CARRO 7 - MITOS - LOBISOMEM E BRUXA

O mito lobisomem é a crença que determinados homens podem se transformar em monstro, meio-lobo, meio-homem. O mito no RS leva o fado do sétimo filho homem de uma família que será fatalmente lobisomem, a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. O mito da bruxa no RS veio da Europa, mas nada tem haver com a bruxa de nariz comprido, com chapéu montada na vassoura. É uma mulher bonita e má, sua grande arma é o “olho grande”. Será bruxa a sétima filha do casal, quando não for interrompida por varão e batizada pela primogênita, perde o fado. Crianças embruxadas ficam amareladas, cruzam os braços e pernas. Quando aparece borboleta feia e preta nas casas, de dia, acredita-se que é a bruxa e se previne com uma figa, arruda e chifre.




CARRO 8 – CRENDICES E SUPERSTIÇÕES

Em todas as épocas o homem sempre acreditou no sobrenatural, sempre atribuiu a forças ocultas os fatos que fugiam ao seu conhecimento científico, teve medo e procurou conhecer e dominar as forças.

As sobrevivências que fazem parte do nosso acervo cultural, herdado de nossos antepassados, está o mundo mágico, povoado de crenças, misticismo, rezas fortes, simpatias, promessas e como não poderia deixar de ser, da vontade de manipular estas forças invisíveis. As origens das crendices e superstições são tão antigas quanto o próprio homem. Crendice é aquilo que se acredita e não teme, é sentimento de fé, convicção, simpatias, benzeduras.

A superstição é um sentimento baseado no temor e na ignorância. Estão incluídos os ditos “não presta” (não presta fazer isso... por que...). As superstições variam de pessoa para pessoa e lugar, por exemplo: Uma das superstições mais conhecidas e difundidas que se conhece, está relacionado ao número 13, Passar sob uma escada, jogar um punhado de terra na cova do morto, gato preto dá azar, coruja piando próxima casa ou a sobrevoando dá azar.




CARRO 9 – CONTOS - Chasque do Imperador

Blau Nunes narra os fatos de um ponto de vista muito próximo do soberano Dom Pedro II, daquele que se tornou seu ajudante, seu estafeta (Chasque). A narrativa predomina no espaço da pampa gaúcha, em que a tropa comandada pelo Imperador se desloca, ora acampando, ora sendo recebida por estancieiros da região. Ao ser oferecido, Blau não se julga apto a servir o imperador.
Nesse  universos vemos as classes distintas: a vida árdua, dotada de poucas informações e de pouco preparo social, que emerge na campanha sulina, e o homem da corte, pouco afeito à vida campeira. Em determinado momento da narrativa, o comandante de uma das tropas (Barão), junto ao imperador, termina fazendo a apologia das qualidades gaúchas, sob o ponto de vista do narrador-personagem, a rusticidade, a coragem e a virilidade  do homem  pampa gaúcho. Mais tarde  o imperador encontra uma mulher, que após perambular pelo acampamento, oferece ao soberano um preparo de requeijão, que dava gosto de se ver e com um cheiro inigualável”. Na passagem, salienta-se, o papel da mulher sul-rio-grandense nos confrontos bélicos que marcaram a Rio Grande. Enquanto os homens seguiam para os campos de batalha, cabia-lhes esperar e tocar a economia local.
A dualidade, que se forma neste universo da guerra, parece, também, adquirir relevância, posto que a incumbência da luta caberá aos peões, homens rudes, afeito às lides bélicas, enquanto o Imperador se manterá protegido, distante do confronto, servindo apenas como um reforço ao moral das tropas em  combate. Faz-se importante retomar os costumes, os hábitos gaúchos que a narrativa traz à cena: os cuidados com os cavalos, o chimarrão, aspectos que, de certa forma, fazem eco ao propósito narrativo de valorizar a vida campeira.


Colaboração: Rogério Bastos
 
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