REFLEXÕES NECESSÁRIAS
IDEOLOGIA DO TRADICIONALISMO GAÚCHO
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

O Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG tem suas origens remotas ainda no século XIX. As primeiras iniciativas não alcançaram abrangência significativa e nem se consolidaram como um “movimento” coordenado e com objetivos tão claros e definidos que pudessem criar raízes sólidas no meio social. Desse período destacamos a criação do Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, criado em 1898 sob a liderança de João Cezimbra Jacques, o Patrono do Tradicionalismo Gaúcho.

Em meados do século XX, a partir da reação à invasão cultural, especialmente norte-americana, um grupo de jovens interioranos vivendo em Porto Alegre, cria uma agremiação denominada 35 Centro de Tradições Gaúchas que estabelece novo e definitivo padrão para as iniciativas tradicionalistas. A definição clara dos objetivos e a nomenclatura específica e inovadora dão ao 35 CTG a condição de pioneirismo, mesmo que outras entidades tenham sido criadas antes.

A partir de 1948 surgem os CTGs, em todos os cantos do estado e em vários locais do Brasil, invariavelmente organizados à imagem e semelhança do “Pioneiro”.

Graças ao trabalho incansável dos fundadores, daquilo que podemos chamar de “tradicionalismo moderno”, surgiram os congressos tradicionalistas que proporcionaram o exaustivo debate e posterior fixação dos objetivos gerais, das metas a serem alcançadas, dos princípios norteadores, dos valores a serem preservados e da estrutura ideal para consolidação e perpetuação de tudo isso.

É dos congressos que emergem documentos tidos como fundamentais e indispensáveis ao MTG: as “teses” que fazem reflexão sobre o sentido, o valor, o alcance social ou as razões do tradicionalismo, tais como “O sentido e o valor do tradicionalismo” de 1954 e “O sentido e o alcance social do tradicionalismo” apresentado em partes, nos anos de 1995 a 2004; a “Carta de Princípios”, que define os objetivos e estabelece parâmetros e limites do Movimento; e os “planos” que tiveram a finalidade de reorientar, revitalizar e fixar posição do Movimento Tradicionalista, tais como o “Plano Vaqueano” de Hugo Ramirez em 1969 e o “Plano de Ação social” de Onésimo Carneiro Duarte em 1983.
 
 
 
Constatamos que o tradicionalismo gaúcho, ao longo de sua história, soube discutir as questões vitais para a sua preservação e fortalecimento. Ele sempre soube encontrar caminhos que conduzissem os tradicionalistas e as entidades em torno das quais esses se reúnem, para caminhos seguros. Utilizando uma linguagem atualmente muito empregada no meio empresarial, podemos dizer que o Movimento soube “reinventar-se”.

É claro que as ações de “reinvenção” ou de “reengenharia” sempre foram mecanismos utilizados para melhorar ou para recompor o seu corpo organizacional. É isso que estamos propondo neste momento.

Sabemos que as instituições evoluem e que ao longo dos anos são assimiladas novas tecnologias e novas formas de relacionamento. Esse evoluir é da essência das instituições. É o próprio movimento. Também sabemos que é impossível retornar ao ponto de partida ou de refazer o caminho trilhado. Os acertos e os erros da trajetória institucional estão lá, são intocáveis e devem servir somente como referência para que, se faça melhor. Portanto não há como retroceder.

No entanto, detectados problemas ou imperfeições, podemos resgatar do passado aspectos importantes e fundamentais que eventualmente se tenham perdido ou desgastado. O importante, para poder agir bem, é analisar o cenário atual e verificar a necessidade, ou não, de implementação de mudanças ou de resgate de aspectos fundamentais.
(Continua...)


Fonte: blog do Rogério Bastos
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