Luciano Alabarse, Flavio Luiz Lammel e Sergius Gonzaga


O prefeito Marchezan teve a coragem de fazer o que o ex-prefeito Fortunati não fez: valorizou a cultura, convidando Luciano Alabarse para ser o titular daquela pasta. Fortunati agiu como todo político brasileiro costuma fazer: falta dinheiro para a saúde ou a educação, corta da cultura. É uma posição tacanha, que deu no que deu. Porto Alegre perdeu espaços significativos e até históricos, como a Usina do Gasômetro e o Teatro de Câmara, com evidentes prejuízos para a dinâmica cultural da cidade.

O problema se agrava na medida em que, a pasta da Cultura Estadual também enfrenta problemas, com algumas agravantes. Pelo depoimento do ex-titular da Secretaria Municipal da Cultura, Roque Jacoby (Jornal do Comércio, 30/12/2016, p. 5), verifica-se que, o então titular da Secretaria de Cultura, tentou fazer o que lhe competia. Mas na verdade, não tinha espaço. Até espanta tudo o que alcançou fazer, mostrando que o velho idealizador e editor da Mercado Aberto ainda lutou com muita força. Ao que parece, sem apoios.

No caso do Estado, temos indiferença. O titular da pasta da Cultura do Estado deixa as coisas acabarem sem nem se preocupar. O criativo espaço do antigo Hospital São Pedro, no Partenon, não mereceu nenhuma preocupação de Victor Hugo, que perdeu feio para uma decisão despótica do titular da Saúde. Com prejuízos para a cultura e certamente para a própria saúde, porque o prédio, histórico, tinha certa protetividade dos grupos teatrais que lá atuavam, e agora, certamente, não vai ter nem ator nem doente mental. Vai ficar aos ratos e cair. Talvez seja o que se queira. O prédio do antigo Palacinho (espaço do vice-governador) tinha a defesa de uma associação de cidadãos que buscavam fazer o que o Estado não fazia. A associação tinha alcançado até aprovação na Lei Rouanet de um projeto significativo, para a recuperação do prédio, que tinha chance de encontrar patrocinador. Precisava apenas renovar a diretoria da associação, mas Victor Hugo nada fez. A associação morreu e com ela, certamente, também vai morrer o prédio, que está abandonado e não surpreenderá que qualquer dia descubramos estar invadido por moradores de rua (afora os morcegos que lá imperavam, antigamente).

Luciano Alabarse e Eduardo Wolf, segundo as várias entrevistas que deles li (Correio do Povo, Zero Hora, Jornal do Comércio) não são novatos. Sabem das dificuldades. Sabem que não terão dinheiro, mas terão apoio do prefeito, que já mostrou isso na discussão em torno do Carnaval da cidade (que é cultura, sim). Vão buscar dinheiro fora, e gente que saiba fazer e tocar projetos; como Sergius Gonzaga, que volta à SMC, agora, na condição de Coordenador do Livro e da Literatura, pronto para retomar aqueles seminários fantásticos; Fernando Schuller, entre outros (hoje no Rio, mas não desligado do Sul, basta lembrar seu nome ligado ao projeto Fronteiras do Pensamento, da Braskem). Alabarse e Wolf fizeram, em suas manifestações, diagnósticos sérios, objetivos, de pés no chão, mas com disponibilidade para serem vencidos, com alguma vontade de trabalhar e algum apoio dos municípios.

Alabarse já mostrou competência ao longo dos anos, ao coordenar o Porto Alegre em Cena, que vive muito menos de dinheiro dos cofres da prefeitura do que de projetos de financiamento. Ou seja, na medida em que Alabarse montar seu time, for capaz de descentralizar e montar projetos e condizentes com os interesses da cidade, vai conseguir fazer andar sua pasta. Infelizmente, a lição de Eva Sopher em relação ao Theatro São Pedro e, agora, seu Multipalco, ainda não foi aprendida pelos administradores dos equipamentos culturais do Sul. Neste início de ano, confesso que me parece ter mudado o astral (na cidade, na área de cultura), graças a Marchezan e a Alabarse: espero que o governador Sartori, começando a resolver os quiproquós da administração estadual, possa repetir o que fez com a cultura em Caxias do Sul, que administrou por oito anos, inclusive pelas ações culturais que sua administração desenvolveu. Mas certamente, para isso, Sartori terá de decidir o que quer fazer com a área. Se for para ficar assim, talvez seja melhor fechar a secretaria. Vai, pelo menos, poupar alguns centavos pagos a administrador (desinteressados) e funcionários (desmotivados): basta ver o abandono do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa. Será que 2017 vai ser melhor?


Fonte: blog do Rogério Bastos
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