por terra até Laguna utilizando-se de carretas puxadas por mais de 200 bois.
    Na República Rio-Grandense, os farroupilhas não libertavam seus escravos, mas sim davam a eles duas opções: continuarem cativos como propriedade do Tesouro da República ou serem libertos se ingressassem no Exército Rebelde. Os negros que escolheram a segunda opção formaram os dois corpos dos Lanceiros Negros, cerca de 400 homens. Tiveram atuação importante na Batalha do Seival e faziam uso do bichará como escudo.
    A Revolução Federalista foi uma guerra civil ocorrida inicialmente no Rio Grande do Sul, entre 1893 e 1895, durante o governo do presidente Floriano Peixoto, opondo dois grupos da oligarquia rural pelo controle político do Estado. Foi também um conflito extremamente violento – dez mil mortos em uma população de um milhão de pessoas – e devido ao ato de degolar os combatentes vencidos de ambos os lados, ganhou também a alcunha de Revolução da Degola.
    Um dos lados em disputa era formado pelos republicanos ou pica-paus (devido ao uso de roupas azuis e quepe vermelho), organizados em torno do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) e tendo como principal líder o governador do estado, Júlio de Castilhos.
    O ano de 1923, no Rio Grande do Sul, foi marcado  pelo confronto, entre os assisistas e borgistas, conhecido como Revolução de 23 ou Assisista. O primeiro grupo, compondo a oposição, era formado pelos dissidentes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) e antigos federalistas (maragatos), reunidos, sob a liderança do diplomata e pecuarista Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857- 1938). O segundo grupo, composto por chimangos (antigos pica-paus), era liderado por Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961) que governou o Estado, por mais de 20 anos, de forma ditatorial.
    A Revolução de 1923 teve a duração de 300 dias, totalizando vinte e um combates, nos quais se perderam mais de mil vidas.  Este confronto possui causas e origens semelhantes às da Revolução Federalista (1893-1895), na qual a questão fundamental era o caráter político-ideológico e a disputa pelo poder.
    O termo chimango (lenço branco), que se refere a uma ave de rapina magra e de nariz comprido e curvo - muito comum dos pampas - ficou consagrado na obra do médico, político e jornalista Ramiro Barcelos (1851-1916), cujo título é Antônio Chimango.
     O termo maragato (lenço vermelho) está ligado aos seguidores do líder político Gaspar Silveira Martins (1835-1901) que fundou, em 1892, na cidade de Bagé, o Partido Federalista (PF), antigo Partido Liberal, durante o Império, que fazia oposição ao Partido Republicano Rio-grandense (PRR), liderado por Julio Prates de Castilhos (1860-1903).
    O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão. Em 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que libertava todos os escravos do país. No Rio Grande do Sul, a libertação aconteceu em 1884, mas a maioria teve que trabalhar de graça para seus senhores por mais cinco anos.


Fonte: blog Cantinho Gaúcho, de Carolina Bouvie
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