A bota sempre fez parte do uso e costume dos Gaúchos aqui no Rio Grande do Sul, inclusive tendo sido herdada de outros povos em função da sua funcionalidade.

As botas, basicamente, podem ser separadas em três principais tipos, sendo elas: Bota de Garrão de Potro, Bota Russilhona e Bota Forte.

É verdade que cada vez menos se vê alguém usando bota durante o dia-a-dia, muito por sua falta de função.

Então se tu quer saber um pouco mais sobre os tipos de botas e as suas funcionalidades, CONTINUA LENDO que com certeza alguma coisa boa tu vai tirar.


1 – Bota Garrão de Potro:

Teve o início de seu uso mais ou menos pelo século XIX, onde o viajante Nicolau Dreys registrou: “suas botas são de ordinário fabricado da pele crua tirada inteira da perna de um cavalo ou boi, secada depois sobre uma forma grosseira e amarrada fortemente na extremidade inferior para formar a ponta do pé.”

De forma bem resumida, a bota de garrão de potro era mais simples, mais fácil de conseguir, mais barata e mais prática.

Durava menos, é verdade, mas com grande número de animais livres no campo pra o xirú véio derrubar  e tirar o couro, ficava mais barbada do que ter que achar alguém que produzisse as botas prontas, que na maioria das vezes custavam caro e demoravam muito para serem finalizadas.

A bota de garrão de potro não possui solado e nem salto, o que a fazia ter contato direto com o chão, e dessa forma, se destruía com grande facilidade.

E che, se tu já usou uma garrão de potro pra dançar, sabe como é, tu sente cada pedra que pisa, e fora que se ela molhar, demora um tempão pra secar e vai se desmanchando.

Aos poucos, pela perda de sua funcionalidade, foi caindo em desuso ali por volta de 1850.





2 – Bota Russilhona

A Bota Russilhona é uma variante da Bota Forte que falarei a seguir, com a diferença do seu cano.

O nome é dado porque “vem do couro da Rússia”, onde na verdade não achei mais nenhuma informação sobre, mas resolvi comentar porque acho que é melhor que nada...

Era utilizada muito pelos bandeirantes nos séculos XVII e XVIII e também foi aderido o uso pelos Tropeiros, principalmente por sua funcionalidade.

“Mas qual a diferença che, diz logo!”

A Russilhona possui o cano que vai até a metade da coxa, onde protegia a roupa do índio véio, e ficava melhor para atravessar banhados por exemplo.

Na época não se usava bombacha, então a russilhona servia para proteger o xiripá ou as calças. De forma prática, ela servia pra proteger melhor.

Diz que com uma russilhona e um poncho, até um dilúvio se aguenta...


3 – Bota Forte:

A bota forte que encontramos por aqui foi trazida pelos colonizadores europeus, principalmente por militares.

“A bota forte, feita de couro, tinha como os demais calçados produção artesanal doméstica e era de custo significativo, sendo usada por aqueles de certa posse ou de representatividade social. Somente a partir da metade do século XIX é que a produção em massa se intensifica, com o desenvolvimento de máquinas especializadas.” (Paixão Côrtes, Gaúcho: Danças, Traje, Artesanato)

Este modelo é similar ao utilizado hoje em dia, com taco, solado em borracha ou outro material com boa aderência.

Há também as botas que o pessoal da CHULA usa, com biqueira mais reforçada pra aguentar o tranco, fora todas as outras costuras que são mais caprichadas.

Da mesma bota, existe a variação da Sanfonada, que o cano é parecido com uma gaita, além da Bota Lageana, que ao invés de fivela na lateral para aperto, é feito por um barbicacho, semelhante ao usado no chapéu.





4 – O Desuso das Botas

Como a maioria dos gaúchos de hoje não possui sua vida no campo (uma realidade, principalmente graças ao êxodo rural) a bota passou a não ter mais a mesma função.

Utilizá-la durante suas rotinas normais como trabalhar, ir ao mercado e etc... não possui grande vantagem, em vista que de longe nunca foi um calçado dos mais confortáveis, além de ser quente no verão e frio no inverno.

Claro que quem ainda vive da lida do campo continua as utilizando, mas também com menor frequência. Muito se vê a indiada com aquelas botas de borracha “sete léguas”, ou então com uns “coturnos” que são mais confortáveis que tênis acredito eu.

Não é que o uso da bota vai morrer, mas é fato, que o as pessoas sempre utilizam o que é mais funcional para si, logo, a bota cada vez será menos utilizada...


Fonte: portal Estância Virtual
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